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Saturday, December 8, 2012

Brilhantes comentários da semana#3 : dos que nos fazem adorar ser bloggers, e um excepcional grito de bom senso

                              
Esta semana - especial, pois passámos a fronteira  dos 400 seguidores - foi fértil em comentários amorosos e brilhantes (gratitude, my fine friends!). É uma alegria ter um blog tão bem frequentado, por pessoas gentis, sensatas, de gosto e de espírito! Entre os recadinhos que me iluminaram os olhos, destaco três. Dois deles, porque são comentários assim que nos fazem ter vontade de escrever todos os dias. 


"Adorei este post, fez-me retroceder no tempo com umas boas gargalhadas que fez chamar a atenção do meu filho...e eu a pensar que só eu sofri desse mal do blheeeeeec, obrigada são estes posts que me fazem correr para o PC sempre que tenho um bocadinho de tempo livre, obrigada;)"

A amiga felicidade-35, 

                            a propósito do texto da nata.


É bom ver que um post tão espontâneo como esse, sobre um horror incontrolável e ainda mais espontâneo (não consigo evitar o pânico à pavorosa nata) encontrou almas irmãs. E fico felicíssima por saber que o Imperatriz provoca em quem o lê a mesma reacção que os blogs que adoro visitar me trazem: um bocadinho de riso em privado, que faz as pessoas cá em casa perguntar " mas o que é que estás aí a ler?" e vontade de passar por lá todos os dias. Obrigada, Felicidade-35!


Embora adepta recente, esta é casa para visitar (e perder-se alegremente a ler posts encadeados um bom bocado). Parabéns pelo blog e por cumprires exactamente o cabecalho :) 
Beijinhos


Pusinko, do blog homónimo.

É fantástico saber que o Imperatriz está a fazer justiça à sua "missão" e que a sua forma de estar agrada a quem o lê. Há que manter o estatuto definido no "regimento" do salão: um pouco atacado pelo pó dos tempos -  com uma patine e um verdete que não pretendemos limpar, porque é isso que confere encanto ao ambiente - sem luxos exagerados nem vénias Acacianas mas com a amenidade, sprezzatura e subtileza que convêm a pessoas de bem. 

E por fim uma reflexão carregada de sensatez do estimado Paulo Abreu e Lima, do excelente blog Assim na Terra como no Céu, que foi muito bem vinda. Deu-me que pensar durante longos minutos e iluminou áreas cinzentas na minha visão das coisas no que respeita à pouco nobre arte de fazer de polícia.


Gostei especialmente da bolinha de mercúrio... Num mundo perfeito e, principalmente, escrupuloso, as coisas seriam assim. Mas mesmo nesse, há pessoas tragicamente assediadas, alvos de ardis extremamente complexos e muito bem montados. Aí, apela-se à compreensão da cara metade e, quantas vezes, ao seu arcaboiço. Muitas vezes é muito difícil ser parceiro de certas pessoas. E não por elas, mas pelos outros. De qualquer forma, excelente reflexão, Imperatriz :)

Apesar da minha tese da independência mental sagrada e do dever de cada elemento do casal zelar por si próprio, é impossível não concordar. Em certos ambientes - e só quem nunca os viu de perto pode ser ingénuo  a pontos de afirmar o contrário - os ardis, as artimanhas e o assédio são de tal ordem que de facto, se exige o dobro da resistência, da lucidez, da compreensão e da coragem. Há relações ou parceiros que não são para toda a gente. Exigem uma frente sólida, uma confiança férrea, um verdadeiro trabalho de equipa e uma grande prática para limar as arestas e distinguir o culpado da vítima. É bom recordar isso - porque num ambiente só comparável ao enredo das Ligações Perigosas de Laclos nem tudo o que parece é, e vice versa. De novo, haja sprezzatura, olho vivo, pé ligeiro e coração de leão. E coloque-se o pequeno universo que duas pessoas criaram acima de toda a água turva. Muito obrigada, Paulo!


Preciso de um clone, se faz favor!

                          
Porque hoje o corre corre vai ser tanto que não sei como me vou dividir. Wish me luck, beautiful people.

Friday, December 7, 2012

Reminder de passatempo: últimos 2 dias

ConcretoRestam 2 dias para participar no sorteio Concreto. Quem se esqueceu ainda pode concorrer, seguindo os passos explicados aqui. Hurry hurry!

Planear um outfit: modus operandi

                         
Recentemente, em conversa com uma pessoa que realmente percebe da matéria, falou-se neste maravilhoso livrinho de notas, o Fashionary - mistura de dicionário, diário e bloco de esboços para designers e fashionistas. Ter um caderno de apontamentos dedicado exclusivamente às nossas toilettes é uma boa maneira de manter o guarda roupa organizado e estar a par do que já usámos, do que queremos usar e das fatiotas a criar - seja para inventar um coordenado ou para quem gosta de desenhar e fazer, ou encomendar, as suas próprias peças. Custa um bocadinho elaborar o inventário de tudo o que temos * work in progress* mas é um esforço que compensa e poupa bastante trabalho e stress. No dia a dia, costumo planear as fatiotas de véspera para sair de manhã sem muita correria. Como nunca se sabe ao certo como vai estar a nossa disposição, por vezes invento mais do que uma alternativa. Deixo-as no manequim bem direitinhas, com o calçado, lenço, carteira  (you name it!) correspondentes, et voilà. Se estou em casa e saio só à tarde, o processo é mais tranquilo e dou-me ao luxo de improvisar um pouco. Para ocasiões mais especiais, que surjam com a devida antecedência, o caso é outro. Local? Check. Data? Check. Período do dia? Check. Dress Code? Check. Depois parto daí. Dou uma olhadela ao que se possa adequar, tendo em conta as roupas em "fila de espera" que ainda não utilizei. Eventualmente desenho alguns croquis dos looks completos e notas com a designação das peças - penteado, acessórios, e por aí fora. Mesmo que o faça antes de experimentar a roupa, o resultado nunca se afasta muito do desenho. Fica-se com uma ideia das proporções e da inspiração geral, o que é uma grande ajuda. 

