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Saturday, January 5, 2013

A baixa cotação da Bondade

                                 
Não sei se já repararam nisto, mas a Bondade está démodé. Nos nossos dias, não é uma qualidade citada como importante, desejável, ou que provoque inveja a alguém. Antes pelo contrário: ninguém aspira (oficialmente, pelo menos)  a ser bom. Hoje quer-se o homem ou mulher de sucesso - beleza, inteligência, riqueza, sensualidade, estilo, invencibilidade, são as qualidades a adquirir a todo o custo.
 Características que antigamente faziam par com tudo isto em certos heróis ou heroínas de romance - honra, nobreza, bondade - são descartadas. O "bonzinho" de hoje é, aos olhos do público, três coisas: choné, parvo ou hipócrita, com alguma na manga, porque este é um mundo cão e só quem anda cego pode ser bom. 

 Não podemos negar a máxima Evil is cool. Os vilões ou anti heróis com auto confiança infinita, uma certa dose de suave malvadez e grande poder pessoal são muito apelativos e mais interessantes do que personagens fofinhas e bidimensionais - porque afinal, estão mais próximos de nós. Ninguém é perfeito. 

    Mas em exagero, tudo é mau - e o cinismo instalou-se de tal maneira que já ninguém é apresentado como "bom" sem que isso suscite desconfiança. Ninguém é imitado ou admirado por ser bom. Até nos contos de fadas, que expressavam as qualidades a copiar, hoje as princesas deixaram de ser boazinhas - são valentes, aguerridas, desbocadas, modernaças, mas Deus nos livre que se perceba que são "boazinhas" apesar de estarem indubitavelmente do lado do "bem"... ou da razão, vá.  Alguma versão de um conto começa, nos dias que correm, por " era uma vez uma princesa muito bela e bondosa?". Não. Deus nos livre.

 Até o conto de fadas mais clássico vem tingido, actualmente, de piadas à Shrek, revestido de ironia. D. Nuno Álvares Pereira, Amadis de Gaula, S. Miguel Arcanjo, Joana D´Arc - só para citar alguns heróis/santos/guerreiros que conjugaram valentia com bondade - não teriam qualquer hipótese no panorama cultural de hoje.

 É certo que cada vez mais se compreende - e se procura demonstrar, numa perspectiva realista, menos idealizada - que pode haver *algumas* áreas cinzentas (ou dois lados da situação)  quando se fala no "Bem" e no "Mal". E para se ser boazinha não tem de se ser, necessariamente, ingénua ou pateta alegre.

 Mas descartar a Bondade enquanto qualidade humana, catalisadora de uma certa aura, parece-me demasiado - e impede as pessoas de meditar nela, de reparar nela, de aspirar a ela. Numa sociedade cada vez mais veloz, cada vez mais distraída, cada vez mais voltada para o individualismo, isso não me parece boa ideia. A bondade, como qualquer dom, precisa de ser exercitada, cultivada, posta em prática.  Se for esquecida...não será usada. A bondade é camuflada com eufemismos: "boa pessoa", "simpático", "solidário", " amigo da ecologia" (algo muito em voga, de forma assaz redutora e postiça) " responsabilidade social" (associada, na mente do público, a uma troca de interesses). Bondade parece um palavrão. Em termos de Relações Públicas, é péssimo. E isso é desastroso, pois é do exercício da bondade que nascem a sensibilidade e a empatia. O pior é que sem empatia, sem a capacidade de se colocar no lugar do outro, a sociedade 
torna-se uma selva. Não se pretende uma bondade seráfica, palerminha, ascética, impossível. A bondade de um Cavaleiro Templário (sou muito bom, muito bom, mas se me fazes mal vai tudo raso) serve perfeitamente. Mas se fazem favor, devolvam-nos a Bondade. Faz muita falta.

