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Wednesday, November 7, 2012

Eu embirro com..."equipas jovens e dinâmicas"

Quando penso em "equipa jovem e dinâmica" é isto que me vem à cabeça.
Este assunto tem vindo à baila aqui no Imperatriz, a propósito dos disparates que vejo nos anúncios de emprego portugueses (impossível não reparar neles, com tanta gente a falar da mesma coisa...). Ora, uma tolice que aparece em nove de cada dez anúncios é "integração em equipa jovem e dinâmica". A "equipa jovem e dinâmica" é assim uma coisa como o Bá, os gambuzinos e o défice: anda de noite, ameaça vagamente, toda a gente fala nela mas ninguém sabe o que é. A "equipa jovem e dinâmica" serve para tudo: para estágios não remunerados (nem ajudas de custo pagamos, era o que faltava, também não pagámos aos outros 100 estagiários que cá andaram, porque havíamos de gastar dinheiro com caras novas? Mas reparem: oferecemos integração em equipa jovem e dinâmica para empresas que ainda não têm reputação e logo, não sabem muito bem o que fazem, mas a quem dá jeito trabalho à borlix disfarçado de parceria (nesta fase não podemos pagar um chavo a ninguém/ trabalha-se à comissão sem ordenado base mas oferecemos integração em equipa jovem e dinâmica) ou para tornar apelativo um anúncio para um emprego que de apelativo não tem nada, estilo:

Chefe:  Mariana, preciso que me escreva um anúncio giro, assim moderno, para contratarmos alguém.
Secretária: E o que devo colocar no anúncio?
Chefe: Exige-se diploma do Chapitô, prémio Nobel, viatura própria, paciência de santo, etc, etc...
Secretária: E na parte "oferece-se" o que é que eu escrevo?
Chefe: Eu sei lá! Invente! Faça isso giro, ouviu?
Secretária: * em surdina* mas o que é que eu hei-de gabar neste buraco? As instalações são uma treta, o ordenado é uma porcaria, o trabalho é repetitivo, os colegas andam sempre à batatada. Olhe, dane-se. Vou fazer copy/ paste dos outros que para aqui andam. 


Newsflash, minha gente: "equipa jovem e dinâmica" (sem mais nada, pelo menos) não é atraente. Soa a patranha e a falta de imaginação, no mínimo. Para já, porque embora nem toda a gente seja talhada para trabalhar num lar de terceira idade, por outro lado nem toda a gente é obcecada com a juventude - concorre-se para evoluir numa carreira, não para entrar nos Morangos com Açúcar. "Equipa jovem e dinâmica" dá a impressão de um grupo de maçaricos e estagiários sempre a entrar e a sair, ou de uma empresa que não tem solidez, nome, experiência ou boas condições para oferecer a ninguém. Onde estão as pessoas "da casa" e os comandantes do barco? Não há continuidade na empresa? Despedem as pessoas quando chegam a certa idade para que a equipa continue a ser jovem? Hein? Depois,  "equipa jovem e dinâmica" não me diz nada. Pode ser-se dinâmico e só fazer asneiras. Por outro lado, qualquer equipa de trabalho é suposto ter dinamismo, olha a grande avaria. Original, original (e mais honesto, se calhar...)  era dizer "integração numa equipa de valentes preguiçosos". E afinal, o que vem a ser uma  "equipa jovem e dinâmica"?  Uma equipa de hiperactivos a saltitar com sorrisos parvos, a correr de um lado para o outro sem motivo e a fazer corridas com as cadeiras do escritório? Uma empresa que só contrata gandas malucos de boné ao contrário e calças a chegar ao chão? Ou isso é uma ameaça a dizer "aqui trabalha-se debaixo de um stress doido e quem se queixar por não receber horas extraordinárias não é jovem nem dinâmico"? Nenhum dos cenários me parece bem. Uma coisa é certa, se alguma vez colocar um anúncio para contratar pessoas a última coisa que quero é uma equipa jovem e dinâmica. Se há coisa que me dá náusea são as frases feitas...


O visual "nhé" de Halle Berry: como evitar?

                                                jimmy-choo-lnace-sandal-halle-berry
Na estreia do filme "Cloud Atlas" em Berlim, Halle Berry conseguiu quebrar a velha máxima "uma experiência repetida sob as mesmas condições leva inevitavelmente ao mesmo resultado". Uma pessoa ouve falar em Halle Berry (que tem um dos corpos mais perfeitos deste mundo de Deus) Jimmy Choo e Helmut Lang e pensa que só pode sair dali algo de mágico, certo? Errado. O look está uma confusão ou seja, é um visual nhé. Ora vejamos porquê:

- O decote não é carne nem é peixe - não mostra o ombro, não revela a clavícula da melhor maneira, não favorece o pescoço nem o busto: estas fantasias foram criadas para figuras de bailarina, estilo Audrey Hepburn. Só peitos pequenos as conseguem suportar com alguma beleza.

  - Não me canso de o dizer: mulheres com figuras de ampulheta, e mulheres com curvas em geral, sejam mais magras ou mais roliças, não ganham nada (de bom) com vestidos de lycra, ou tecido que o valha. Brilham, marcam todas as `redondezas´ e depressões, achatam onde não devem, criam volume onde ele não existe, não assentam no lugar: a curva do busto desapareceu, criou uma "gordurinha" na axila e como está demasiado justo na zona do joelho, faz parecer que Halle tem as pernas tortas e sem forma. 