                                           
Nesses casos, convém não deixar de fora o agasalho, especialmente quando se trata de traje social. Há quem seja muito cuidadoso ao delinear o que vai vestir mas deixe o sobretudo ou casaco para a última da hora...e lá se vai a calma e o resultado final. E para eventos que surgem à última da hora? Nada como estar prevenida e ter as peças para saídas ou cerimónia devidamente agrupadas. Curiosamente, também me surgem muitas ideias quando já estou deitada, a começar a adormecer e totalmente distraída. Por vezes ocorrem-me coisas que já não me lembrava que andavam por cá, mas que à luz da situação ou de tendências que vão surgindo caem como uma luva. Para hoje à noite, por exemplo, estou a pensar numa espécie de smoking de senhora, que achei um encanto mas ainda não tive ocasião de vestir. E as meninas, qual é o vosso modus operandi na hora de vestir? Ou são uns ases do improviso? Contem-me lá os vossos truques.

A (pouco) nobre arte de fazer de "Polícia"

"Estou de olho em ti, sacaninha". Yeah, right...tens cá uma sorte!

 Se houve sábia máxima que assimilei desde muito nova foi uma que o papá me ensinou: "o amor é como uma bolinha de mercúrio. Se o tentares agarrar, ele salta; se o segurares com a mão aberta, ele mantém-se". Também a avó me martelou sempre a boa e velha "aquilo que tem de ser nosso à nossa mão vem parar, não vale a pena uma pessoa infernizar-se por causa disso". Quem recebe carinho em casa, e está habituado a ser apreciado e valorizado, desenvolve inevitavelmente um sentido de amor próprio, tranquilidade e auto estima que não lhe permite depositar toda a sua alegria, felicidade futura ou noção do "eu" nas mãos de outrem. 

Por isso sempre estranhei quando via amigas minhas, naquela fase complicada da adolescência, deixar-se pisar, amesquinhar, sujeitar-se a coisas que as contrariavam e fingir gostar disto ou daquilo (mesmo de coisas desaconselháveis) em nome da popularidade, para andarem com o grupo X ou Y ou para que determinado rapaz gostasse delas. Nunca vi esse tipo de pressão como "amor" ou "amizade" e em mais do que uma ocasião, preferi estar menos acompanhada do que em tais companhias. Invariavelmente, o caso dava para o torto e provava-se que não havia nada a ganhar em sacrificar a dignidade e o respeito próprio no altar dos fretes em nome de um parvalhão qualquer (que nunca agradecia os sacrifícios) ou de "amigos" para quem todos os "pagens" eram substituíveis. Sendo este tipo de "vénias" um comportamento típico de teenagers com personalidade em vias de formação, poderíamos pensar que desaparecessem com a chegada da maioridade. Não é o caso - quem é capaz de se rebaixar, fá-lo pela vida fora: por necessidade, ambição, conveniência, baixa auto estima e/ou por um hábito infeliz e abjecto de fazer de cachorrinho ("estou aqui para ti! não me importo com os teus pontapés! leva-me contigo! convida-me! ama-me! ama-me!").  Este comportamento disparatado é especialmente visível nas relações amorosas. As mulheres caem muito nisso, mas vejo homens a fazer o mesmo: apaixonam-se por alguém em que não confiam (ou que não é mesmo digno de confiança) e depois vivem com a alma num susto, no constante terror de perder aquela grande coisa, como se tivessem " o Rei preso por uma perna". Morrem de ciúmes e o seu passatempo é "fazer de polícia" ou seja, seguir passivamente - e de cara alegre, por mais que doa - todos os passos do (a) parceiro (a) para garantir que nada escapa ao seu controlo. Vulgo, as meninas que pensam "eu odeio futebol e até estou com 40 graus de febre, mas se deixo Paulo ir sozinho com os amigos, está lá aquela cheerleader que passa a vida a atirar-se a ele. Não vou dar esse prazer àquela galdéria!" ou "tenho uma perna partida e a festa onde o Pedro vai é uma seca monumental, mas ele fez questão de convidar a Lili, a Milu e a Lulu, que andam sempre atrás dele...ná, ná, a coisa está preta; se ele se apanha à vontade foge com uma delas...ah, não, eu vou; e palavra de honra que se abusam, as espanco com a muleta!O meu homem ninguém tasca nem tira" ou ainda "a Mariazinha foi sair com as amigas, mas vou aparecer por lá como quem não quer a coisa para ver se ela se está a portar bem".  Newsflash, minha gente, não há cá "meu" nem "minha". Primeiro que nada, essa é uma expressão detestável; segundo, não existem títulos de propriedade para essas coisas. As pessoas, mesmo quando estão comprometidas, são donas dos seus actos. E sempre ouvi dizer, quem quer "portar-se mal" arranja maneira, nem que esteja acorrentado (a) à cara metade ou trancado (a) a sete chaves. É impossível controlar alguém vinte e quatro horas por dia. Quem quer "andar à vontade" arranja um ardil, nem que lhe tenham incorporado um GPS. Um (a) namorado (a) que obriga a esforços titânicos de vigilância não tem remédio: a única coisa a fazer é partir para outra, ir à sua vida, empregar energias em algo mais construtivo, libertá-lo (a) de quaisquer amarras, compromissos ou encargos: deixá-lo (a) estar livre, à solta e à sua vontade, para errar, para fazer as asneiras que bem entender, para dar as suas cabeçadas, a que tem tanto direito como todos nós. O mesmo vale para as amizades: cansar-se a dizer a um amigo ou amiga teimosos "não te metas nisso, não vás por aí, olha que te vais arrepender" é esforço baldado.
Quem deseja realmente estar connosco faz por isso, sem perder a sua individualidade; quer a nossa companhia acima de qualquer outra coisa, sem esforço, por livre e espontânea vontade; não encoraja situações constrangedoras de competição; não arrelia deliberadamente a pessoa de quem gosta; não flirta ou dá troco a flirts deliberadamente; quando é alvo de assédio, procura pôr fim à situação e tranquilizar a pessoa com quem está. Tem tudo a ver com respeito, lealdade, vontade firme, amor mútuo e com não haver alguém "que ama mais" ou "que se esforça mais" para manter algo que devia ser espontâneo. Em relações saudáveis, essas questões não se colocam sequer. Um ciúme normal existe sempre - e até "apimenta" -  mas as pessoas que valem a pena podem estar na China sem que o parceiro se preocupe, porque sabe o que os dois têm e a confiança é um dado adquirido. Problemas podem acontecer, ninguém é perfeito, mas quando se tem uma pessoa madura e segura de si ao lado, "o Diabo não está sempre atrás da porta". Quem gosta de "fazer de polícia" mais vale candidatar-se a uma carreira nas forças de segurança, ou voluntariar-se para vigilante do bairro: sempre dá um uso mais nobre aos seus dotes. 