Peter O´Toole dixit: um verdadeiro cavalheiro


"(Words are important...) If you cannot say what you mean, your majesty, you will never mean what you say and a gentleman should always mean what he says."

em O Último Imperador

Sempre gostei muito do grande actor (irlandês-escocês) Peter O´Toole.  Um verdadeiro senhor, com perfeita beleza patrícia do alto do seu 1,91, que sabe de cor todos os sonetos de Shakespeare, lê poesia todas as noites, é fã de rugby e responsável por trazer a público a velha e bela canção folk irlandesa Carrickfergus. E se é um dos poucos actores da sua geração a não ter sido armado Cavaleiro, é porque ele próprio recusou a honra, por motivos políticos e pessoais.  É um romântico assumido e para o bem e para o mal, um verdadeiro poeta - afirmou ter "estudado apaixonadamente as mulheres por anos e anos, sem ter descoberto nada".  Como bom irlandês, a combinação de álcool, paixão e poesia não lhe fez muito bem à saúde,  nem ao coração (a mulher, a actriz galesa Siân Phillips, sofria tanto com o seu temperamento e ataques de ciúmes que acabou por abandoná-lo por um amante mais jovem). Em 2003, a Academia decidiu agraciá-lo com um Oscar pelo seu contributo para a indústria do cinema. O actor quis recusar, dizendo "que ainda estava no jogo e gostaria de tentar ganhar esse maroto por direito próprio" mas responderam-lhe que lhe atribuiriam o Oscar quer ele quisesse, quer não. 
 Com qualidades e defeitos (mas defeitos galantes, bem entendido) Peter O´Toole representa a essência de um verdadeiro senhor. Por isso, adorei desde a primeira vez o trecho acima, de O Último Imperador, um dos filmes que me marcaram. Toda a vida ouvi que "a palavra de um homem vale um escrito". Um cavalheiro não tem de ser perfeito - é humano, logo está sujeito a falhas e fraquezas. Mas se a sua palavra não vale nada, se dá o dito por não dito, se diz coisas da boca para fora - e pior, se pronuncia palavras vãs a uma mulher para dali a pouco, fingir que não disse nada - se enfim, não tem uma palavra de honra que dê como garantia da sua pessoa, então é um cobarde, logo, menos do que um homem e nunca um cavalheiro. Ser inconstante, usar de frases dúbias, um dia sim, um dia não, é uma garotice que se pode perdoar  a certas mulheres...a quem a nossa cultura atribuiu, por séculos, um carácter misterioso e volúvel, uma natureza mutável e frágil, sujeita às luas e aos ventos. 
Hoje as coisas já não são bem assim e as palavras têm, infelizmente, menos peso do que noutros tempos - o que é estranho, considerando que tudo o que se escreva na internet fica registado ad aeternum. Mas um homem do século XXI que tenha muita vaidade na sua forma de estar, que goste de agradar e cultive bonitas maneiras, não pode esquecer esta regra, que é uma das mais importantes, pois sem ela, tudo não passa de teatro. Se nunca consegue expressar a sua intenção, então tudo o que disser é vão; um cavalheiro deve dizer SEMPRE aquilo que realmente pretende dizer...
 E todas as desculpas para contrariar isto são mera basófia - um traço inerente à natureza masculina, mas que um cavalheiro deve, a todo o custo, moderar.


Friday, January 4, 2013

Começa a cansar: o Vestido Verde da Gucci

    
Adoro verde esmeralda, que supostamente é das cores que melhor vão com o meu cabelo e vai ser "a cor do ano". Estou muito contente com o regresso dos vestidos longos. Dos vestidos de veludo.  Dos vestidos longos de veludo, que tinha ali uns quantos guardados sem me atrever a usá-los e para ocasiões formais dão muito jeito. Do devoré e do martelado. Das mangas compridas. Do decote em V, que é um dos meus preferidos. Mas tenham paciência, começo a ficar um bocadinho cansada de ver este vestido, numa só cor e modelo (mais comprimento, menos comprimento)  em tudo quanto é capa de revista, passadeira encarnada e celebridade. Façam uma pesquisa no Google por Gucci green velvet dress e vão ver - não houve alma "conhecida" que não desfilasse o modelo por aí.