 - Para quem tem pernas torneadas, as bainhas devem sempre ser bem definidas e não agarrar à pele. Ou seja, é melhor que o comprimento da saia (mini, midi ou assimétrica) seja  cerca de um palmo acima ou abaixo do joelho, para evitar efeitos estranhos nessa zona. A abertura lateral devia começar junto à coxa (mesmo que o corte fosse "fingido" na zona superior) para que a costura alongasse visualmente a silhueta.

- Os drapeados são bons para criar curvas em mulheres rectilíneas. Uma mulher que já tenha curvas pode usá-los com graça, mas o tecido tem de ser consistente. Neste caso, como o material é escorregadio, só funciona mesmo num corpo onde possa cair a direito; havendo volumes, distribui-se como pode, fica sem forma e "engorda".

- As sandálias Lance são muito bonitas, mas funcionariam melhor numa toilette onde a sua única função fosse acrescentar alguns centímetros: num vestido longo e vaporoso ou com saia de balão a 3/4, por exemplo. Como não dão qualquer elevação à planta do pé, obrigam a figura a projectar-se para a frente. E uma vez que o vestido já não permite grande liberdade de movimentos e marca tudo, a actriz parece muito desconfortável. Com vestidos difíceis como este, uma sandália estável que dê altura a toda a superfície do pé e o deixe o mais nu possível é a melhor opção. Algo mais ou menos assim:

                                              

"Hás-de pagá-las, nem que leve 50 anos"!

Ficheiro:William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) - The Remorse of Orestes (1862).jpg
William-Adolphe BouguereauO remorso de Orestes (1862
                                       

Já vos contei que passei ao lado de uma brilhante carreira 
como investigadora/profiler do FBI (a não ser que venham cá a casa raptar-me para me transformar numa Clarice Starling da vida...acontecem-me coisas tão extraordinárias que essa não seria a primeira, e vamos sempre a tempo de mudar de emprego; se sucedesse tal coisa, estão a imaginar como ficaria este blog?). Mas o bichinho, o instinto e a tradição de família para as "questões de armas" estão cá e volta e meia, dou por mim a ler sobre o tema, ou a deliciar-me com programas sobre o assunto. Por estes dias vi precisamente um que me fez lembrar um texto recente aqui do blog sobre justiça e vingança. 
   Numa noite fatídica em 1957, o jovem Gerald Mason entrou numa espiral de violência: atacou dois casais de namorados, agrediu-os, assaltou-os, cometeu uma violação e
 levou-lhes o carro. Na fuga, passou um semáforo e foi mandado parar por dois agentes, que não sonhavam que o veículo era roubado. Para não ser preso, baleeou-os sem pensar duas vezes. Um morreu instantaneamente; o outro teve sangue frio e pontaria para disparar três tiros certeiros contra o fugitivo antes de dar o último suspiro. Ambos os polícias (de 24 e 28 anos) deixaram mulher e filhos pequenos. Apesar do empenho das autoridades, que reuniram pistas importantes, os recursos da época não permitiram apanhar o criminoso. Mas nunca desistiram e numa reviravolta que supera os guiões da série Cold Case (´Casos Arquivados´) por uma mera coincidência, o crime foi esclarecido. Analisando com modernas tecnologias as impressões digitais retiradas do carro nos anos 50, as balas e outras provas forenses, os investigadores actuais chegaram a um respeitável avô de família e cidadão modelo, Gerald F. Mason. Confrontado com as evidências, Gerald declarou-se culpado e foi condenado a prisão perpétua em 2003.

                                                           
E qual foi a prova final para a sua condenação? A cicatriz da bala disparada pelo agente moribundo, Richard Phillips. Por acaso, Phillips era um dos melhores atiradores do seu departamento, e conseguiu marcar o assassino para o acusar publicamente do além túmulo. Foi como se o criminoso andasse perseguido, durante quase cinco décadas por um espírito vingador.  Ou seja, justiça poética...

O agente Richard Phillips disparou três balas certeiras antes de morrer.
E porque é que o caso me chamou a atenção? Pela lição que encerra.  Gerald Mason viveu 45 anos em liberdade,  comeu, bebeu, constituiu família, andou por aí todo contente. Mas como na Mitologia Grega, as Fúrias  não o deixaram em paz. As Erínias são Deusas Justas e nunca deixam de concretizar a maldição dos inocentes que as invocam. Eventualmente demoram mas nunca dormem, nunca se calam, nunca descansam e nunca desistem. Ainda por cima exercem o seu ofício com certos requintes de malvadez - que podem confundir quem espera por justiça e deixar os criminosos aparentemente descansados. Por vezes, gostam de desempenhar o seu trabalho quando o assunto parece encerrado, quando tudo indica que o culpado se safou à grande, surpreendendo todos os envolvidos. Ou como eu costumo dizer "o Diabo pode levar o seu tempo, mas apresenta a conta pelos seus serviços quando menos se espera".                                                  



Crónica Activa desta semana


Já online, para ver aqui.