Coisas que me fazem urticária: canções de Natal tristonhas


                      
Eu adoro o Yule e o Natal, apesar de achar a quadra inexplicavelmente melancólica. O meu espírito natalício é tão brilhante que eu podia ser ajudante do Pai Natal, embalar o Menino Jesus e puxar o lustro à Estrela de Belém. Mas se há coisa que me faz murchar o ânimo - para além da crise e da amargura que anda na boca do povo - são as versões pseudo soul ou pseudo modernaças, comercialonas, maçadoras, tristonhas e em colectânea dos clássicos de natal que os centros comerciais insistem em passar. Há canções tradicionais (e versões das mesmas) que me arrepiam, como esta:
Também gosto muito de Oh Little Town of Bethlehem, Adeste Fideles, Do you hear what I hear?, Oh Holy Night e do Natal Africano (o que eu adorava cantar essa canção quando era pequena!). Ou esta, aqui transformada em animação pela Runkin Bass, que produzia os filmes de Natal mais encantadores de todos os tempos. Ainda hoje os vejo com especial prazer:
"The Life and adventures of Santa Claus", com o seu enredo mitológico e canções maravilhosas, continua a ser o meu "momento televisivo de Natal" preferido. Se não conhecem, não sabem o que perdem:
A questão é, se não for para fazer algo de maravilhoso (a versão de Christina Aguilera de Oh Holy Night é uma das minhas favoritas, embora fuja ao tradicional) mais vale deixarem-se estar quietos e cingirem-se ao original. Canções de Natal ou hão-de ser majestosas e triunfantes (o Rei nasceu, hello, Aleluia?) ou alegres, ou doces. O que eu não suporto é ouvir uma e outra vez, vá onde for, milhares de interpretações - todas diferentes, e todas terríveis - de temas já batidos. Algumas, ainda por cima, são tão deprimentes e enfadonhas que mais parece que aconteceu um cataclismo qualquer, em vez do nascimento de um Deus; ou que está toda a gente chateada, vulgo "nasceu o Menino Jesus, mas que maçada! Agora já não podemos andar à nossa vontade. Cantem baixinho e não o acordem senão lá temos de mudar fraldas".  Parecem umas almas penadas a gemer e a arrastar correntes...nada adequado!



Thursday, December 6, 2012

Somos 400 pessoas fofas e respeitáveis!

                                          
Hip, hip, hurra! O que é que 400 pessoas fazem todas juntas? É que já somos 400 amigos neste salão. Um grande beijinho a quem tem a gentileza de me acompanhar, para quem passa um bocadinho comigo todos os dias, para os que vêm cá espreitar só porque sim, e vá, para aqueles que embirram comigo mas passam por cá na mesma a ver o que ando a tramar, porque afinal é Natal. Abracinho, abracinho :****

Momento fashion: eu e o camião da moda

                                     
Eu não sou uma rapariga que viaje de mochila às costas. Invejo quem tem esse espírito de improviso, mas fazer o quê? Confesso que viagens relâmpago, voos low cost, "ficar em casa de não sei quem" ou "ir à aventura" me apavoram. Sou a menina que tem pesadelos em que está num aeroporto e se perde a bagagem. Ou o cartão de crédito, e lá fico eu "em Aveiro sem sapatos". Acordo aflitíssima por causa disso. Gozem à vontade mas é verdade, não consigo evitar. Cada um tem direito aos seus momentos ridículos estilo Paris Hilton, aos seus ataques de futilidade, e eu não sou menos que os outros mortais. Sou bastante espartana noutras coisas, não me caem os parentes na lama por ser coca bichinhos nisto. O mais curioso é que tenho um lado independente, capaz de me virar sem ajuda nas situações mais complicadas...tried and true. Consigo organizar-me, mas viajar com um weekend bag pequenininho, num lugar apertadinho cheio de crianças aos guinchos e sem aquelas traquitanas inúteis com que as companhias aéreas nos mimam, na tentativa infrutífera de aliviar o desconforto da pressão atmosférica e de estar horas fechada numa lata de sardinhas voadora não é de todo my cup of tea. Além disso, até posso prescindir de compras noutras circunstâncias, mas não o fazer quando viajo tira a graça toda à experiência. Com isto, já tenho perdido alguns passeios e há destinos que estupidamente, não conheço. Tão pouco estou com os milhares de compatriotas da minha idade mortinhos por emigrar: está certo que o país é same old, same old e as oportunidades lá fora para quem tenha capacidade e miolos são apelativas, mas além de eu ser uma rapariga de família, que gosta do seu lar, do seu cantinho...como diabos ia eu organizar o guarda roupa? O que deixar? O que levar? Parte-me o coração. 
Isso lembra-me quando me vim embora de Erasmus: as malas tinham "engordado" de tal maneira que ia ser o fim da picada para as transportar de avião. Além disso, gostava das bicicletas todas giras que tinha comprado, que tinham sido a minha salvação e apoio em terra estrangeira, e era pena desfazer-me delas. Num assomo de mimo e generosidade (desconfio que mais por amor às bicicletas, que são o seu ai-Jesus, do que às minhas roupinhas e sapatos) o senhor papá não teve mais nada: falou com uma empresa transportadora e lá veio uma mulher camionista - com ar de carcereira e nada amável, sejamos honestos - levar  a minha bagagem para Portugal, enquanto eu seguia *mais ou menos, que ainda paguei multa na alfândega pelos presentes que não quis deixar ir aos tombos no contentor* ligeira de avião. É capaz de ter sido o momento fashion mais estranho da minha existência, mas soube muito bem...quem tem pai tem tudo, ah pois é.