Até porque...calma lá, não é um vestido tão fácil de usar como parece. Precisa de ter o decote colocado ao milímetro e as bainhas bem medidas. E quase todo o veludo marca um pouco, logo exige os seus truques para não aumentar visualmente nada que não se queira que pareça maior do que é. Obrigada, Gucci, por popularizar boas ideias, mas para mim já chega. O mais curioso é como numa colecção tão espectacular, das mais marcantes dos últimos anos (recordem aqui) só uma peça deu tanto nas vistas. A versão mais curta, pelo menos, foi feita também em azul-petróleo, mas não teve metade do impacto, vá-se lá saber porquê. Pessoalmente, prefiro mil vezes o modelo verde-preto, com manga bishop e decote off-the-shoulders da imagem em baixo, à direita. Menos risqué, igualmente glamouroso e muito mais discreto...


velvet dress – fall winter 2012 gucci


                             

3ª Resolução brilhante do Ano Novo: Pollyana com juízo

                                            
Regra para bem viver que às vezes deixo passar: as coisas a que damos atenção multiplicam-se. Lembram-se da personagem Pollyanna, que jogava o "jogo do contente" e tentava sempre ver o lado bom das coisas chatas que lhe aconteciam? Hoje, Pollyanna é um termo usado para classificar uma pessoa optimista,  um pouco pateta alegre até. Tudo se quer na medida certa. Embora a minha tendência para diagnosticar a raiz dos problemas e as causas que levam ao instalar dos padrões negativos tenha muita utilidade (é péssimo viver com coisas a atrapalhar cá por dentro, e a causar confusão na nossa vida) é muito mais agradável reparar nas coisas boas. Não é saudável nem normal andar sempre contente. Uma pessoa precisa de exteriorizar e analisar os factos para avançar na vida. Mas o cinismo, a desconfiança constante e a mania de ver tudo à lupa também nos tolhem a capacidade de descontrair, obrigam-nos a andar de cenho carregado, a dar muito mais importância às coisas ou pessoas que nos chateiam, que nos trazem aborrecimentos, do que às coisas maravilhosas que andam por aí à nossa espera.
 Amor com amor se paga. Há que valorizar, estimar, olhar com olhos de ver as pessoas, coisas, acontecimentos, novidades, palavras, oportunidades e ocasiões que nos aquecem o coração. E ao reparar nelas, falar nelas, atraímos mais dessas coisas, porque a Sorte é mesmo assim: gosta de estar com gente feliz, serena, que irradia boas vibrações.
 Este ano quero aproveitar, com todo o empenho, o que me dá felicidade e me faz bem, em vez de pensar "ora, se tivesse mais isto e aquilo...ou "se aquele outro assunto deixasse de me aborrecer..." pois quanto mais alegria temos, menos poder damos aos aspectos tristes, que se apesar dos nossos esforços não tiveram solução, talvez se afastem ou se resolvam por si mesmos. Mirram sozinhos, por falta de quem os alimente...
 Em relação a essas coisas negras, ou pessoas que só incomodam, há que aplicar, com afinco, o Jogo do Contente:

" Isto não presta para nada, não vale um chavo, só me causou desgostos...MAS ESTOU CONTENTE porque me livrei do imbróglio".

" Tenho muita pena que as coisas terminem em sais de vinagre (ou águas de bacalhau) mas ESTOU CONTENTE porque o assunto já não me diz respeito".

"Até sinto falta de X ou Y, MAS ESTOU CONTENTE porque já não preciso de me afligir com as maluqueiras que fará a seguir, e estou livre do stress que isso me causava".

Tudo na vida é uma questão de perspectiva e opção. Há que estar contente porque embora não possamos controlar certos factores exteriores, o poder sobre essas duas ninguém nos tira. Escolhamos aquilo que é fantástico para nós.



Hoje na Revista Activa








Mais uma crónica, com as minhas dicas para visitar os centros comerciais (e não só) nos saldos.

Já é seguro voltar!!!! O Malware foi-se embora.

                                            
Apesar de o Google jurar aos pés juntos que o blog não tinha nada, alguns leitores continuavam a receber avisos. Como não queria estar 72 horas com um blog na fama de espalhar doenças e achaques, fiquei até agora a bater no ceguinho, a ver se resolvia o sarilho.
 Por fim lá se fez luz na minha cabeça - apesar de ter eliminado o blog que andava a transportar danos para aqui, a lista de blogs que sigo ainda devia ter o código malicioso algures. Uma vez que não conseguia achá-lo nem com Googlebot nem com responsos, o remédio foi eliminar temporariamente a gadget. Continuo a acompanhar os vossos blogs via reader e dentro de dias espero repor as actualizações no sítio do costume. Passei um serão de nerd mas pelo menos o problema está resolvido. A todos, desculpem a maçada.