Tuesday, November 6, 2012

S.O.S e-mail avariado

Já há dias que andava a notar o meu e-mail muito calado. Entretanto, várias pessoas vieram confirmar que não estavam a conseguir enviar mensagens para contas de hotmail.
 Avisaram-me, reenviaram, e nada. Nem quero imaginar as mensagens que posso ter perdido entretanto. Por isso, se alguém ficou sem resposta, as minhas desculpas. Não gosto de andar com caixas e caixinhas de e-mail, até porque o Gmail é uma chatice por estar associado a outra conta, mas paciência. 
Por isso, caso precisem de me contactar, peço a gentileza de o fazerem via facebook, caixa de comentários ou para imperatrixsissi@gmail.com






Agarrem esse casaco! O look de Penelope Cruz em Roma.



Penelope Cruz apresentou-se na photocall do filme "Venuto al Mondo", em Roma, com um belo trench coat de couro Versace, acompanhado de uns pumps `Eros´ de Jimmy Choo. Eis um look muito simples, edgy chic, e  que dá um aspecto realmente fabuloso sem esforço. O styling também é do mais fácil de conseguir em casa: até está um nadinha despenteada, mas como o traje é tão clean, consegue mesmo assim ter um ar sofisticado.
Apenas um reparo: por vezes os casacos assertoados como este - ou seja, com botões que cruzam - não são pensados para quem tem um busto volumoso, como é o caso da bonita espanhola. Para que não fique demasiado apertado no peito, roubando "espaço" e tecido que devia deixar a cintura à vontade, nem dê a ilusão de aumentar a zona do abdómen, o melhor é experimentar vários tamanhos.  Em certos casos, é boa ideia escolher um número maior, que se mande apertar bastante nos ombros e na cintura, numa casa de peles ou costureira que trabalhe com máquinas apropriadas. Ou isso ou optar por um modelo parecido e com cinto mas de corte a direito, que favorece a maioria das silhuetas.

Sensação realmente estranha...


                                 
...é acordar com uma frase, expressão ou palavra na cabeça que não nos larga, e que não faz sentido nenhum. Não se pensou nela, não apareceu em nenhum filme que tivéssemos visto, ninguém falou nisso e que nos lembre, nem sonhámos com tal coisa, mas lá anda ela a ecoar-nos na mente. Acontece-me bastante e nunca percebi a utilidade desse estranho reflexo. Hoje foi esta:

Serendipity: means a "happy accident" or "pleasant surprise"; specifically, the accident of finding something good or useful while not specifically searching for it.

O mais esquisito é que se utilizei este termo, foi uma ou duas vezes na minha vida. É considerada uma das palavras mais difíceis de traduzir do inglês e mesmo na língua de Shakespeare, o seu uso é relativamente raro. "Feliz acaso" seria a forma mais aproximada de dizer o mesmo- uma coincidência benéfica que leva à descoberta de algo importante. Valha-nos isso: já que vou buscar palavrões do nada, ao menos que sejam palavrões auspiciosos...

Monday, November 5, 2012

Coisas que me deixam chateada que nem um perú





- Pessoas que amuam. É que fui criada com uma tabuleta a dizer "amuos não são permitidos nesta casa" e nunca aprendi a usar essa estratégia ou a simpatizar com quem a emprega. Simplesmente detestável. 

- Surgir um convite súbito para algo a que adorava assistir, tentar desmarcar os afazeres já combinados, estar quase, quase...mas depois não ser possível e ter de me resignar. Dana-me pela desilusão e porque não gosto nada de andar para trás e para a frente com marcações e desmarcações. Fico stressada e triste como o Senhor Prior!

- Pessoas que querem sol na eira, chuva no nabal e acham que podem servir a dois senhores. Reality check: só porque vos dava jeito que assim fosse, não quer dizer que assim seja. Esperam que lhes tolerem e desculpem comportamentos totalmente estrambólicos e opções incompatíveis e ainda acham isso muito natural. Portam-se mal, mas esperam medalhas de virtude. É como se achassem que podem ser do Benfica e do Sporting ao mesmo tempo, e durante o mesmo desafio de futebol; querer ser magros, tipo peso pluma, mas encherem-se de bolos com creme, farturas e bolachas a todas as refeições; beberem que nem cachos e não andar aos zigue zagues. Gente assim contraria todas as leis da física e da lógica e simplesmente não tenho capacidade nem pachorra para lidar com isso.




O encanto da "barriguinha de cerveja"


                              
Este texto, alegadamente escrito por uma sexóloga brasileira, tem andado a correr as redes sociais e já é a segunda pessoa das minhas relações que me chama a atenção para ele. Desta feita, um amigo incentivou-me a dizer algo da minha justiça sobre o assunto para a realidade portuguesa. Conta ele que testou a veracidade desta teoria em primeira mão. "Desde que comecei a ganhar peso e barriga comecei a ter mais solicitações e a ganhar confiança em mim mesmo e, estranhamente, ao assumir isso e a dizer que não me importava com a figura, que o que conta é a personalidade, deixo as outras pessoas e as suas inseguranças mais à vontade...Estou farto da apologia dos corpos perfeitos e esbeltos". Passe a generalização e um certo exagero, alguns aspectos citados na crónica vão ao encontro de algumas ideias que tenho defendido aqui e ali  no Imperatriz, como por exemplo, a aversão aos " malditos metrossexuais" e a necessidade do regresso ao homem despachado, desempenado, com atitudes varonis. Dizia eu, recentemente:

O ideal está algures no meio: sem exageros, nem desleixos. Embora as revistas mostrem uma imagem retocada do homem perfeito, a maioria das mulheres ia perder a paciência se tivesse de suportar um tipo obcecado com a sua aparência, mais preocupado com as medidas do que em “cumprir os seus deveres”, se me faço entender. O lugar dos personal trainers é no ginásio, não em casa.  Uma das coisas fascinantes a vosso respeito é a rapidez com que se arranjam para sair. Estilo “ soou o alarme e aqui estou pronto para lutar”
 Um cavalheiro está sempre pronto. 