Crónica Sissi + Revista Activa de hoje



  




  Para espreitar aqui.

A árvore perfeita x a árvore "tuning"

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Ontem chegou-se à bela conclusão de que temos de comprar uma árvore de Natal: a que veio o ano passado já está crescida demais e devidamente alojada no jardim, porque nesta casa preferem-se árvores verdadeiras que se possam plantar mais tarde. E com isso, lembrei-me que a "árvore suplente"  deu o triste piu...e da história da dita cuja.
Já vos contei que o senhor meu irmão é o arbiter elegantiarum cá de casa. Quando tenho uma dúvida de gosto a respeito desta ou daquela fatiota, ou de um objecto de brique a braque, ou de outra coisa qualquer, a opinião final é dele, porque apesar de ostentar um quase desprezo pela moda - é um clássico, o meu maninho - e de nunca ter passado os olhos por uma publicação do género a não ser para dizer se as modelos são bonitas ou feias, tem um olho de águia para distinguir as nuances mais subtis. Se algo roça, ainda que por infinitas décimas, a ostentação,a foleirada ou a vulgaridade, ele sabe apontar o erro melhor do que ninguém. Ainda há dias foi o fim do mundo a propósito de umas calças Dolce& Gabbanna que se atreveram a aparecer por aqui. É uma espécie de Sissi em versão masculina, mas mais acutilante e mais crítico, sem a minha tolerância para certas originalidades...
Por exemplo, embirra com os programas de talentos. Diz ele que a palavra de ordem agora é "mostra o teu talento!"  tenham as pessoas talento ou não, e que agora toda a gente se quer mostrar a cantar, a dançar e a fazer books. Ainda não se debruçou sobre o fenómeno dos blogs de moda mas quando o fizer, aguardem - vai valer a pena. Também detesta a moda dos golfinhos. Não que tenha nada contra os bichos em si (ele adora animais) mas acha que tanta fofura, e tanto amor por uns mamíferos que parecem peixes e estão sempre a rir e a dançar tem alguma coisa de esquisito e não é lá muito decente. Aliás, já ando a prometer; nos bastidores, um post "o meu irmão embirra com" há algum tempo.
 Digo-vos isto para que façam uma ideia do que foi quando, há dois anos, cedi a um impulso da minha criança interior e trouxe para casa uma pequena árvore branca, de plumas, que dava voltinhas, com luzinhas LED a mudar numa miríade de mil tons. Eu própria concordei que era uma "árvore" um pouco pindérica -mas o Natal  tem o seu quê de kitsch e a ceder a certas ligeirezas uma vez por ano, que seja pela altura das Festas. Afinal, o que importa é que seja em forma de pinheiro e tenha Luz, muita luz, para celebrar o nascimento do Deus Menino e o regresso do Sol. Pois sim! Travou-se de razões comigo, que nunca tinha visto coisa tão feia nem tão horrorosa, porque para ele pinheiro de Natal tem de ser um pinheiro verde, com cheiro a resina, mui celta ou mui germânico, e tradicional e mais nada. Eu a argumentar com a neve, e que "parecia uma árvore das fadas" e ele qual árvore das fadas qual cabaça, que o que aquilo parecia era uma árvore tuning. E está claro, ele embirra com o tuning (e eu mais ainda) . Foi olhem para aquilo às voltas, oh valha-me Deus, mas que grande foleirada, e nem me salvei com a desculpa " ao menos esta não larga agulhas nem o gato lá vai arrancar as bolas e os enfeites" porque a engenhoca desatou a largar plumas pela casa toda, com a devida ajuda do gato, claro está, muita ingenuidade minha achar que um felino vê um mobile e não vai lá perceber o que se passa. De modo que teve de vir uma segunda árvore, enfeitada com a tradicional trabalheira e os adornos do sótão da avó: a árvore tuning ficou como suplente para dar luz extra e andar às voltinhas - não se pode ceder a tudo. Mas no Natal passado "aquela coisa tuning feia de meter medo" deu o teco. Não quero acusar ninguém mas não me tiram da cabeça uma certa teoria da conspiração...

Wednesday, December 5, 2012

Já só faltam 4 dias...




...para terminar o passatempo Concreto. Dia 9 à meia noite terminam as inscrições. O prémio está ansioso para conhecer a menina/senhora que vai tomar conta dele o resto do Inverno, mas tudo está por decidir. Quem se esqueceu ou teve preguiça, ainda vai a tempo. Participar é simples, basta clicar aqui

Destruir um relacionamento em 4 passos


Vivien Leigh e Laurence Olivier - um dos casais mais belos -  e conturbados -  do cinema.