Thursday, January 3, 2013

O anúncio "medieval" do Cif

Há instantes, tinha eu a TV ligada e espreitei um spot que estava a dar, estilo Shrek, com castelinhos e cavaleiros: ninguém consegue limpar um caldeirão sujíssimo, até que aparece um Amadis em armadura reluzente, apetrechado com Cif. Claro que pensei " olha que anúncio tão giro" (até porque o Cif é dos poucos produtos realmente bons, principalmente para quem não faz o tipo fada do lar).
 Não encontrei a versão portuguesa, mas podem dar uma olhadela no vídeo acima. Continuei a achar piada até que o cavaleiro é coroado....RAINHA do castelo. Vamos lá ver - eu sou a última pessoa que se pode chamar feminista, mas tudo tem limites. Que na Idade Média ou vá lá, na década de 50 fosse suposto as mulheres tratarem da casa, sozinhas ou com ajuda de pessoal contratado para o efeito já que por razões que agora não vêm ao caso não tinham outras opções, ainda vá que não vá. Mal ou bem, os maridos é que sustentavam o lar e era justo que elas fizessem a sua parte. Mas hoje em dia, que as mulheres saem de casa para ter uma carreira e as despesas são compartilhadas, isso já não bate certo.  É por isso que eu digo, embora não me caia bem, que as feministas não sabem o 31 que arranjaram com a brincadeira da "igualdade": antigamente era suposto trabalharem só em casa; agora continua a ser suposto trabalharem em casa, com oito horas, quando não é mais, de trabalho fora de casa. É que foi mesmo acreditar no Pai Natal e não perceberem os brutos com quem estavam a lidar. Trocaram-nos as voltas, foi o que foi. Bonito serviço. E ainda estou para perceber qual era o problema de o cavaleiro ser um homem, e se lhe caíam os parentes na lama por arear a própria armadura. Em boa verdade, os Templários não eram casados, não sei como se arranjavam sem mulher e sem Cif...

An education

                       
Está em português do Brasil, podia perfeitamente estar no nosso. O exemplo é ilustrado por uma personagem feminina...mas não se aplica só às meninas. A gravidez na adolescência, que aqui aparece, nem sempre é a consequência final de uma educação permissiva, acompanhada de pouco critério: é um dos resultados possíveis, e atrever-me-ia a dizer, poderá nem representar o pior todos os cenários. 
     Embora eu defenda uma educação  que equilibre a autonomia com uma certa disciplina, creio que cabe aos pais seleccionar e clarificar comportamentos e conteúdos. Acima de tudo, orientar e ensinar pelo exemplo - usando a autoridade de que dispõem, enquanto "chefes do lar" para seleccionar os programas, informação, distracções e companhias mais saudáveis e edificantes. Falando por mim, os meus pais poucas vezes me proibiram de ver, ouvir, ler ou mesmo fazer isto e aquilo. 
     Obviamente passei pelos filtros "ainda não é para a tua idade" (tudo tem limites) mas sobretudo, certas ideias ou programas da moda eram expostos a uma crítica consciente. Quando as boysband estavam na berra, eu sabia perfeitamente que eram produtos de casting, preparados para agradar a um certo público. Os Beatles já tinham feito as meninas arrepelar os cabelos no seu tempo, e já nessa época tanta histeria era mal vista. Nada havia de original naquele formato. Como em casa se tinha cultivado o hábito de ouvir boa música, eu sabia reconhecer "ídolos a martelo" quando os via. Dava-lhes o desconto - conhecia coisas melhores. Nunca caí em idolatrias. Fui ensinada, à inglesa, a questionar tudo, a nunca aceitar o que era tido como "bom" só porque sim, sem perguntas. Ser nova não era desculpa para ir com a carneirada. Em casa nunca ouvi " não faças isto porque é imoral". Mais facilmente me diziam "não faças isso porque é uma parolada" e assunto resolvido. Vi, com horror, popularizarem-se as Superpops e Bravos com erros de tradução e ortografia, artigos manhosos "conquista o teu gato" destinados a rapariguinhas de doze anos - e eu, que me deliciava com revistas de moda (e com a Grande Reportagem que o pai me passava, sugerindo-me os artigos mais giros) benzia-me e persignava-me. A extinta Ragazza, que era uma revista bem escrita e assaz requintada, também dizia " como planear um fim de semana com o teu namorado" mas deixava claro que o dito cujo, tendo carro para levar a tenda, teria pelo menos mais de 18. As primeiras impunham como natural um comportamento desmiolado; a segunda era para uma pessoa sonhar.
 Quanto a achar-se muita graça quando uma criança diz palavrões, ou perguntar-se, muito  a sério, a criancinhas da primária "quem é o teu namorado"...nem comento.
 Na época das redes sociais, mais atenção é necessária. Espanto-me quando vejo pais que se orgulham de ter uma certa cultura a achar piada que os filhos pequenos vejam ao pormenor a Casa dos Segredos e partilhem com o mundo o seu apoio a este ou aquele "concorrente" via Facebook (que belos modelos de comportamento!); ou que a filha adolescente exponha dia sim dia sim, perante colegas, familiares, professores e amigos, os seus desgostos, aventuras e intimidades com o namorado número 33, ou palavras lânguidas sobre o Justin Bieber (coisa anti natura, mas quem sou eu...). Que antigamente os pais não soubessem de certas aventuras e depois houvesse surpresas, ainda vá. Hoje não há desculpa - e além do perigo, existe a necessidade de evitar figuras tristes em público...



