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Saturday, November 10, 2012

Clutch "para meter conversa"

Alexander McQueen De Manta brocade clutchJason Wu Daphne embroidered satin and metal box clutchCharlotte Olympia Lunatic leather clutchCharlotte Olympia Baboushka embroidered leather clutch

Todas nós já tivemos aquele evento onde não se conhece praticamente ninguém. Dependendo do à vontade ou timidez de cada uma, há várias maneiras de contornar esse constrangimento. Uma delas é ter um acessório que chame a atenção, dando o mote para começar uma small talk que não fale só do tempo. A Net a Porter sugere esta semana que se use uma "conversation clutch" para o efeito. As clutches são dos acessórios em que invisto mais, mas como os meus gostos vão para o clássico/elegante e para os detalhes preciosos, posso dizer que só tenho duas ou três originais o suficiente para despertar a curiosidade de alguém: uma delas é em forma de um corpete de senhora...
Claro que é preciso ter em conta a formalidade do evento ao escolher um acessório invulgar: algumas são demasiado divertidas para ocasiões mais solenes e adequam-se a festas de amigos, concertos, lançamentos de livros ou produtos, saídas à noite...

                                                               

Esta De Manta (Alexander McQueen) em brocado é totalmente o meu género: a cor, o material... Além disso, é plus size. Todas as minhas clutch são médias, porque mesmo recorrendo ao truque "carteira maior com o resto da tralha escondida no carro" não consigo prescindir do telefone, bâton, pó de arroz, mini escova, toalhitas e por aí fora. Outra vantagem é que fica fabulosa num acontecimento formal, mas pode adaptar-se a um look boho ou hippie chic sem problemas.


                                                  
A Lunatic, de Charlotte Olympia, é uma clutch para visuais de estilo criativo mas creio que a versão  preta se pode adaptar a situações um bocadinho mais sérias. Há algo de Picasso nela e o tamanho também é simpático.

                                                          
      A Daphne, de Jason Wu, presta-se à tendência chinoiserie que regressou este ano e inclui um detalhe que vamos ver bastante por aí: as borlas orientais. Eis uma carteira que também é versátil. Fica lindamente numa toilette formal; mas com jeans escuros, um belo casaco de pêlo e saltos altos acrescenta um "quê" a um visual para depois do por-do-sol.  Olhar para ela recorda-me que tenho três exemplares de seda chinesa bordada que preciso urgentemente de voltar a usar (e que têm um tamanho mais prático).   


                                                                                             
   
Por fim esta Baboushka, de Charlotte Olympia, é o tipo de clutch que não compraria de propósito, mas não lhe torceria o nariz se viesse parar à minha mão. É fofinha, original, adequada a visuais casual chic ou mesmo informais (para quem consegue andar com pouca coisa durante o dia) e decerto, um óptimo conversation starter...




                                                       




















Os maus ângulos acontecem a todas


Muitas vezes uma pessoa tira retratos a pensar que está muito bem...e a sorte é que se fazem várias fotografias porque de dez, aproveitam-se duas ou três. Basta a posição errada, uma luz brincalhona, um ângulo menos bom ou um "desajuste" da lente para lançar o pânico (oh Meu Deus! Eu pareço assim?!) e as imagens para o caixote da reciclagem. Quem nunca teve esses momentos, que atire a primeira pedra. Fica-nos o consolo de ver que até grandes fotógrafas como Rose Hartman, que retratou algumas das mulheres mais bonitas e cheias de estilo do planeta ao longo de três décadas, conseguem captar ângulos menos favorecedores. Ninguém está livre de parecer pouco composta (a) mais rechonchuda (o) ou desengonçada (o)  do que realmente é, despenteada (o) ou menos bem enjorcada (o). Claro que quando se é a Kate Moss, com milhares de fotos lindíssimas, uma menos boa é uma gota de água no oceano. Still...

                    kate moss, CFDA awards, 1994.
                Braços e peito "esborrachados" acontecem até a ninfas peso pluma como Kate Moss, se a foto for tirada num ângulo demasiado fechado.
 linda evangelista, desfile da versace, 1992.
O rosto está fantástico...o resto aumentou visualmente.
                            jerry  hall, desfile da krizia, 1979.
                 Jerry Hall sempre foi esguia, mas aqui o busto parece descaído e o estômago não está como de costume. As fotografias enganam bastante, vale?

Os fala barato da internet


Há pouco um blogger que muito aprecio, o Dexter das Confissões de uma Mente Depravada, tirou-me as palavras da pena com um texto assaz lúcido. Tenho para mim que este é um país onde se resmorde muito. Para fazer alguma coisinha de jeito hesita-se, anda-se às voltas, ninguém se atreve. Mas para rosnar e opinar, lá está o português. E quando opina um português, opinam logo dois ou três. Pior ainda, quando um atira uma posta de pescada previamente demolhada em asneira, os outros imitam-no para não ficar atrás; era o que faltava não acrescentar qualquer coisinha à peixeirada geral. 
Mais do que reflectir, neste país bitaita-se
É espantosa a quantidade de gente que adora o som da própria voz: basta ter o azar de assistir a reuniões, assembleias ou "tertúlias" neste país para perceber isso. É um costume que aterroriza, por exemplo, os ingleses (povo com os seus defeitos, mas pragmático e direito ao assunto) que incautamente, venham para cá trabalhar. Uma reunião que supostamente, demoraria meia hora, por cá arrasta-se ad nauseam: há sempre um ou dois imbecis que decidem discursar interminavelmente, bater no ceguinho, dizer mais do mesmo, não acrescentar nada à assistência a não ser um tédio assassino. Vi estas personagens na faculdade (há sempre o chico esperto da turma que decide interromper a aula para massacrar o professor e os colegas com opiniões medíocres e cheias de pormenores) e sobretudo, vi-as enquanto jornalista, em intermináveis trabalhos noite dentro: verdadeiros testes à minha paciência, à sanidade dos meus neurónios, à capacidade do meu gravador e ao espaço do meu bloco de notas. Há sempre aqueles a quem apetece berrar, em modo Su Majestad "Porque não te calas?!" atirá-los para o chão e encher-lhes a boca de papel higiénico para estancar a verborreia ou silenciá-los de forma mais...permanente. 
                                              