Química, paixão, profundidade de sentimentos, atracção, compatibilidade intelectual e gostos em comum são os ingredientes chave dos relacionamentos que deixam marca. No entanto, mesmo quando existe tudo isto, é fácil arruinar uma bela história de amor com  quatro disparates simples . Erros que se instalam e que são capazes de corroer a relação com mais potencial.  Ora vejamos como dar cabo de algo que podia ser promissor com estes venenos...e os antídotos correspondentes.

1 - Não ouvir
Não há amor que resista a "pedras no sapato" ou a comportamentos repetitivos. Se existe um problema de fundo ou uma questão recorrente é necessário sentar-se, analisar a situação, procurar soluções e aplicá-las. Uma relação exige trabalho: se a pessoa amada faz avisos sucessivos sobre algo que não está bem, dê ouvidos: caso haja razão nas queixas, analise se está disposto (a) ou não a mudar esse comportamento, e reaja de acordo. Se a diferença for irreconciliável, nada feito -  considere afastar-se de forma honesta. O que não é possível é "servir a dois senhores" e querer, de forma egoísta, submeter o outro a uma relação feita só à sua maneira. São precisos dois para dançar o tango. Porém, se as discussões ou acusações partem do seu lado, ouça as explicações ou justificações do (a) parceiro (a) ...e se está explicado e resolvido, assunto arrumado: não bata na mesma tecla, sigam em frente. Se é incapaz de as aceitar...o remédio é partir para outra.

2 - Permitir interferências
Lá diz o povo, "casamento, apartamento" e "entre marido e mulher não se mete a colher". Obviamente, é necessário ter lealdade à família, amigos e parceiro (a).  Uma pessoa equilibrada não deixará de lado a vida que tinha antes para passar a ser "controlada"  pela cara metade. No entanto - e particularmente quando uma relação ainda está a crescer e a desenvolver-se - é preciso perceber que por melhores intenções que os amigos ou a família tenham, não são donos absolutos da verdade. É de lembrar também que por vezes os nossos amigos, por bem que nos queiram, são humanos - e portanto, sujeitos ao erro de julgamento, à inveja ou  ciúme. Quanto à sua ex namorada ou ex marido...dificilmente lhe darão uma opinião imparcial! Para conhecer de facto a pessoa que tem ao seu lado, terá de confiar nos seus próprios olhos, ouvidos e instinto. A não ser que a pessoa amada tenha de facto um background ou comportamento suspeito (um historial de violência doméstica, por exemplo...) não se deixe influenciar, pois "quem está no convento é que sabe o que vai lá dentro". A sua felicidade ou o seu fracasso devem ser da sua exclusiva responsabilidade. Mesmo numa relação sólida,  há que estabelecer um equilíbrio, prioridades e traçar uma linha no que diz respeito à vida de casal. 
Amigas abelhudas, amigos "farristas" que aparecem sem ser convidados, lhe arruínam um jantar romântico e ainda dizem que a sua mulher é uma "desmancha prazeres" porque não os recebe de braços abertos, sogra intrometida, aquela tia que detesta o seu namorado...todas essas pessoas precisam de ter um lugar estabelecido, mas também de limites. Além disso,é muito importante criar hierarquias: não dê a todos os seus amigos (as) o mesmo tratamento que dá ao seu namorado (a) - ninguém gosta de confusões, nem de cenas de ciúmes desnecessárias. Precisa mesmo de receber SMS do seu antigo admirador às três da manhã que dizem "como estás, querida?" ou de fazer "jeitos" à colega provocante do escritório a toda a hora? Quem é realmente seu amigo, saberá continuar a sê-lo sem provocar situações desconfortáveis. Acima de tudo, respeite o (a) parceiro (a) e decidam a dois como lidar com quem os rodeia. Protejam em conjunto o pequeno universo que criaram e tudo acabará por se encaixar.

3 - Guardar rancores ou desconfianças
Após uma crise (briga feia, separação temporária, interferência de uma terceira pessoa) é natural que haja um período de ajuste em que as discussões são frequentes. Isso só se torna grave se as mágoas não chegarem a sarar ou quando - por  orgulho ou por medo de estragar tudo de uma vez se o assunto voltar à mesa- um dos dois não explica o que lhe vai na alma, mas faz acusações veladas ou arranja pretextos disfarçados para discutir. Se a raiva está ligada à desconfiança, pior ainda. Ninguém consegue viver assim. Se as mágoas ou rancores acumulados se sobrepõem a tudo o que o casal construiu, é preciso considerar se a união ainda tem pernas para andar... sem confiança, não há relação que resista. E ninguém merece viver ao lado de um parceiro castigador e vingativo.

4 - Não comunicar
Inúmeras relações que podiam ser fantásticas não chegam a acontecer, ou acabam de forma desastrosa, por falta de comunicação. Não permita mal entendidos: deixe claros os seus sentimentos e intenções. Se está apaixonado (a), demonstre-o; se sente raiva, mágoa, ciúmes, frustração, explique-se sem enigmas, meias palavras ou atitudes passivo agressivas. O velho "e se?", o "sorry ever after" e os arrependimentos que chegam tarde demais são das coisas mais tristes que há. Não faça isso a si mesmo (a).



"Antes malcriado que mal agradecido": um texto velho como os caminhos...



...mas que continua bem actual. Dos primeiros publicados, ainda o Imperatriz era um blog bebé - e todo à base de dicas, daquelas que só aprendemos com as cabeçadas da existência. Para espreitar aqui: "O que é que eu ganho com isso? Dicas para evitar atrasos de vida". 
 (E com isto concluo que ando a deixar de ser uma "nice girl" há muito tempo....mas um dia apanho o jeito!)