Aviso do dia! Malware resolvido

Nesta altura do ano é normal haver mais agitação, pelo que não tenho conseguido responder aos vossos comentários que tanto gosto de receber nem passar algum tempo a ler  comentar os blogues que sigo. Não é o meu costume, e hoje esperava que tudo regressasse à normalidade. Eis que os meus planos foram por água abaixo ao deparar-me com malware vindo de um blog estrangeiro muito conhecido, que por sua vez o tinha "apanhado" de um site que eu de resto, nem sigo...
 Resumindo: uma tarde inteirinha gasta a tratar desse pequeno aborrecimento. Segundo a engenhoca do Google para webmasters (ena, sinto-me tão inteligente)  essa maravilha descomplicada (piu), o Imperatriz não está afectado, não tem nada, mas o aviso pode continuar a aparecer durante alguns dias. Agradeço a vossa compreensão e se tiverem sugestões para lidar com o problema de futuro/ notícias de outros blogs que estejam a ser afectados/ desabafos e pedidos de socorro, let me know.


Wednesday, January 2, 2013

2ª resolução do Ano: fora com os fretes

                              

Durante os últimos dois anos, a minha intolerância ao frete foi crescendo, proporcionalmente à confirmação de que na maior parte das vezes, não se ganha nada com isso. Como a vida é preciosa demais para desperdiçar em situações que não me agradam ou com pessoas que me fazem urticária, está decidido.

A não ser em situações profissionais extremamente delicadas (afinal, lidar com conflitos é, por vezes, parte do meu trabalho) acabou-se:

- Privar com companhias que me desagradam, a bem da convivência pacífica (ou pior, para fulano ou beltrano ficar contente).

- Aceitar regras ou comportamentos com os quais discordo profundamente.

- Não reagir a coisas que me afectam, mas feitas veladamente, porque "não tenho pretexto para o fazer", "não é suposto dizer nada" ou "a situação não é oficial". Uma pessoa sente o que sente, reage de acordo e não tem de se desculpar por isso.

- Usar o desprezo, o cold shoulder ou a condescendência desdenhosa como panaceia contra pessoas desagradáveis. É um recurso útil, mas não serve para tudo e muitas vezes, a palavra é de ouro.

- Ficar quando não me apetece, para me lamentar depois. A vida ensinou-me que quando algo nos dá volta ao estômago, é altura de sair rapidamente: à francesa, estilo Houdini, em grande...mas desaparecer e assim, evitar revezes maiores.

- Ignorar a minha habilidade inata para dizer um redondo "NÃO" àquilo que me contraria.