Nem o frio, nem as cadeiras desconfortáveis, nem o sono, nem o jantar à espera eram capazes de fechar aquelas bocarras, verdadeiros depósitos de porcaria, nem de deter aqueles enxurros de cloaca, capazes de soltar por aí a cólera e a peste. Ainda por cima, a incapacidade para ser sucinto ou para estar calado nas excelentes oportunidades para isso é directamente proporcional à escassez de inteligência e de espírito. Quem muito fala pouco acerta, lá diz o povo. Ora, para pessoas assim, a internet foi uma bênção dos céus. Dizia o Dexter que é muito desagradável abrir os comentários dos jornais online: eu já nem os abro. Do palavrão gratuito à ofensa mais gratuita ainda, passando pela imbecilidade pura e simples sem esquecer os erros ortográficos, o catálogo da mediocridade, da estupidez, oferece de tudo. Depois há o Facebook
Jesus, o que esta gente chata e amarga tem constantemente de deitar cá para fora. A possibilidade de ter quem os ouça! De se queixar! De atirar aos olhos dos outros as suas opiniões sobre a política, sobre o futebol, sobre o estado do país, sobre gatinhos e cãezinhos e piadas sem graça. Oh, maravilha da tecnologia!  E se não houver nada para dizer, escarrapacha-se uma imagem com uma frase feita. É preciso falar. É preciso dizer alguma coisa...a ânsia de protagonismo é voraz, há que alimentá-la constantemente. Por fim, temos a blogosfera. Há quem se divirta a semear bitaites em blog alheio. E dirão vocês:  a Sissi não pode falar, tem um blog onde embirra sobre tudo o que lhe apetece. A diferença é que ao blog só vem quem quer e o dono do blog pode filtrar os comentários, poupando os seus frequentadores aos surtos de patetice do vaidoso mais próximo. E se os meus amigos e conhecidos no Facebook não quiserem aturar as minhas opiniões, é só não abrir os links que lá deixo para o Imperatriz e pronto. O que difere grandemente de ver, no mural e em detalhe, a palermice debitada várias vezes por dia. 
 No entanto há uma enorme vantagem na internet: se as redes sociais permitem a esta gente com ego inchadíssimo e pouco miolo desabafar à fartazana, talvez se calem um bocadinho na vida real. Ao menos estando em casa e ao quente, confortavelmente sentado ao computador, só lê quem tem paciência e não é preciso arranjar desculpas para sair à francesa...

O exemplo Rihanna: de trashy a chic

                                  gucci-viola-bow-boot-rihanna
Quer-me parecer que Miss Rihanna tem um stylist que merece uma condecoração e não conta nada a ninguém. Bem que eu já tinha estranhado, há uns mesinhos atrás, a forma chic como a menina se começou a apresentar desde a  Primavera passada. Manteve-se de acordo com o seu estilo irreverente, é certo, porém deu-lhe uma reviravolta clean: cabelo bem tratado, maquilhagem impecável, trapinhos criativos mas de bom corte -  enfim, baniu a poluição visual e (quase) tudo quanto era trashy no seu look. Sem tanta tralha em cima, a beleza da estrela pop fica muito mais evidente. No desfile Victoria´s Secret notou-se à légua que o vestido de inspiração victoriana Vivienne Westwood foi ajustado ao milímetro para ela (aqui vemos o poder da atenção ao detalhe e de uma boa costureira!) e convenhamos: já a vimos na rua com roupas bem mais reduzidas. As ligas à vista, a enorme abertura  e as botas Gucci vão lindamente com o tema do evento. Parecia uma cabeça-de-cartaz do Moulin Rouge! Só não gostei dos óculos e do penteado - o look era francamente bonito e essa tónica devia ser respeitada, sem mais assomos de rebeldia. Gostaria de saber de certeza quem é o profissional responsável por esta mudança ( fui procurar e tanto ouvi falar de Lysa Cooper, como da equipa Rob Zangardi and Mariel Haenn) mas uma coisa vos digo: é preciso alguém muito competente para conseguir um resultado destes. O que é que vos parece?


                                  manolo-blahnik-bb-pumps-rihannaRihanna-Jimmy-Choo-HeelsRihanna-Christian-Louboutin-heels rihanna-manolo-blahnik-heel-july-2012
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Friday, November 9, 2012