Get the Look: convidadas de Karl Lagerfeld na Escócia


Chanel - Pasarela

Com o seu habitual sentido do drama, Karl Lagerfeld escolheu o espectacular palácio de Linlithgow, nos arredores de Edimburgo - que se diz assombrado por Maria de Guise, mãe da bela Maria Stuart, a famosa Rainha dos Escoceses - para  apresentar a sua colecção pre-Fall Les Métiers D'Art. Este desfile prêt-a-porter especial, que tem vindo a acontecer desde 2002, pretende celebrar com aparato e requinte o savoir-faire artesanal e a tradição dos ateliers Chanel em vertentes como a bijutaria, a alfaiataria, o bordado e a chapelaria. Desta feita com ênfase no tweed e cachemira escoceses, tão importantes nas colecções desta Casa. Além dos coordenados apresentados - homenagem a diferentes períodos da história da Escócia com uns laivos de punk - as convidadas e musas do Kaiser, como Poppy Delevinge e a modelo-aristocrata Stella Tennant, escolheram looks lindíssimos. Esta menina que vos escreve, a quem graças a Deus não faltam chapelinhos de peles e tem o amor pelas Highlands que já tem partilhado convosco, já se está a inspirar. E as meninas desse lado (e meninos, já que a colecção é para eles também...)?


Les Metiers D'art Chanel articulo Invitados al desfile de la coleccion Metiers d´Art de Chanel en Edimburgo: Anna MouglalisInvitados al desfile de la coleccion Metiers d´Art de Chanel en Edimburgo: Karl Lagerfeld y Stella TennantInvitados al desfile de la coleccion Metiers d´Art de Chanel en Edimburgo: Poppy Delevingne y Caroline Sieber
Invitados al desfile de la coleccion Metiers d´Art de Chanel en Edimburgo: Joanna PreisInvitados al desfile de la coleccion Metiers d´Art de Chanel en Edimburgo: Sophie Kennedy-Clark
Invitados al desfile de la coleccion Metiers d´Art de Chanel en Edimburgo: Zhou XunInvitados al desfile de la coleccion Metiers d´Art de Chanel en Edimburgo: Amber Anderson


Tuesday, December 4, 2012

Vogue Itália: controvérsia

                                         

Num movimento ousado, a lembrar os bons velhos tempos, a Vogue Italia colocou a curvilínea, bastante comercial e glamour model Kate Upton na capa da edição de Novembro. Kate Upton foi chamada por alguns "a supermodelo dos social media". A sua ascensão à fama foi algo duvidosa  - acendeu o rastilho da sua carreira de modelo ao colocar no Youtube um vídeo que se tornou viral, no qual fazia "saltitar" os seus atributos enquanto demonstrava uma dança tonta. Com algumas capas das GQs e Sports Illustrated da vida debaixo do cinto (um estigma arriscado para quem tenciona trabalhar no meio high fashion) e uma nega da directora de casting da Victoria´s Secret para participar no desfile - colocaram-no no catálogo mas não a quiseram na passerelle, alegando o seu ar vulgar de "mulher de jogador da bola" com uma cara que "qualquer um com algum dinheiro podia comprar" - a menina parece, no entanto, estar a conseguir o melhor dos dois mundos e fazer a ponte entre o comercial e o círculo mais restrito da indústria de moda. Desconheço se a Vogue italiana se rendeu ao mediatismo de Kate, ao seu carisma, à sua beleza de pin up, ao sex appeal algo estereotipado, que arrasta milhares de admiradores por este planeta fora (afinal, a sensualidade vende e os consumidores masculinos têm uma palavra a  dizer) ou se tudo é uma consequência da tendência das curvas. Mas o facto de não se importar de vestir um biquini algo ordinareco num dia e couture no outro, misturando sem problemas a imagem da banal bombshell com a da top model sofisticada conferem-lhe decerto algum diferencial. As reacções à capa fotografada por Steven Meisel  (uma miscelânea das supermodelos dos anos 80, das pin up dos anos 50 e da tendência noir desta estação) foram diversificadas. De "foleira" e "barata" a "genial" e "avant garde" ouviu-se de tudo. (A edição mostra também outro fantástico trabalho, este de Mario Sorrenti, dedicado ao glam gótico, num cenário bucólico e campestre: ver abaixo).
Não consigo decidir se gosto ou não de Kate Upton, mas há qualquer coisa nela. E numa altura em que as publicações de moda pareciam perder terreno para outros meios de comunicação, é refrescante ver que algum arrojo, e o lançamento de debates e ideias, continuam a pertencer-lhes. Um mito é um mito, e old habits die hard...





                           






E o que eu detesto creme de pasteleiro?



Não me perco por bolos - só acho piada de vez em quando, e prefiro os caseiros - mas se há coisa que me tira do sério é comprar um bolo de bolacha, uma lampreia de ovos, um éclair, uma coisa qualquer, e encontrar creme manhoso à base de manteiga (blhec!) a fazer-se passar por chantilli ou por doce de ovos. Primeiro, porque não presta para nada - faz duplamente mal e nem sequer sabe bem...e para fazer asneiras, ao menos que seja com coisas a que se perdoe o mal que fazem pelo bem que sabem. Depois, porque abomino que me vendam gato por lebre: se pago por um produto que leva natas ou doce de ovos é isso que desejo obter, não creme falsificado com corante. Terceiro, porque é uma pantominice e nenhum mestre pasteleiro digno do seu chapéu devia fazer coisa tão feia. Para pantomineiros, já basta o que basta em outras áreas da vida. Por esta razão, selecciono sempre muito bem os sítios onde encomendo bolos para ocasiões especiais. Até já brigadeiros sem leite condensado tiveram o atrevimento de me vender, numa das padarias mais in da cidade...como se fosse preciso ser um génio da pastelaria para saber fazer brigadeiros! Quando vejo "obras de arte" dessas só me ocorre usá-las como armas de arremesso, à moda dos filmes mudos...