Cada mulher tem o seu tipo, mais coisa menos coisa. Se me perguntarem eu citarei inevitavelmente um homem que se pareça com isso mesmo. Ocorrem-me  um jovem Gerard Depardieu, Charles Mesure, Sébastien Chabal, Brendan Fraser, Liam Neeson - grandalhões com charme e um certo ar de gladiadores ou jogadores de rugby, mas sem músculos de ginásio. E também Hans Matheson, Aaron Eckhart, Vincent Cassel - não necessariamente super homens, mas todos eles senhores de carisma e galhardia, elegantes sem excessivas preocupações com a imagem. A barriga é meramente simbólica; não é a barriguinha - que em alguns cavalheiros, tem um certo encanto - ou o abdómen mais ou menos liso e definido que fazem um homem. Está tudo numa atitude máscula, à vontade: nem um Nero decadente, nem um Narciso deprimente. Escrevi também:



Estão a imaginar um D.Afonso Henriques, um Leónidas de Esparta,  um Alexandre, o Grande, ralado com o penteado no meio da escaramuça?
Preocupado se tinha um perímetro abdominal assim ou assado?

Se a depilação estava em dia?

Sim, eles tinham músculos trabalhados. De andar à espadeirada, e do treino que era preciso para caçar e andar ao ar livre à espadeirada. Aquelas coisas à homem que são sexy, topam?


Ou seja, não é tanto a barriga ou os abdominais, mas a sua origem e o que se faz com isso. As mulheres querem homens descontraídos, que as façam sentir-se protegidas e à vontade. Que lhes digam que estão lindas e sejam despistados para os pormenores que só elas vêem. A maioria é tão preocupada com o seu aspecto que a última coisa que deseja é um "inspector das medidas" a vigiar-lhe a dieta e cada curva do corpo com frieza cirúrgica.  Como é óbvio, um senhor que goste de se mexer dificilmente terá barriga. Não é isso que fará dele um vaidoso. O rapaz que se fecha todo o dia no ginásio a burilar-se à lupa, que mede os músculos, que diz " não me toques que me despenteias" esse é realmente de fugir. Conheço o género e entre esse e o barrigudinho giro, venha o segundo. Homem que é homem gosta de comer e beber, de se divertir, de apreciar uma mulher no seu todo. E acima de tudo pode gostar de mulheres bonitas, mas não quer uma mulher troféu. 

Sunday, November 4, 2012

A "Sopeira"