As coisas que eu aprendo ao blogar #1: arrasar corações sem esforço

               
Com o Imperatriz a crescer um bocadinho, constato - e é uma curiosa sensação -  que os meus desabafos, momentos criativos, raciocínios e devaneios chegam a muito mais pessoas do que há uns tempos atrás. Isso é giro (como não sou blogger de andar a contar a minha vida privada e a dos outros, não há nada de assustador na questão) e a partilha de informação com os amigos que me lêem permite-me aprender coisas que não me passavam pela cabeça ou comprovar coisas de que eu suspeitava, mas não tinha a certeza.
 Não falo só de quem tem a amabilidade de comentar aqui ou no Facebook, mas também de quem me contacta em privado a dar a sua opinião sobre este ou aquele texto (how cool is that?). Desta feita, o artigo sobre o trench coat da Penelope Cruz surpreendeu-me pelas reacções masculinas que provocou. A combinação gabardina ou casaco de laçada + qualquer coisa por baixo + pump ou stilettos é tão velha como os montes. Numa versão mais sofisticada (para a noite ou eventos) ou casual (para uma reunião de trabalho) uso-a incontáveis vezes. É o mais prático, à prova de chuva, vento e  mais coisas chatas e fica elegante sem canseiras- desde que o casaco e o resto sejam de qualidade, vá. Depois, sejamos francas: um bom trench coat combina praticamente com tudo. O que eu não me dava conta, ou pelo menos não considerava importante, é como esse coordenado desperta a imaginação masculina. Então não é que os marotos, onde uma pessoa na sua candura só vê um conjunto giro, desatam a pensar " oh la la, o que terá por baixo, se é que tem alguma coisa?". 
 Realmente, a criatividade do sexo forte não tem limites e comprova-se a velha teoria "eles só querem ver o que está coberto". Bem que o meu irmão me avisa. Temos intermináveis discussões do género "não percebo que graça acham a revistas como a Maxim: as fotografias são bonitas, mas só se vê o mesmo que se vê na praia" ao que ele responde invariavelmente "nãaaaaaaaaaaaaaaaaao, o contexto é inteiramente outro. Não te passa pela cabeça as malandrices que eles são capazes de imaginar por uma coisa de nada". Dou a mão à palmatória!

Por isso, tiro daqui duas práticas e sensatas (pelo menos eu acho) conclusões:

a) Para não atrair atenção indesejada, o melhor é as meninas abrirem um pouco a gabardina quando andarem por aí minding your own business, vulgo "sim, tenho uma toilette com estilo mas há mais roupa dentro do casaco. Não queriam mais nada?"

b) O efeito ingenuamente fatal desse coordenado pode ser capitalizado quando se facto se deseja obter atenção. Por isso, mais uma vez se comprova que para impressionar a vossa companhia num encontro, menos é mais. Não há necessidade de parecer vulgar nem de horas intermináveis a ensaiar fatiotas. Não mostrem pele: mantenham é o casaco fechado durante a primeira meia hora pelo menos, de modo que o vestido, ou a saia e o top, estejam escondidos. O look ideal é mais ou menos assim:

Toilette fatal em 5 minutos



Obrigada pela dupla informação, cavalheiros!



Thursday, November 8, 2012

O dilema das bolachas

                                    
Ou uma pessoa consome um pacote de uma assentada (o que não é muito saudável) ou a não ser que viva numa casa povoada de apreciadores que ajudem, sujeita-se a dali a dois ou três dias, ter um pacote quase cheio de  bolachas molengonas que não prestam para nada. Felizmente o meu apetite por esta guloseima surge raramente - e o Mc Donald´s já voltou a fazer a sua cookie XXL, que é assim uma bolacha que vale por três. Ou um shot de bolachas, conforme a perspectiva de cada um. Se alguém algum dos meus amigos desse lado com dotes cósmicos e fenomenais de organização doméstica conhecer um super método para conservar as malvadas estaladiças por mais tempo, partilhe que nós, consumidores-ocasionais-que-não-enfardam-o-pacote-todo-de-uma-vez, agradecemos.

Três tipos de homem realmente chatos

Foge enquanto podes, sua idiota!      
Não querendo cair no estereótipo " blog de meninas onde se dá no toutiço ao sexo oposto" a verdade é que quem trabalha na área da comunicação tropeça em todo o tipo de gente. Se isso tem as suas desvantagens, por outro lado fornece abundante material para reflexões e para o traçar de tipos, literariamente falando (salvo seja...).  Adicionando a essas "investigações involuntárias" a minha experiência pessoal e relatos de amigas, apurei, em traços largos, três tipos de bicho homem particularmente chatos. Uns aparecem na vida das pessoas como namorados (o que se pode considerar um incidente desagradável) outros são contactos profissionais ou de outra ordem que rapidamente se transformam numa dor de cabeça. Ora vamos lá:

                                                 O Taradão
É a pior raça de mulherengo reles. O género de pessoa (patrão, colega, contacto profissional, conhecido) com quem uma mulher não pode ter uma conversa perfeitamente inocente sem que leve tudo para a maldade. Ao menor pretexto, aproveita para fazer insinuações, elogios desagradáveis ou desrespeitosos - mas sempre a despropósito -  para fazer perguntas intrometidas e para contar detalhes da sua própria intimidade, como se alguém estivesse interessado em saber ou lhe tivesse dado confiança para isso. É perito em trocadilhos embaraçosos e adora constranger as senhoras presentes. Por vezes, até os homens que estão por perto ficam envergonhados com as suas conversas. Anda sempre com uma Playboy ou coisa pior à mão e a conversa resvala inevitavelmente para o mesmo. Por mais que se tenha uma mente aberta, uma atitude "deixa-o falar que esse é doido", que se apreciem outras qualidades da pessoa em causa (inteligência, cultura) ou que uma relação cordial com a criatura pudesse ser útil do ponto de vista profissional, torna-se impossível conviver com gente assim. E num relacionamento, perguntam vocês, como age este tipo? Respondo eu: a sério, há alguém que se aventure numa relação com um ser destes?