Por isso, fica escrito para ninguém se espantar depois. Não ao frete, acabaram-se os fretes, morram os fretes, não se permitem fretes, fretes só no dia 31 de Fevereiro e na semana dos nove dias, queres fretes....*gesto à Zé Povinho* etc, etc.

O self made man



“Self Made Man” por Bobbie Carlyle

Ontem, num blog amigo, a propósito de meninas que até conseguem disfarçar - por instantes, claro - a grosseria que lhes é inerente vestindo e penteando-se muito bem,  citava eu o velho dito americano "You can take the girl out of the trailer park, but you can´t take the trailer park out of the girl".


O "fundo" é uma coisa complicada de perder.

Para evitar equívocos, começo por dizer que admiro profundamente as pessoas, homens ou mulheres que se reinventam e que, por  vias honestas, se elevam materialmente além do meio em que nasceram - mas que, mais importante do que isso, têm inteligência e espírito para acompanhar o processo "self made man/woman" com uma evolução interior. 

Esses indivíduos são raros e excepcionais: não só têm espírito empreendedor como uma singular capacidade (bem como a serenidade e humildade necessárias) para assimilar gostos, maneiras de estar, posturas, conhecimentos e vocabulário que os colocam a anos luz do ponto de partida. Muitos são dotados pela natureza de uma beleza patrícia e/ou um intelecto brilhante. Mas mais do que isso, têm delicadeza de espírito para, conforme "sobem na vida" (termo execrável) não caírem nos erros do mau gosto, da ostentação, da mesquinhez ou da vaidade bacoca, própria de quem nunca está à vontade e precisa de provar alguma coisa. 

Repito, no entanto: por desagradável que seja dizê-lo, esses são os casos dignos de nota. Numa sociedade como a nossa, ferozmente materialista, de memória curta, com ignorância compensada a martelo e em que tudo se compra e se vende (menos gosto e educação, mas lá está - os estímulos são tantos que pouca gente repara nisso) uma grosseria ligeira pode passar despercebida. Afinal, o "verniz" superficial  da instrução e dos cartões de crédito está acessível a qualquer um, e tudo se desculpa. Se uma pessoa pode ganhar um reality show assustador e ser considerada uma "celebridade" para quê ser exigente com o comum dos mortais?

A um observador atento, porém, as manobras de disfarce denunciam rapidamente o seu dono. Os sinais são inúmeros: o licenciado que se faz tratar por "doutor" e dá pontapés na gramática, a dondoca que casou bem mas na primeira oportunidade desata aos gritos com os empregados em público (perdendo imediatamente o sotaque cuidadosamente treinado) uma tolerância alarve a divertimentos grosseiros combinada com um pretensiosismo bacoco e artificial...não é por acaso que o bom povo, na sua sabedoria genuína e lúcida, avisa:

                       "Nunca sirvas quem serviu, nem peças a quem pediu" ou " se queres ver o vilão, põe-lhe o chicote na mão"

Depois há, em diferentes graus, o extremo oposto: quem tem `berço´, foi abençoado com um ar racé, tomou chá em pequenino, recebeu a mais esmerada educação  - tudo traços que não se desvanecem facilmente, por muito que a ruína bata à porta de alguém ou atormente uma família por gerações- e ainda por cima, dispõe de meios. Esses, o oposto do "self made man" nascem com um pesado fardo: o de não deslustrar o brilho em que nasceram. 

A um Cristiano Ronaldo da vida, ou a um rapper famoso nascido no bairro da lata, 
 perdoa-se facilmente o deslumbramento, a má criação, o excesso, a ostentação, a entourage ridícula, os modos de playboy desgovernado, as más companhias, as figuras tristes. É um self made man bem sucedido, não daqueles excepcionais (nota-se perfeitamente de onde veio) mas um que se elevou sobretudo no aspecto material. É bom no que faz, não se lhe pede mais, dá-se-lhe o desconto, o público diverte-se com os seus acessos de vedetismo e de má criação. 

Ao seu contraparte bem nascido, exige-se outra coisa: alguma classe na sua rebeldia (enquanto tiver idade para isso - depois, torna-se ridículo) discrição, saber estar, critérios de selecção.

Em suma, os privilégios são leves de ter e pesados de manter. A quem não tem obrigação para mais, não se lhe exige nada além do suficiente para não cair a pique. Tudo se desculpa. 