Já abordei aqui o namoro dos meus avós. Foi uma história cheia de peripécias e a avó gostava de a contar às netas e sobrinhas como só ela sabia, imitando os gestos e as frases, o que nos divertia imenso. Mal sabia o avô como nos ríamos das suas tonterias de juventude quando ele não estava...
 O meu avó, como vos descrevi, era o rapazola mais cobiçado das redondezas. Além de ser um belo moço, com ar e cabelo à James Dean, era considerado um bom partido e tinha um charme irresistível. Mas assim que conheceu a minha avó, que era lindíssima, não teve coração para mais nenhuma. Toda a gente os considerava o casal perfeito e o namoro ia de vento em popa. O pior é que o avozinho era um homem do seu tempo, e assaz namoradeiro: achava perfeitamente comum ter uma menina delicada e de bom trato como sua noiva, e ir-se divertindo como lhe apetecia com as raparigas desmioladas que tentavam a sua sorte. Para piorar tudo, o pai da noiva não estava para brincadeiras: filhas dele só assistiam a festas e bailes muito escolhidos, e sempre com pau-de-cabeleira. De modo que além dos dias de namoro tradicionalmente permitidos (Quartas-feiras e com sorte, Sábados; nunca percebi porquê mas lá que lhes apressava a vontade de casar, isso apressava) só podia passear ou dançar com a namorada muito de longe em longe, o que lhe deixava muito tempo livre. A ociosidade é oficina do Diabo e como rapaz, ele não deixava de ir às festas e bailaricos, que eram "a noite" daquele tempo. Ainda por cima, uma vez que na época não se dançava sem par, o avô convidava esta e aquela. Tudo se sabia e a avó andava furiosa.
 - Mas que mal tem isso? - dizia-lhe ele com toda a sua retórica e meiguice. - Eu sou novo; você não pode acompanhar-me. Vou com os meus amigos e primos, mas não se passa nada...é natural que eu dance! Não a vou enganar por causa disso. É de si que eu gosto!
E ela, coitada, não tinha como contrariar esse argumento, por mais que lhe custasse. 
Porém, a certa altura, começou a saber que o namorado, apesar das suas juras e protestos de amor eterno, andava muito entretido com uma certa doidivanas. Uma rapariga um tanto saloia e pateta, muito vivaça, barulhenta, atiradiça e tão atrevida que lhe chamavam a Sopeira. Era em tudo o oposto da minha avó e nenhum rapaz de brio pensava nela a sério. Mas como estava pelos actos e as formas rechonchudas eram moda, o meu avô, como outros, achava-lhe certa piada. Para ele era tudo brincadeira, mas ela viu ali uma boa oportunidade e tratava de o engraxar ao máximo, a ver se o comprometia- com a ajuda da família ambiciosa, que não tinha vergonha de "empurrar" as filhas descaradamente se isso significasse um casamento jeitoso. 
 Quem não esteve para graças foi a noiva. Pensou "ná! aqui há gato!" chamou-o e disse-lhe das boas.
E ele, com a calma do costume, contou-lhe as costumeiras lérias:
- Eu? Só a vejo quando o rei faz anos. É só uma rapariga divertida. Não quero nada com ela! Eu lá podia ter alguma coisa de sério com aquela parola! É só para ir para os bailes! É por si que eu estou apaixonado!
Mas ela não acreditou, claro. Mandou-o ir namorar com a Sopeira, já que gostava tanto dela, e que não lhe aparecesse à frente, senão chamava o pai para lhe dar um correctivo, etc.
Ele meteu a viola no saco e lá foi à sua vida, muito desgostoso. Para piorar os males, os pais dele ficaram zangadíssimos, ao ver que - agora que estava solteiro - se fazia acompanhar da tal Sopeira, a ver se curava o coração partido. Tudo eram pândegas e folias. Tal casório - Deus nos livrasse! - seria uma vergonha das grandes. Esperta, a minha bisavó pôs-se em campo e proibiu o filho de parar por lá, não fosse a mãe da outra 
deitar-lhe algum filtro na comida, ou pior, arranjar um estratagema que o obrigasse a casar. Não foi preciso: o avó não era parvo e vendo tanta amabilidade, tanta lisonja, tanta peçonha e mel, tantas liberdades e facilidades, lá percebeu a marosca e fugiu dos encantos voluptuosos da moçoila como o Diabo da Cruz. Depois foi andar dois anos, feito um pobre diabo, a reconquistar a minha avozinha com muita serenata, muita choradeira, diplomacia, cartinhas, pancadaria russa nos rivais e súplicas de parentes. Ainda bem que conseguiu, ou eu não estava aqui a contar isto. Mas essa é outra história.





Facto embaraçoso: telemóvel

                         
Ao percorrer a minha lista telefónica, cheguei à brilhante conclusão de que tenho para ali imensos contactos que não faço a mais pálida ideia de quem são. Por vezes, em circunstâncias profissionais ou noutros afazeres (pessoas que fazem, vendem ou entregam isto e aquilo) troco números com gente que não volto a encontrar. Noutras ocasiões, registo o número com um nome que não associo facilmente à cara ou ocupação do dono. De modo que tenho de perder umas horas na desagradável tarefa de fazer montes de telefonemas embaraçosos do estilo:

" - Bom dia, daqui fala a Sissi. Estou a ligar porque tenho este número no meu telefone mas não estou a associar...estou a falar com quem?

- Sissi!! Daqui fala a Capitolina Andrioleta...está boa? Há quanto tempo!

- Capitolina quem? Ehrr...olá. é que não estou a ver.

- Conhecemo-nos no evento X...organizado pela Maria Cachucha.

- Maria Cachucha? Não me recordo bem...*glups*

ou pior um pouco, 

" - Bom dia, daqui fala a Sissi. Estou a ligar porque tenho este número no meu telefone mas não estou a associar...estou a falar com quem?

- Sissi? Não estou a ver quem seja.

- Pois, eu também não sei com quem tenho a honra de falar. 

- Ihihih...também me  acontece...

Percebem a ideia? É isto e o Facebook, a precisar de uma limpeza à prova de "coleccionadores de cromos" que adicionam todo o bicho careta e para ali ficam...



Arrrgh


Trent Reznor

Há um número (felizmente reduzido) de pessoas, situações e assuntos que me fazem enxaqueca. Debate-se o tema uma e outra vez e dali a nada está-se na mesma. Odeio repisar. Só gosto de falar uma vez. Detesto repetir argumentos. Enerva-me, tira-me o fôlego, dispara-me a adrenalina, o cérebro parece que anda aos saltos nos seus aposentos, o coração pesa-me e o estômago aperta-se-me de tal maneira que nem água me apetece beber. Felizmente estas são situações muito raras, muito específicas e têm "surtos" de curta duração. Se houvesse muitas coisas capazes de me arreliar a este ponto, havia de ser bonito.