                                                 O Pinga Amores

O Pinga Amores não é necessariamente um mulherengo, mas o tipo que vê uma potencial namorada em toda a parte. Ou que junta o útil ao agradável, conforme. Este permanente "mood for love" pode dar jeito quando se está disponível, interessada ou para aí virada, mas é uma chatice das grandes quando esse não é o caso. Um Pinga Amores não consegue desenvolver uma amizade casual com uma mulher que considere gira sem começar logo a imaginar cenários de namoro. Não percebe que por vezes, homens e mulheres podem partilhar interesses sem outras intenções. Se ela é bonita e ainda por cima  culta julga que lhe saiu a sorte grande, mesmo que a "presa" não emita os menores sinais de flirt. Pior ainda é quando aproveita reuniões de trabalho ou negócios para flirtar, e prossegue na mesma noite com o envio de SMS amorosas, como se tivesse estado num encontro romântico. O Pinga Amores é o pior tipo de contacto profissional - assim que percebe que a outra parte só está interessada em negócios, desaparece para nunca mais ser visto. Também é muito complicado manter uma amizade com pessoas assim - quando rejeitadas, podem tornar-se vingativas. No fundo, o Pinga Amores sofre do mesmo problema do Taradão, embora numa escala mais soft e menos maldosa: objectifica todas as mulheres que correspondam aos seus gostos e idealiza-as a seu bel prazer. Está-se borrifando para a atracção mútua, quer a sua vontade e pronto. Quando o Pinga Amores aparece como potencial namorado, é um pouco diferente: à superfície, tudo parece perfeito. É atencioso, romântico, tudo o que uma mulher pediu a Deus. O problema é que na sua ânsia de ter a namorada ideal, salta todas as etapas do envolvimento amoroso e torna-se sufocante num ápice. No fundo, não está interessado em conhecer aquela mulher pelo que ela é, e sim em conquistar a mulher que imaginou lá na sua cabeça...

                                          O Indeciso
 Este é um tipo que se detecta mais facilmente nas relações amorosas do que noutras coisas, embora seja um aborrecimento trabalhar com uma pessoa assim. O Indeciso toma várias formas (o pretendente que não se declara, o namorado "empata" que mantém a namorada em suspenso indefinidamente até dar o passo seguinte, etc) e na génese do seu comportamento pode estar a imaturidade pura e dura ou coisa pior - um complexo de Homem Tofu ou Homem Cenoura, por exemplo. Em todos os casos, sofre de uma terrível falta de personalidade. Corresponde ao estereótipo muito retratado nos livros de auto ajuda feminina, que marca e desmarca encontros, não telefona quando está combinado ligar e por aí fora. Não se explica, não se descose, um dia quer, outro dia não quer, ora está completamente apaixonado ou tem dúvidas, ora confia ora desconfia enfim, não vai lá nem faz nada. Parece encantador e inofensivo, mas é uma verdadeira praga e por vezes nem com um pontapé no traseiro acorda para a realidade. É que como ele não sabe o que quer e tem não sei quantas palavras, julga que toda a gente é assim; ou seja, um "nunca mais me apareças" não tem grande validade para ele. Em suma: aos primeiros sinais de indecisão, há que pôr os pontos nos ii ou partir para outra, sob pena de entrar num novelo, ou numa never ending story que se arrasta ad nauseam, sem uma conclusão de jeito.





Wednesday, November 7, 2012

Eu embirro com..."equipas jovens e dinâmicas"

Quando penso em "equipa jovem e dinâmica" é isto que me vem à cabeça.
Este assunto tem vindo à baila aqui no Imperatriz, a propósito dos disparates que vejo nos anúncios de emprego portugueses (impossível não reparar neles, com tanta gente a falar da mesma coisa...). Ora, uma tolice que aparece em nove de cada dez anúncios é "integração em equipa jovem e dinâmica". A "equipa jovem e dinâmica" é assim uma coisa como o Bá, os gambuzinos e o défice: anda de noite, ameaça vagamente, toda a gente fala nela mas ninguém sabe o que é. A "equipa jovem e dinâmica" serve para tudo: para estágios não remunerados (nem ajudas de custo pagamos, era o que faltava, também não pagámos aos outros 100 estagiários que cá andaram, porque havíamos de gastar dinheiro com caras novas? Mas reparem: oferecemos integração em equipa jovem e dinâmica para empresas que ainda não têm reputação e logo, não sabem muito bem o que fazem, mas a quem dá jeito trabalho à borlix disfarçado de parceria (nesta fase não podemos pagar um chavo a ninguém/ trabalha-se à comissão sem ordenado base mas oferecemos integração em equipa jovem e dinâmica) ou para tornar apelativo um anúncio para um emprego que de apelativo não tem nada, estilo:

Chefe:  Mariana, preciso que me escreva um anúncio giro, assim moderno, para contratarmos alguém.
Secretária: E o que devo colocar no anúncio?
Chefe: Exige-se diploma do Chapitô, prémio Nobel, viatura própria, paciência de santo, etc, etc...
Secretária: E na parte "oferece-se" o que é que eu escrevo?
Chefe: Eu sei lá! Invente! Faça isso giro, ouviu?
Secretária: * em surdina* mas o que é que eu hei-de gabar neste buraco? As instalações são uma treta, o ordenado é uma porcaria, o trabalho é repetitivo, os colegas andam sempre à batatada. Olhe, dane-se. Vou fazer copy/ paste dos outros que para aqui andam. 