Que quem nasceu malcriado continue a proceder assim, é natural.

Mas que quem foi super bem criado se rebaixe aos comportamentos de uma heroína de reality show, jogador da bola, cantor pimba milionário ou trolha bêbedo feito comendador, isso já não é aceitável. O mínimo que se pede a quem teve todas as oportunidades é um esforço para dar bons exemplos. Em casos assim, resta esperar que o ditado americano funcione ao inverso (e que o "fundo" acabe por ter mais força, gerando acessos de juízo e boa educação). Ou isso, ou concluir que a genética e o meio têm pouca ou nenhuma influência (em determinadas cabeças, pelo menos) face aos estímulos de uma sociedade que faz vista a grossa a tudo, desculpa tudo e permite tudo, desde que haja dinheiro (novo ou velho, honrado ou não) pelo meio. Mas isso é assunto para outro dia.






Analisando os must haves dos saldos, segundo Net-a-Porter (e os meus palpites)



Como de costume, a Net - a - Porter faz-nos chegar a sua revista virtual - coisa mágica e com poderes demoníacos irresistíveis - e desta feita, com a "hit list" das compras mais importantes a fazer nos saldos. Ou seja, as peças que assinalam as tendências marcantes e que por si mesmas, actualizam o guarda roupa. Algumas concordo que são excelentes investimentos, outras...eu recomendaria encontrar versões mais acessíveis, já que ficarão datadas muito depressa. Ora vejamos:

Jonathan Saunders Phoebe cashmere-blend sweater1- Malhas ousadas (a.k.a. camisolões tão horrorosos que são giros)
Já os mencionei aqui e são uma alternativa mais duradoura às sweat shirts XL estampadas, estilo fato-de-treino espacial dos anos 80, de Kenzo e Balenciaga. Quem é viciada em malhas e gosta de cores fortes deve investir numas quantas, já que este Inverno há uma abundância de modelos e padrões bonitos. Quem procura apenas uma peça trendy para actualizar o look mas não se vê a usá-las assim que a febre passar...é melhor procurar uma versão acessível e bastante berrante, que grite "perdida por um, perdida por mil".






Victoria, Victoria Beckham Harlequin crepe dress2- O Vestido 24 horas
Elegante, mas descontraído; colorido, mas de corte sóbrio. Um vestido versátil, que se possa usar para trabalhar, para uma reunião formal ou para um cocktail, modificando o calçado e os acessórios, é um óptimo investimento que sobrevive a várias temporadas. De aproveitar os de manga comprida, algo que andava fora de alcance há uns anos (nunca percebi o propósito dos vestidos sem mangas para o dia a dia no Inverno) mas agora está, felizmente, em todas as lojas.









Lanvin Ruffled velvet dress3 - O vestido (ou peça chamativa) de Festa
Numa temporada tão exuberante como esta, a regra é aproveitar para adquirir roupas e complementos especiais e festivos. Tenho dito isto muitas vezes mas nunca é demais lembrar, porque as toilettes formais tendem a desaparecer das lojas quando realmente precisamos delas. O desafio está em escolher modelagens clássicas, que não fiquem rapidamente démódé. O uso e abuso do peplum, por exemplo, parece anunciar que a tendência não durará muito mais, por isso não convém gastar "couro e cabelo" em peças desse género. Por outro lado, modelos difíceis como esse - ou que tenham qualquer tipo de enfeite chamativo, como os frou frous deste Lanvin lindíssimo - exigem boa qualidade para resultar como devem. É um equilíbrio complicado por isso impõe-se pouca pressa, obedecer aos gostos pessoais de longa duração e experimentar meticulosamente antes de levar para casa...


Clements Ribeiro Printed silk pants

                                     4 - As calças estampadas
Apesar de estarem em todas as lojas, as calças floridas (ou com outras estampas) e os fatos-pijama não invadiram as ruas como outras tendências (calções, tachas...) por isso talvez ainda se vejam por aí mais algum tempo. Recomenda-se um investimento moderado, se gosta mesmo delas. Se caírem em desuso, poderá sempre usá-las como lounge pants elegantes para estar em casa...