Saturday, November 3, 2012

Brilhante comentário da semana: ciúmes


                                     
Em resposta à minha pergunta de ontem sobre o ciúme e desconfiança masculinos, uma gentil leitora escreveu palavras sábias e expressou um raciocínio que já me tem ocorrido, mas que nunca vejo tratado ou escrito em lado nenhum. Isso deu-me que pensar, pois recebo bastantes comentários que faziam um post e é pena não lhes dar o devido destaque. Por isso, a partir de agora - sempre e quando se justificar - será escolhido o Brilhante Comentário da Semana, de modo a partilhar com quem me visita a sabedoria dos comentadores mais fofos e respeitáveis desta blogosfera e arredores. Alors, diz a nossa amiga Sofia Henriques, e muito bem:

" Parece-me que depois de uma grande desilusão os homens têm muita dificuldade em voltar a entregar-se sem reservas. Acho que nas relações que possam vir a ter depois preferem optar por uma mulher que seja "average" e que sabem que não os vai deixar ou trair, do que voltar a estar com alguém que os arrebate (...)  arriscar entrar numa relação em que não tenham controlo absoluto. De outra forma como explicar que muitos homens prefiram casar com uma pãozinho sem sal (mas que está garantida) em vez de uma mulher mais interessante mas independente, com "pêlo na venta" ? Talvez tenham receio de perder o controlo, não dominar a relação e, como é um coração já cheio de remendos que está em jogo, preferem não colocar-se novamente em risco. Talvez as desilusões amorosas numa idade relativamente precoce estejam na génese de muitos dos sacanas que nos deixam de coração partido.


Eis um belo ensaio sobre a insegurança masculina e as suas consequências, e um drama que vejo muito por aí...Por vezes a obsessão de controlar cada aspecto de um relacionamento leva à escolha da pessoa errada. Uma vida ao lado de um (a) companheiro (a) seguro (a) mas sem graça parece-me um preço demasiado alto a pagar só para evitar um sofrimento que pode nunca acontecer, mas há tantos casos desses...

As coisas que eu ouço: o meu Pequeno Pónei


Contei-vos que alguns dos meus brinquedos regressaram a casa. No caixote, entre as Barbies e acessórios, estavam dois Pequenos Póneis. Adorava a série My Little Pony e este, junto com uma carroça de Pinipons feirantes (que vendiam frutas e vasos de flores) foi um dos poucos brinquedos "da moda" que competiram brevemente com a mítica Barbie. Nunca fui menina de Nenucos nem de bonecada a chamar-me mãe, mas como adorava cavalos foi fácil encantar-me por aqueles amores coloridos.
Tantos anos volvidos, ainda estão impecáveis. Um deles é esse da imagem, o Pinwheel, que apesar do uso, só perdeu os desenhos no flanco.  De resto está novo - depois de uma barrela com amaciador e shampoo de morango, outro regalo da minha infância. 
Quando vi o meu bom amigo Pinwheel recordei-me de um episódio que me marcou. Certa vez, levei-o comigo para a escola, para o mostrar às colegas no intervalo.  Aquela escola era muito gira, pois tinha à volta do recinto uns morros verdes que davam para um bosque. Por vezes trepávamos o monte e ali ficávamos, a lanchar e a fazer jogos. Brincou-se, lanchou-se e voltei para a aula. Estávamos a meio de um exercício quando dei pela falta do boneco. Fiz-me branca como a cal, levantei-me de um pulo e sem olhar a onde estava (eu que até me portava bem) gritei:

- Ai Meu Deus! Ai o meu pónei, ai o meu pónei, ai o meu lindo pónei!

Calou-se tudo. A professora ficou parada a olhar para mim e perguntou o que se passava.

- Oh Sra. Professora, deixei o meu pónei no recreio... - respondi quase a chorar.

- Então pouco barulho e vai lá buscá-lo num instante!

Foi o que eu quis ouvir. Não corri, voei lá para fora e morro acima. Felizmente nenhum dos miúdos tinha dado pelo brinquedo e lá estava ele, muito quieto, de pé como o tinha deixado, a "pastar" entre as ervas. Agarrei-o bem agarrado e levei-o de volta, vitoriosamente, para a sala de aula. 

- Obrigada, Sra. Professora! Afinal estava lá...

- Ai era isso que a Sissi tinha perdido?

- Era, sim Sra. Professora. Então não lhe disse que era um pónei?

- Essa é boa - respondeu ela, muito zangada e de régua na mão - eu percebi " eu perdi o meu boné"! Se soubesse que era o boneco não te tinha deixado ir, que era para aprenderes!

Tarde demais, senhora professora, o precioso já ninguém mo tirava...Pensei de mim para mim que por um boné não era necessário tanto drama, nem arriscar-me a levar uma reguada, mas um Pequeno Pónei era outra história. 




Agora já percebo o Dexter...





...e a trabalheira que ele tem a criar todo um cenário, coberto com metros e metros de plástico, de cada vez que decide andar a fazer justiça à sua maneira por aí. Ontem destruí um mosquito que tinha acabado de almoçar e não imaginam o sarilho que foi para limpar a parede dos vestígios do bicho e do ADN sabe-se lá de quem.