Newsflash, minha gente: "equipa jovem e dinâmica" (sem mais nada, pelo menos) não é atraente. Soa a patranha e a falta de imaginação, no mínimo. Para já, porque embora nem toda a gente seja talhada para trabalhar num lar de terceira idade, por outro lado nem toda a gente é obcecada com a juventude - concorre-se para evoluir numa carreira, não para entrar nos Morangos com Açúcar. "Equipa jovem e dinâmica" dá a impressão de um grupo de maçaricos e estagiários sempre a entrar e a sair, ou de uma empresa que não tem solidez, nome, experiência ou boas condições para oferecer a ninguém. Onde estão as pessoas "da casa" e os comandantes do barco? Não há continuidade na empresa? Despedem as pessoas quando chegam a certa idade para que a equipa continue a ser jovem? Hein? Depois,  "equipa jovem e dinâmica" não me diz nada. Pode ser-se dinâmico e só fazer asneiras. Por outro lado, qualquer equipa de trabalho é suposto ter dinamismo, olha a grande avaria. Original, original (e mais honesto, se calhar...)  era dizer "integração numa equipa de valentes preguiçosos". E afinal, o que vem a ser uma  "equipa jovem e dinâmica"?  Uma equipa de hiperactivos a saltitar com sorrisos parvos, a correr de um lado para o outro sem motivo e a fazer corridas com as cadeiras do escritório? Uma empresa que só contrata gandas malucos de boné ao contrário e calças a chegar ao chão? Ou isso é uma ameaça a dizer "aqui trabalha-se debaixo de um stress doido e quem se queixar por não receber horas extraordinárias não é jovem nem dinâmico"? Nenhum dos cenários me parece bem. Uma coisa é certa, se alguma vez colocar um anúncio para contratar pessoas a última coisa que quero é uma equipa jovem e dinâmica. Se há coisa que me dá náusea são as frases feitas...


O visual "nhé" de Halle Berry: como evitar?

                                                jimmy-choo-lnace-sandal-halle-berry
Na estreia do filme "Cloud Atlas" em Berlim, Halle Berry conseguiu quebrar a velha máxima "uma experiência repetida sob as mesmas condições leva inevitavelmente ao mesmo resultado". Uma pessoa ouve falar em Halle Berry (que tem um dos corpos mais perfeitos deste mundo de Deus) Jimmy Choo e Helmut Lang e pensa que só pode sair dali algo de mágico, certo? Errado. O look está uma confusão ou seja, é um visual nhé. Ora vejamos porquê:

- O decote não é carne nem é peixe - não mostra o ombro, não revela a clavícula da melhor maneira, não favorece o pescoço nem o busto: estas fantasias foram criadas para figuras de bailarina, estilo Audrey Hepburn. Só peitos pequenos as conseguem suportar com alguma beleza.

  - Não me canso de o dizer: mulheres com figuras de ampulheta, e mulheres com curvas em geral, sejam mais magras ou mais roliças, não ganham nada (de bom) com vestidos de lycra, ou tecido que o valha. Brilham, marcam todas as `redondezas´ e depressões, achatam onde não devem, criam volume onde ele não existe, não assentam no lugar: a curva do busto desapareceu, criou uma "gordurinha" na axila e como está demasiado justo na zona do joelho, faz parecer que Halle tem as pernas tortas e sem forma. 

 - Para quem tem pernas torneadas, as bainhas devem sempre ser bem definidas e não agarrar à pele. Ou seja, é melhor que o comprimento da saia (mini, midi ou assimétrica) seja  cerca de um palmo acima ou abaixo do joelho, para evitar efeitos estranhos nessa zona. A abertura lateral devia começar junto à coxa (mesmo que o corte fosse "fingido" na zona superior) para que a costura alongasse visualmente a silhueta.

- Os drapeados são bons para criar curvas em mulheres rectilíneas. Uma mulher que já tenha curvas pode usá-los com graça, mas o tecido tem de ser consistente. Neste caso, como o material é escorregadio, só funciona mesmo num corpo onde possa cair a direito; havendo volumes, distribui-se como pode, fica sem forma e "engorda".

- As sandálias Lance são muito bonitas, mas funcionariam melhor numa toilette onde a sua única função fosse acrescentar alguns centímetros: num vestido longo e vaporoso ou com saia de balão a 3/4, por exemplo. Como não dão qualquer elevação à planta do pé, obrigam a figura a projectar-se para a frente. E uma vez que o vestido já não permite grande liberdade de movimentos e marca tudo, a actriz parece muito desconfortável. Com vestidos difíceis como este, uma sandália estável que dê altura a toda a superfície do pé e o deixe o mais nu possível é a melhor opção. Algo mais ou menos assim:

                                              

"Hás-de pagá-las, nem que leve 50 anos"!

Ficheiro:William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) - The Remorse of Orestes (1862).jpg
William-Adolphe BouguereauO remorso de Orestes (1862
                                       

Já vos contei que passei ao lado de uma brilhante carreira 
como investigadora/profiler do FBI (a não ser que venham cá a casa raptar-me para me transformar numa Clarice Starling da vida...acontecem-me coisas tão extraordinárias que essa não seria a primeira, e vamos sempre a tempo de mudar de emprego; se sucedesse tal coisa, estão a imaginar como ficaria este blog?). Mas o bichinho, o instinto e a tradição de família para as "questões de armas" estão cá e volta e meia, dou por mim a ler sobre o tema, ou a deliciar-me com programas sobre o assunto. Por estes dias vi precisamente um que me fez lembrar um texto recente aqui do blog sobre justiça e vingança. 
   Numa noite fatídica em 1957, o jovem Gerald Mason entrou numa espiral de violência: atacou dois casais de namorados, agrediu-os, assaltou-os, cometeu uma violação e
 levou-lhes o carro. Na fuga, passou um semáforo e foi mandado parar por dois agentes, que não sonhavam que o veículo era roubado. Para não ser preso, baleeou-os sem pensar duas vezes. Um morreu instantaneamente; o outro teve sangue frio e pontaria para disparar três tiros certeiros contra o fugitivo antes de dar o último suspiro. Ambos os polícias (de 24 e 28 anos) deixaram mulher e filhos pequenos. Apesar do empenho das autoridades, que reuniram pistas importantes, os recursos da época não permitiram apanhar o criminoso. Mas nunca desistiram e numa reviravolta que supera os guiões da série Cold Case (´Casos Arquivados´) por uma mera coincidência, o crime foi esclarecido. Analisando com modernas tecnologias as impressões digitais retiradas do carro nos anos 50, as balas e outras provas forenses, os investigadores actuais chegaram a um respeitável avô de família e cidadão modelo, Gerald F. Mason. Confrontado com as evidências, Gerald declarou-se culpado e foi condenado a prisão perpétua em 2003.