As coisas que eu descubro ao blogar #2: isso é comigo?

                       
Qualquer dia, palavra de honra, arranjo uns dizeres todos pomposos aí para o header como se faz nas novelas, do estilo "este blog é uma obra de inspiração; qualquer semelhança com pessoas, factos ou locais reais é mera coincidência". Isto porque há sempre uma alma que se revê no que uma pessoa escreve e vem com o discurso "esse post era uma farpa para mim! Era, era, era que eu sei! ". Já se sabe que um blog, não sendo produto de ficção (com excepção das short stories que escrevo uma vez por outra, e mesmo nesses casos por vezes é difícil dizer onde começa e termina a imaginação) vai beber inspiração às coisas do dia a dia -  o que pode, por vezes, assemelhar-se a um atirar de carapuças. Mas mesmo que assim fosse, lá por atirar carapuças a esmo, do alto de um aviãozinho para uma praia cheia de gente, não quer dizer que haja intenção de fazer pontaria, nem carapuças por medida. Se eu quisesse um blog que alfinetasse gente, uma odiosa Corneta do Diabo do século XXI, tratava de me esconder atrás de um pseudónimo e de debitar as estórias que ouço, os factos que conheço, e de traçar as figuras que me aparecem com cruel detalhe - de tal forma que, ainda que não revelasse nomes nem retratos, toda a gente reconhecesse os figurões. Ora, esses exercícios de fel não fazem de todo o meu género. Não é função do Imperatriz, nem minha, moralizar ou escarnecer. Se até quando falo de uma celebridade com zero possibilidades de ler este cantinho perdido na blogosfera uso de certa moderação, que não farei em relação a pessoas "reais" ou a factos que - mais ou menos distorcidos na mente de quem lê - me digam remotamente respeito? Pior ainda, receiam-se essas personalidades muito ciosas do que aqui se escreve de que "outras pessoas percebam que os ditos são para eles".   
Calma lá. Nem eu conto factos privados meus na blogosfera (pequenas verdades como ter horror a centopeias não me parece que sejam coisa imoral, íntima ou escandalosa) nem espero das pessoas das minhas relações que as nossas conversas sejam discutidas ao pormenor por tutti quanti, de tal maneira que possam vir a ser (erradamente) reconhecidas por gente que com todo o respeito, nunca vi mais gorda, em qualquer texto que aqui apareça. Se assim é, só posso concluir que quem se queixa da indiscrição, zela muito pouco por fazer a sua parte. Ainda que fosse verdade, um segredo de dois devidamente "maquilhado" tem poucas possibilidades de ser reconhecido por terceiros, mesmo que alguém o coloque sob os holofotes. E o Imperatriz, coitadinho, tem pouco de holofote, tanto quanto sei.
 E pronto, com isto, o que não era pessoal acaba por se converter nisso mesmo. Este há-de ser, porventura, o primeiro texto de carácter intencionalmente directo que aqui coloco (há uma primeira vez para tudo). Como sou pouco useira nestas andanças, recorro (once again) ao tio Eça de Queiroz que tinha de facto habilidade e destreza da pena para exprimir uma ideia semelhante. Disse ele, por carta, a outro grande autor, Camilo Castelo Branco, que se queixava de ser "alfinetado" por Eça e os seus amigos:

"Suponha que um dia, Vª Exª descreve, com o seu vernáculo e torneado relevo, certo animal de longas orelhas felpudas, de rabo tosco, de anca surrada pela albarda...(...) E suponha ainda que, ao ler essa colorida página, eu exclamo, apalpando-me ansiosamente por todo o corpo:`grandes orelhas, rabo tosco, anca pelada...é comigo!´Vª Exª balbuciaria aturdido: `eu não sei, eu vivo longe...se as suas orelhas são assim longas, se o albardão se despelou, há realmente concordância...mas na verdade creia que, mencionando esse animal venerável, não me raiou no ânimo a mais ténue, remota intenção...".


Closet Magazine +Sissi

                                                       
Já conhecem o Guia de Estilo da Closet Magazine? Dêem um pulinho ao site e espreitem o novo texto desta vossa amiga, dedicado às meninas que têm corpo rectangular. Espero que gostem.


Monday, December 3, 2012

Faltam 6 dias...

...para o fim do passatempo Concreto, e poucos mais para conhecermos o (a) vencedor (a). Quem teve preguiça ou se esqueceu de concorrer, ainda se pode habilitar. Podem avisar também aquela amiga distraída, a colega simpática que é fã da marca, a chefe chata e friorenta que precisa de um mimo para ficar fofinha e respeitável como vocês e todos aqueles que possam lamentar " oooooh, que chatice, queria ter concorrido, porque é que não me disseste nada"?