          

Friday, November 2, 2012

Pergunta para eles



Sempre ouvi dizer que as mulheres são mais sensíveis e fazem maiores esforços para conservar um relacionamento, mesmo à custa da sua própria felicidade. Muitas mantêm a velha programação genética para a estabilidade, para defender a todo o custo o que percepcionam como "lar" ou território . Os homens, por outro lado, têm uma maior tendência para o risco, para a aventura e logo, mais facilidade em estabelecer ligações fugazes ou superficiais. Porém, quando finalmente encontram um relacionamento com significado, quando se apaixonam realmente, são muito mais emocionais, vulneráveis e territoriais do que as mulheres. Quando se envolvem emocionalmente pela primeira vez, pior ainda. Têm uma maior capacidade de entrega sem reservas, mas também carecem de firmeza e deixam-se facilmente assaltar pela dúvida ou pela insegurança. Uma vez quebrada a confiança, ferido o seu orgulho, dificilmente perdoam ou recuperam a serenidade: perante uma desilusão, o sofrimento masculino é muito mais violento. Talvez porque ao contrário das mulheres não esperam vir a ser desiludidos, e ficam muito surpreendidos quando isso acontece; talvez porque não têm a capacidade de racionalizar ou relativizar que algumas mulheres possuem quando o assunto é ciúmes, seja o motivo dos zelos verdadeiro ou falso, justo ou não. Então contem-me lá se isto é mito ou facto. Quão ciumentos e desconfiados são realmente os cavalheiros de hoje em dia? E como reagem perante uma suspeita?

Peça essencial: Blazers

Se o Verão passado foi dedicado às saias, que regressaram em força e em todos os modelos possíveis, este é sem dúvida o Inverno dos casacos, como já comentei aqui. Dos big coats aos assertoados militares, passando pelas capas (Gucci) trench coats criativos (Burberry) e sobretudos de pêlo ou couro, casaquinhos de tweed, metalizados e brocados, haverá agasalhos justos e largos, curtos e longos, com todas as inspirações e tecidos possíveis. Depois de anos de vacas magras,  em que as "imitações de sobretudo" ameninadas, de corte império e acima do joelho dominaram, eis uma temporada para adquirir bons casacos clássicos e femininos...ou variantes originais e andróginas, que lembram as loucuras de Comme des Garçons nos anos 80.
É claro que se falamos de casacos,  não poderíamos deixar os blazers de fora, e neste Inverno eles não fogem à regra: há-os de todos os modelos, cores e materiais (incluindo couro e camurça). Até as versões compridas e largas regressaram, o que significa que quem tiver acesso aos armários vintage das mães e das tias se vai divertir bastante com exemplares que se julgava nunca mais verem a luz do dia...
 Há que aproveitar, pois em boa verdade o blazer nunca passa de moda e poucas coisas são tão práticas e acrescentam tão rapidamente um "quê" de elegância e sobriedade a um visual descontraído...








O Monstro que Esconde Gente


Depois de adulta, tive o azar de travar conhecimento com um monstro pior do que o Bicho Papão, a Cuca e o Homem do Saco todos juntos. É parecido com esses inimigos míticos da nossa infância - no modus operandi silencioso, na persona misteriosa e sem rosto que adopta - mas oferece perigos maiores, porque é real. Invisível, mas muito real. Encontrei-o pela primeira vez há alguns anos, quando a minha querida avó sofreu um problema de saúde que lhe baralhou boa parte da memória e lhe provocou, embora de forma intermitente, alterações nos sentidos e na percepção da realidade. O nosso cérebro é o maior mistério que há; bastam alguns neurónios feridos para provocar os mais estranhos efeitos. Num momento, ela era a avó que sempre tínhamos conhecido - sensata, ponderada, com um sentido de humor refinado e característico. Dali a pouco ficava entre o cá e o lá, vagueando no passado, ou perturbava-se com coisas que só ela compreendia. Por exemplo, começou a ter sérios problemas com a dimensão das coisas - os prédios, os postes - que ora lhe pareciam minúsculos, ora lhe pareciam gigantes. Não conseguia racionalizar o que "via" e insistia connosco que tudo tinha mudado de tamanho, como é que era possível tal coisa, que vinham a ser aqueles postes da luz novos, quem tinha sido o iluminado que mandara fazer aquilo, e não se tirava disto, repetindo o mesmo discurso vezes sem conta. Estes episódios davam por vezes origem a momentos hilariantes ou bizarros, ao melhor estilo 100 Anos de Solidão; outras vezes, porém, era muito complicado. Bem tentámos a abordagem "fingimos que alinhamos para não a perturbar, que daqui a pouco passa" mas a nossa avó não era tão fácil de convencer. Não lhe parecia certo e queria discutir connosco o que ia na sua cabeça, sem se recordar que tínhamos tido a mesma conversa há poucas horas atrás. Por vezes caía em si e dizia "mas que disparate, ai a minha cabeça. Eu não estou maluca, não ando é bem desde aquela vez em que fui para o hospital".  Partia-me o coração ver isto, mas o mais difícil era manter a paciência nos momentos em que estava pior. O Monstro que come gente, que muda a personalidade das pessoas e que as esconde na barriga ao mesmo tempo que lhes veste a pele, tinha atacado. Certo dia, exasperada, virei-me para o Monstro e gritei-lhe: "Devolve a minha avó! O que é que fizeste à minha avozinha?!". Nesse momento o malvado deve ter-se tocado, viu que estava descoberto e recuou, porque a avó voltou a si e desatou a rir. "A Sissi está maluca, querem ver?".
 Neste caso o Monstro que Esconde Gente aproveitou uma doença para se instalar, mas há outros meios de fazer vítimas. Algumas pessoas são atacadas por ele devido à dependência de substâncias ou a um trauma violento, outras têm uma personalidade temperamental, influenciável ou volúvel que o convida a fazer delas a sua casa ; outras ainda, perfeitamente saudáveis, deixam que certos acontecimentos (ou emoções como a raiva, o ressentimento ou o ciúme) as afectem de tal maneira que nunca mais voltam ao seu velho "eu".  Mas todas mostram o mesmo sintoma: a alma virada do avesso. Alterações de personalidade ou comportamento mais ou menos prolongadas, por vezes tão profundas que da pessoa original, só se reconhece mesmo a fisionomia. O olhar muda. A forma de tratar a pessoas próximas altera-se. O discurso também. Só de vez em quando o verdadeiro eu da vítima assoma à superfície, por breves períodos. Não há garantias de uma cura definitiva, de um exorcismo que o expulse para todo o sempre. Dos monstros que tenho visto, este é capaz de ser o piorzinho de todos...