                                                           
E qual foi a prova final para a sua condenação? A cicatriz da bala disparada pelo agente moribundo, Richard Phillips. Por acaso, Phillips era um dos melhores atiradores do seu departamento, e conseguiu marcar o assassino para o acusar publicamente do além túmulo. Foi como se o criminoso andasse perseguido, durante quase cinco décadas por um espírito vingador.  Ou seja, justiça poética...

O agente Richard Phillips disparou três balas certeiras antes de morrer.
E porque é que o caso me chamou a atenção? Pela lição que encerra.  Gerald Mason viveu 45 anos em liberdade,  comeu, bebeu, constituiu família, andou por aí todo contente. Mas como na Mitologia Grega, as Fúrias  não o deixaram em paz. As Erínias são Deusas Justas e nunca deixam de concretizar a maldição dos inocentes que as invocam. Eventualmente demoram mas nunca dormem, nunca se calam, nunca descansam e nunca desistem. Ainda por cima exercem o seu ofício com certos requintes de malvadez - que podem confundir quem espera por justiça e deixar os criminosos aparentemente descansados. Por vezes, gostam de desempenhar o seu trabalho quando o assunto parece encerrado, quando tudo indica que o culpado se safou à grande, surpreendendo todos os envolvidos. Ou como eu costumo dizer "o Diabo pode levar o seu tempo, mas apresenta a conta pelos seus serviços quando menos se espera".                                                  



Crónica Activa desta semana


Já online, para ver aqui.






Tuesday, November 6, 2012

S.O.S e-mail avariado

Já há dias que andava a notar o meu e-mail muito calado. Entretanto, várias pessoas vieram confirmar que não estavam a conseguir enviar mensagens para contas de hotmail.
 Avisaram-me, reenviaram, e nada. Nem quero imaginar as mensagens que posso ter perdido entretanto. Por isso, se alguém ficou sem resposta, as minhas desculpas. Não gosto de andar com caixas e caixinhas de e-mail, até porque o Gmail é uma chatice por estar associado a outra conta, mas paciência. 
Por isso, caso precisem de me contactar, peço a gentileza de o fazerem via facebook, caixa de comentários ou para imperatrixsissi@gmail.com






Agarrem esse casaco! O look de Penelope Cruz em Roma.



Penelope Cruz apresentou-se na photocall do filme "Venuto al Mondo", em Roma, com um belo trench coat de couro Versace, acompanhado de uns pumps `Eros´ de Jimmy Choo. Eis um look muito simples, edgy chic, e  que dá um aspecto realmente fabuloso sem esforço. O styling também é do mais fácil de conseguir em casa: até está um nadinha despenteada, mas como o traje é tão clean, consegue mesmo assim ter um ar sofisticado.
Apenas um reparo: por vezes os casacos assertoados como este - ou seja, com botões que cruzam - não são pensados para quem tem um busto volumoso, como é o caso da bonita espanhola. Para que não fique demasiado apertado no peito, roubando "espaço" e tecido que devia deixar a cintura à vontade, nem dê a ilusão de aumentar a zona do abdómen, o melhor é experimentar vários tamanhos.  Em certos casos, é boa ideia escolher um número maior, que se mande apertar bastante nos ombros e na cintura, numa casa de peles ou costureira que trabalhe com máquinas apropriadas. Ou isso ou optar por um modelo parecido e com cinto mas de corte a direito, que favorece a maioria das silhuetas.

Sensação realmente estranha...


                                 
...é acordar com uma frase, expressão ou palavra na cabeça que não nos larga, e que não faz sentido nenhum. Não se pensou nela, não apareceu em nenhum filme que tivéssemos visto, ninguém falou nisso e que nos lembre, nem sonhámos com tal coisa, mas lá anda ela a ecoar-nos na mente. Acontece-me bastante e nunca percebi a utilidade desse estranho reflexo. Hoje foi esta:

Serendipity: means a "happy accident" or "pleasant surprise"; specifically, the accident of finding something good or useful while not specifically searching for it.

O mais esquisito é que se utilizei este termo, foi uma ou duas vezes na minha vida. É considerada uma das palavras mais difíceis de traduzir do inglês e mesmo na língua de Shakespeare, o seu uso é relativamente raro. "Feliz acaso" seria a forma mais aproximada de dizer o mesmo- uma coincidência benéfica que leva à descoberta de algo importante. Valha-nos isso: já que vou buscar palavrões do nada, ao menos que sejam palavrões auspiciosos...

Monday, November 5, 2012

Coisas que me deixam chateada que nem um perú





- Pessoas que amuam. É que fui criada com uma tabuleta a dizer "amuos não são permitidos nesta casa" e nunca aprendi a usar essa estratégia ou a simpatizar com quem a emprega. Simplesmente detestável. 

- Surgir um convite súbito para algo a que adorava assistir, tentar desmarcar os afazeres já combinados, estar quase, quase...mas depois não ser possível e ter de me resignar. Dana-me pela desilusão e porque não gosto nada de andar para trás e para a frente com marcações e desmarcações. Fico stressada e triste como o Senhor Prior!