Como "achatar a crista" a um playboy: o episódio do chocolate

                                   
Já partilhei aqui algumas memórias da avó Tete, que podia ter escrito um excelente blog sobre comportamento se tal coisa existisse nos seus dias de juventude. As nossas intermináveis conversas davam material para muitas páginas. Uma das histórias que mais gostava de lhe ouvir era a do carnet de danças. Naquele tempo era costume, para angariar dinheiro para a organização do baile, ou para as obras da Igreja, leiloar-se um ramo ou um chocolate a oferecer à menina com quem se queria dançar. Um pouco como na famosa cena de Gone with the Wind em que Rhett Butler paga uma soma astronómica para fazer bailar Scarlett O´Hara apesar de ela estar de luto, o que causa grande escândalo, recordam-se?
  A certa altura da festa fazia-se um leilão para as danças de "carnet". Depois, em determinados "números" (músicas) o mestre-de-de- cerimónias gritava "Rester!" e a orquestra parava por uns momentos. Todos saíam, menos as meninas "leiloadas" e os seus pares. Quem tinha oferecido a contribuição mais generosa tinha a honra de abrir a pista. Além de servir para angariar fundos, o costume era uma espécie de concurso de popularidade - é claro que apenas as mais bonitas e/ou as que eram consideradas "bons partidos" recebiam ramos ou chocolates, em maior número consoante o cortejo e qualidade dos seus admiradores, que assim aproveitavam para chegar à fala ou mesmo declarar as suas intenções, sempre sob o olhar de falcão dos pais e restantes "paus de cabeleira". A avó e as irmãs, todas muito bonitas, nunca ficavam sem candidatos. Mas houve um baile em que a dança não correu como era esperado...
 A avó sempre tinha sido muito ponderada e ajuizada, ciosa da sua reputação. Por isso não gostou nada de ver que a irmã mais nova, que era bastante sonhadora e ingénua, andava apaixonada por um betolas lá do sítio - um rapaz muito alto, muito louro, espadaúdo, muito giro e de `boa família´, a quem chamavam o Nené. Como além de ser bem parecido e cheio de basófia tinha "alguma coisa de seu" todas as meninas tinham para ele um olhar doce, e o Nené achava-se o Rei da Cocada Preta, com direito a flirtar aqui e ali. Se havia coisa que ela não suportava - e contra a qual me avisou desde que comecei a ter dentes - era rapazes playboys. Não utilizava essa palavra, mas chamava-lhes "gozões" e "garotos".
Ser "gozão" ou seja, namoradeiro e sem palavra, era o pior defeito que um homem podia ter. Para cúmulo, o rapaz era "cheio de prosa": falava afectadamente pelo nariz, fazendo-se muito chic, e como nunca gostara de gente peneirenta, a menina Tete não podia com ele nem com molho de tomate. Não achou por isso graça nenhuma quando ele começou a aparecer por lá aos Domingos, à janela, com intenções de namoro para a irmã mais nova, sem contudo falar claro ou pedir autorização ao pai. 
A irmã, essa derretia-se só de olhar para ele e sendo um pouco distraída, muito jovem ainda, andava nas nuvens . O meu bisavô era duro que nem pregos, mas como o rapaz era simpático e havia sempre chaperone por perto, deixou andar. O pior é que o Nené não tardou  a fazer jus à fama de "gozão": vinha Domingo sim, Domingo não; ficava de aparecer e não aparecia; ora a punha na coroa da lua, ora fingia que não era nada com ele. Para agravar as coisas, a minha avó percebeu que quando ia lá a casa, tinha o descaramento de lhe fazer "olhinhos" nas barbas da mana mais nova. Percebeu a jogada e ficou furiosa. Até parecia que já o estava a ouvir a gabar-se aos amigos "eu sou tão bom, mas tão bom, que tenho duas irmãs a esgatanhar-se por minha causa; uma que parece a Elizabeth Taylor, outra que parece a Marilyn". Mas calou-se bem caladinha, fez o seu melhor sorriso e ficou a congeminar uma forma de lhe dar uma lição. A oportunidade não tardou e para isso, só precisou de deixar o Nené agir de acordo com a sua natureza de valdevinos. 
                              
  Meu dito, meu feito: foi grande a surpresa de todos quando o mandador anunciou ao microfone: "e este chocolate" (eram umas tabletes muito bonitas, embrulhadas em papel dourado...) "é oferecido, pela licitação mais alta da noite, à menina Tete pelo Sr. Nené, para a próxima dança" pois não era segredo para ninguém que o Nené andava de namoro com a mais nova. E esta a ver sem ai nem ui, que já ia "instruída" de casa. A minha bisavó, coitada, olhava apreensiva, receando que tudo terminasse numa grande vergonhaça. Os amigos do Nené galhofavam. 
Mas a menina Tete, na sua saia de balão "em canudos", aceitou o chocolate, fez o seu ar mais encantador, pôs o sorriso que lhe fazia aparecer covinhas na cara e reluzir os olhos verde-prateado, sacudiu os caracóis negros e seguiu o o par com toda a graciosidade. Dançaram todos contentes, com ele a dizer-lhe falinhas mansas. E a avó, a ferver por dentro, "espera que te arranjo". Até que se ouviu "Rester!" e se fez silêncio. "E agora" continuou o mestre-de- cerimónias, "é favor o par vencedor continuar o baile".
- Perdão! Eu cá não danço - ouviu-se claramente.
Todos se viraram para a minha avó, que estava parada no meio da pista, com ar de desafio. Calou-se tudo. 
-Não dança porquê? - perguntou o Nené, agarrando-lhe pelo braço a ver se disfarçava. - Eu paguei, tem que  dançar!
- Não danço porque não me apetece. Não danço e não danço! - respondeu ela friamente,
libertando-se com um repelão.
Lá atrás, os compinchas do mariola começavam a fazer-lhe negaças, e o burburinho crescia.
- E fique o senhor sabendo que só fiz isto para que aprenda a não fazer pouco de meninas sérias. A minha irmã é muito jovem e não se apercebe, mas se quiser andar em troças, procure outra família, não se venha meter com a minha - disse, com a maior serenidade.
O marialva fez-se da cor de um pimentão. Sufocado, humilhado, só conseguiu balbuciar:
- A menina merecia que lhe desse aqui duas bofetadas !...
- Pois dê! Ora dê, que ficam todos a saber quem o senhor é.
Não se atreveu, ora pois. A avó virou-lhe as costas, como um toureiro vitorioso, e assim desmascarou publicamente o playboy das dúzias.
 E o chocolate? - perguntava eu.
- "Comi-o!" - respondia invariavelmente a avó, que nunca perdeu o gosto por essa guloseima, nem depois de já ter netos...

            



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