O Governador é mau! Isso faz-se?


Finalmente, o misterioso Governador de que tanto se falava - e tão aguardado por quem já era fã da BD de The Walking Dead - deu um ar da sua graça. Confesso que o meu contacto com a graphic novel foi muito pontual, o que me permitiu não ter grandes expectativas. Mas não esperava que escolhessem alguém com o aspecto do actor David Morrissey para o papel. Ou seja, alto e bem parecido até o Diabo dizer basta, com ar de perfeito cavalheiro e estilo para dar e vender. Ora aí está um tipo de senhor impressionante, seguro de si e dominador, com um lado obscuro. Ou mais adequadamente, um lado negro como breu, devidamente oculto sob uma camada de bondade, do género salvador da pátria. Torturar gente, roubar recursos, atirar pessoas aos zombies de estimação e querer as mulheres bonitas todas para ele são só algumas das tropelias esperadas da personagem. Mas isso enfim, ele é o vilão da história, as travessuras entendiam-se. O que deu cabo de mim foi 
ouvi-lo dizer que no reduto seguro que criou (uma cidadezinha idílica livre de mortos vivos esfomeados onde todos se conhecem) a vida segue normalmente. Ou seja, lá fora o mundo acabou, está tudo de pantanas, mas ali todos têm uma existência tranquila: joga-se às cartas, e as crianças vão à escola... esperem lá. Pára tudo! Ó seu ditador de meia tigela, as crianças vão aonde? À escola? Assim que se fala em organizar uma imitação de sociedade pimba, lá se mandam os desgraçados dos miúdos à escola. O mínimo que se pode esperar depois do apocalipse é que as escolas desapareçam. Quem nunca sonhou em pequeno com um nevão, um cataclismo, um surto de peste que obrigasse a escola a fechar, em modo Calvin & Hobbes? Vem o apocalipse zombie e nem assim?
 Entenda-se que não estou a defender um mundo cheio de gente analfabruta mas podiam inventar um sistema de ensino mais giro, sei lá...

(**Este post é uma brincadeira, como é óbvio, embora a minha infância fosse povoada de pragas e planos infalíveis para obrigar a escola a fechar portas, pelo menos por uns dias...**)

Thursday, November 1, 2012

O meu Halloween foi de tremer, e o vosso?



Embora adore estar recolhida no meu cantinho há ocasiões que não deixo de celebrar, e o Halloween é uma delas. Confesso que  me custou não ver The Walking Dead sossegada, mas foi para isso que se inventou o MEO (passe a publicidade que eu não sei como se chama a engenhoca para gravar programas e estou com preguiça de procurar) e além disso, não queria perder o convite da minha BFF Inês para o concerto da banda Rock N Riders (que vos aconselho a conhecer, já agora) na linda cidade da Figueira da Foz. Como vos tinha contado, acabei por me decidir por um upgrade gótico/ vampiresco/embruxado no meu visual, em vez da minha habitual fatiota completa. Para me inspirar, comecei logo por um visual noir ao longo do dia. Neste Inverno a combinação saia midi ou maxi + blusão de cabedal vai ver-se bastante por aí e acho a contradição peça agressiva + saia delicada muito interessante. Tal como disse ontem, um look com um quê de gótico não precisa de ser alternativo ou imaturo. Lá diz um escritor que muito aprecio, Antonius Moonen, que "o preto provoca a curiosidade e força o respeito"...
Mas é claro que para a noite a história era outra. 

Queria algo que me permitisse dançar e mexer-me à vontade. Por isso, escolhi o mais simples: um vestido rendado no negro mais retinto que há, acessorizado com um cinto de cetim entrançado e pedras de fantasia, e umas botas overknee de veludo guarnecidas de rendas, que comprei por graça numa boutique muito curiosa. Trouxe-as especialmente para ocasiões destas, mas com a invasão de veludos e looks românticos nesta temporada talvez me atreva a passeá-las por aí mais vezes. Ou seja, compus a fatiota com coisas que separadas podem fazer parte de uma toilette normalíssima, mas juntas...
Depois foi só colocar um fascinator de plumas no cabelo e criar um makeup com várias nuances de negro, um toque de encarnado (olhos) e lábios rouge-noir, outra tendência do ano.
Diverti-me horrores e fui mesmo desafiada para cantar com os Rock N Riders. Adivinhem qual foi o tema? Seven Nation Army, uma canção que adoro e que até já referi algures por aqui...
                                                    

Ficam algumas imagens do serão e claro, fico à espera de que me contem como foi o vosso...










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