- Pessoas que querem sol na eira, chuva no nabal e acham que podem servir a dois senhores. Reality check: só porque vos dava jeito que assim fosse, não quer dizer que assim seja. Esperam que lhes tolerem e desculpem comportamentos totalmente estrambólicos e opções incompatíveis e ainda acham isso muito natural. Portam-se mal, mas esperam medalhas de virtude. É como se achassem que podem ser do Benfica e do Sporting ao mesmo tempo, e durante o mesmo desafio de futebol; querer ser magros, tipo peso pluma, mas encherem-se de bolos com creme, farturas e bolachas a todas as refeições; beberem que nem cachos e não andar aos zigue zagues. Gente assim contraria todas as leis da física e da lógica e simplesmente não tenho capacidade nem pachorra para lidar com isso.




O encanto da "barriguinha de cerveja"


                              
Este texto, alegadamente escrito por uma sexóloga brasileira, tem andado a correr as redes sociais e já é a segunda pessoa das minhas relações que me chama a atenção para ele. Desta feita, um amigo incentivou-me a dizer algo da minha justiça sobre o assunto para a realidade portuguesa. Conta ele que testou a veracidade desta teoria em primeira mão. "Desde que comecei a ganhar peso e barriga comecei a ter mais solicitações e a ganhar confiança em mim mesmo e, estranhamente, ao assumir isso e a dizer que não me importava com a figura, que o que conta é a personalidade, deixo as outras pessoas e as suas inseguranças mais à vontade...Estou farto da apologia dos corpos perfeitos e esbeltos". Passe a generalização e um certo exagero, alguns aspectos citados na crónica vão ao encontro de algumas ideias que tenho defendido aqui e ali  no Imperatriz, como por exemplo, a aversão aos " malditos metrossexuais" e a necessidade do regresso ao homem despachado, desempenado, com atitudes varonis. Dizia eu, recentemente:

O ideal está algures no meio: sem exageros, nem desleixos. Embora as revistas mostrem uma imagem retocada do homem perfeito, a maioria das mulheres ia perder a paciência se tivesse de suportar um tipo obcecado com a sua aparência, mais preocupado com as medidas do que em “cumprir os seus deveres”, se me faço entender. O lugar dos personal trainers é no ginásio, não em casa.  Uma das coisas fascinantes a vosso respeito é a rapidez com que se arranjam para sair. Estilo “ soou o alarme e aqui estou pronto para lutar”
 Um cavalheiro está sempre pronto. 


Cada mulher tem o seu tipo, mais coisa menos coisa. Se me perguntarem eu citarei inevitavelmente um homem que se pareça com isso mesmo. Ocorrem-me  um jovem Gerard Depardieu, Charles Mesure, Sébastien Chabal, Brendan Fraser, Liam Neeson - grandalhões com charme e um certo ar de gladiadores ou jogadores de rugby, mas sem músculos de ginásio. E também Hans Matheson, Aaron Eckhart, Vincent Cassel - não necessariamente super homens, mas todos eles senhores de carisma e galhardia, elegantes sem excessivas preocupações com a imagem. A barriga é meramente simbólica; não é a barriguinha - que em alguns cavalheiros, tem um certo encanto - ou o abdómen mais ou menos liso e definido que fazem um homem. Está tudo numa atitude máscula, à vontade: nem um Nero decadente, nem um Narciso deprimente. Escrevi também:



Estão a imaginar um D.Afonso Henriques, um Leónidas de Esparta,  um Alexandre, o Grande, ralado com o penteado no meio da escaramuça?
Preocupado se tinha um perímetro abdominal assim ou assado?

Se a depilação estava em dia?

Sim, eles tinham músculos trabalhados. De andar à espadeirada, e do treino que era preciso para caçar e andar ao ar livre à espadeirada. Aquelas coisas à homem que são sexy, topam?


Ou seja, não é tanto a barriga ou os abdominais, mas a sua origem e o que se faz com isso. As mulheres querem homens descontraídos, que as façam sentir-se protegidas e à vontade. Que lhes digam que estão lindas e sejam despistados para os pormenores que só elas vêem. A maioria é tão preocupada com o seu aspecto que a última coisa que deseja é um "inspector das medidas" a vigiar-lhe a dieta e cada curva do corpo com frieza cirúrgica.  Como é óbvio, um senhor que goste de se mexer dificilmente terá barriga. Não é isso que fará dele um vaidoso. O rapaz que se fecha todo o dia no ginásio a burilar-se à lupa, que mede os músculos, que diz " não me toques que me despenteias" esse é realmente de fugir. Conheço o género e entre esse e o barrigudinho giro, venha o segundo. Homem que é homem gosta de comer e beber, de se divertir, de apreciar uma mulher no seu todo. E acima de tudo pode gostar de mulheres bonitas, mas não quer uma mulher troféu. 

Sunday, November 4, 2012

A "Sopeira"

Já abordei aqui o namoro dos meus avós. Foi uma história cheia de peripécias e a avó gostava de a contar às netas e sobrinhas como só ela sabia, imitando os gestos e as frases, o que nos divertia imenso. Mal sabia o avô como nos ríamos das suas tonterias de juventude quando ele não estava...
 O meu avó, como vos descrevi, era o rapazola mais cobiçado das redondezas. Além de ser um belo moço, com ar e cabelo à James Dean, era considerado um bom partido e tinha um charme irresistível. Mas assim que conheceu a minha avó, que era lindíssima, não teve coração para mais nenhuma. Toda a gente os considerava o casal perfeito e o namoro ia de vento em popa. O pior é que o avozinho era um homem do seu tempo, e assaz namoradeiro: achava perfeitamente comum ter uma menina delicada e de bom trato como sua noiva, e ir-se divertindo como lhe apetecia com as raparigas desmioladas que tentavam a sua sorte. Para piorar tudo, o pai da noiva não estava para brincadeiras: filhas dele só assistiam a festas e bailes muito escolhidos, e sempre com pau-de-cabeleira. De modo que além dos dias de namoro tradicionalmente permitidos (Quartas-feiras e com sorte, Sábados; nunca percebi porquê mas lá que lhes apressava a vontade de casar, isso apressava) só podia passear ou dançar com a namorada muito de longe em longe, o que lhe deixava muito tempo livre. A ociosidade é oficina do Diabo e como rapaz, ele não deixava de ir às festas e bailaricos, que eram "a noite" daquele tempo. Ainda por cima, uma vez que na época não se dançava sem par, o avô convidava esta e aquela. Tudo se sabia e a avó andava furiosa.
 - Mas que mal tem isso? - dizia-lhe ele com toda a sua retórica e meiguice. - Eu sou novo; você não pode acompanhar-me. Vou com os meus amigos e primos, mas não se passa nada...é natural que eu dance! Não a vou enganar por causa disso. É de si que eu gosto!
E ela, coitada, não tinha como contrariar esse argumento, por mais que lhe custasse. 
Porém, a certa altura, começou a saber que o namorado, apesar das suas juras e protestos de amor eterno, andava muito entretido com uma certa doidivanas. Uma rapariga um tanto saloia e pateta, muito vivaça, barulhenta, atiradiça e tão atrevida que lhe chamavam a Sopeira. Era em tudo o oposto da minha avó e nenhum rapaz de brio pensava nela a sério. Mas como estava pelos actos e as formas rechonchudas eram moda, o meu avô, como outros, achava-lhe certa piada. Para ele era tudo brincadeira, mas ela viu ali uma boa oportunidade e tratava de o engraxar ao máximo, a ver se o comprometia- com a ajuda da família ambiciosa, que não tinha vergonha de "empurrar" as filhas descaradamente se isso significasse um casamento jeitoso. 
 Quem não esteve para graças foi a noiva. Pensou "ná! aqui há gato!" chamou-o e disse-lhe das boas.
E ele, com a calma do costume, contou-lhe as costumeiras lérias:
- Eu? Só a vejo quando o rei faz anos. É só uma rapariga divertida. Não quero nada com ela! Eu lá podia ter alguma coisa de sério com aquela parola! É só para ir para os bailes! É por si que eu estou apaixonado!
Mas ela não acreditou, claro. Mandou-o ir namorar com a Sopeira, já que gostava tanto dela, e que não lhe aparecesse à frente, senão chamava o pai para lhe dar um correctivo, etc.
Ele meteu a viola no saco e lá foi à sua vida, muito desgostoso. Para piorar os males, os pais dele ficaram zangadíssimos, ao ver que - agora que estava solteiro - se fazia acompanhar da tal Sopeira, a ver se curava o coração partido. Tudo eram pândegas e folias. Tal casório - Deus nos livrasse! - seria uma vergonha das grandes. Esperta, a minha bisavó pôs-se em campo e proibiu o filho de parar por lá, não fosse a mãe da outra 
deitar-lhe algum filtro na comida, ou pior, arranjar um estratagema que o obrigasse a casar. Não foi preciso: o avó não era parvo e vendo tanta amabilidade, tanta lisonja, tanta peçonha e mel, tantas liberdades e facilidades, lá percebeu a marosca e fugiu dos encantos voluptuosos da moçoila como o Diabo da Cruz. Depois foi andar dois anos, feito um pobre diabo, a reconquistar a minha avozinha com muita serenata, muita choradeira, diplomacia, cartinhas, pancadaria russa nos rivais e súplicas de parentes. Ainda bem que conseguiu, ou eu não estava aqui a contar isto. Mas essa é outra história.





Facto embaraçoso: telemóvel

                         
Ao percorrer a minha lista telefónica, cheguei à brilhante conclusão de que tenho para ali imensos contactos que não faço a mais pálida ideia de quem são. Por vezes, em circunstâncias profissionais ou noutros afazeres (pessoas que fazem, vendem ou entregam isto e aquilo) troco números com gente que não volto a encontrar. Noutras ocasiões, registo o número com um nome que não associo facilmente à cara ou ocupação do dono. De modo que tenho de perder umas horas na desagradável tarefa de fazer montes de telefonemas embaraçosos do estilo:

" - Bom dia, daqui fala a Sissi. Estou a ligar porque tenho este número no meu telefone mas não estou a associar...estou a falar com quem?

- Sissi!! Daqui fala a Capitolina Andrioleta...está boa? Há quanto tempo!

- Capitolina quem? Ehrr...olá. é que não estou a ver.

- Conhecemo-nos no evento X...organizado pela Maria Cachucha.

- Maria Cachucha? Não me recordo bem...*glups*

ou pior um pouco, 

" - Bom dia, daqui fala a Sissi. Estou a ligar porque tenho este número no meu telefone mas não estou a associar...estou a falar com quem?

- Sissi? Não estou a ver quem seja.

- Pois, eu também não sei com quem tenho a honra de falar. 

- Ihihih...também me  acontece...

Percebem a ideia? É isto e o Facebook, a precisar de uma limpeza à prova de "coleccionadores de cromos" que adicionam todo o bicho careta e para ali ficam...



Arrrgh


Trent Reznor

Há um número (felizmente reduzido) de pessoas, situações e assuntos que me fazem enxaqueca. Debate-se o tema uma e outra vez e dali a nada está-se na mesma. Odeio repisar. Só gosto de falar uma vez. Detesto repetir argumentos. Enerva-me, tira-me o fôlego, dispara-me a adrenalina, o cérebro parece que anda aos saltos nos seus aposentos, o coração pesa-me e o estômago aperta-se-me de tal maneira que nem água me apetece beber. Felizmente estas são situações muito raras, muito específicas e têm "surtos" de curta duração. Se houvesse muitas coisas capazes de me arreliar a este ponto, havia de ser bonito.

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