5- A carteira de cocktail

Aplica-se o mesmo que foi dito em relação às peças festivas: este ano há imensa escolha e uma clutch (ou carteira de cocktail maior) é coisa que dificilmente passa de moda. Por isso aproveite para comprar as que puder e tiverem mais a ver consigo. Pessoalmente, embora me perca por clutches, sendo uma peça que é sempre frágil (e geralmente, em tecido) acho boa ideia adquiri-las em marcas que tenham preços simpáticos (mas que nem por isso fazem modelos menos bonitos) tendo  em atenção se a sua execução é de boa qualidade. Assim não me aflijo tanto se manchar ou sofrer um arranhão nas minhas tentativas de encafifar lá dentro telemóvel, pó de arroz e tudo quanto há. Prefiro investir mais nas carteiras de todos os dias, que precisam de ser resistentes e têm maior diferença de marca para marca. No entanto, se houver uma (ou mais, vá) que a faça perder a cabeça e tem essa possibilidade, é sempre bom ter alguns modelos realmente especiais, que a façam sentir que tem nas mãos algo precioso.

6 - A Parka de penas
Este ano impôs-se uma peça que eu já via nas ruas há algum tempo (tinha inclusive dois ou três modelos semelhantes em casa) : a parka elegante, mas descontraída. Ou em bom português, um "kispo" chic que pode integrar um visual requintado. Resulta inesperadamente, além de poder sempre ser usado da maneira habitual - com jeans e botas, por exemplo. É uma peça leve, confortável, quentinha e versátil, logo a sua compra será determinada pelo gosto individual...se aprecia este tipo de agasalho, é uma boa altura para arranjar mais um.


Proenza Schouler Woven-paneled leather ankle boots




7 - As botas "statement"
Pessoalmente considero as da imagem terríveis, mas ilustram bem a ideia. O calçado tem sido tudo menos modesto, o que é óptimo para quem, como eu, prefere manter um visual depurado e ousar um pouco nos acessórios. Os moldes e saltos confortáveis são, para mim, as maiores vantagens dos modelos que temos visto. Considero mais sensato apostar em calçado com um pouco de arrojo, mas não demasiado óbvio. É um óptimo ano para botins, botas e sapatinhos diferentes, mas pondere sempre se continuará a gostar deles daqui a algum tempo e se não fogem demasiado ao seu estilo habitual.



Matthew Williamson Embroidered wool-blend cape-style coat


8 - A capa com (ou mesmo sem) aplicações
Ainda ontem falámos nas capas, capinhas e capotes: são um dos melhores investimentos a fazer pois mesmo que saiam de moda, pode sempre usá-las com vestidos de gala ou cocktail. 













Clements Ribeiro Folk Candy printed silk skirt                                      9 - A saia especial
As saias lápis ou a alternativa em balão - com estampados, aplicações e texturas -  regressaram em força no Verão passado e nunca mais saíram de cena. Ainda bem, porque permitem toilettes infinitas e são de uma elegância intemporal. Servem para criar um look ladylike ou, complementando-as com algo mais edgy, conseguir um ar irreverente. Vale comprá-las em quantidade para usar por uns bons tempos...ou mesmo assaltar os roupeiros das avós e das tias.








                          10 - As sandálias gráficas
Apareceram no Verão mas não chegaram a cansar. Como tenho umas que mal usei, dificilmente arranjarei outras: considero que umas sandálias em colour block bastam. Mas quem ainda não tem pode pensar nisso: permitem dar um ar engraçado e à moda a looks simples, e como o estilo boho/folk vai voltar, casam bem com as cores vibrantes, ao mesmo tempo que lhes emprestam um toque mais actual. Várias marcas acessíveis criaram modelos em veludo, por isso convém espreitar o comércio tradicional ou mesmo as lojas online coreanas, férteis em peças deste género.




E ainda.....


Como em termos de peças statement estou bastante bem servida, devo aproveitar as promoções para comprar artigos que uso habitualmente e que nunca são demais, e uma ou outra coisa que me apaixone. No entanto,estou encantada com estas camisolas suite Blanco. Dependendo da sua composição, sou bem capaz de me deixar tentar...





         

Tuesday, January 1, 2013

Muda-se o ano....e muda-se o vestido.

                             

A minha Passagem de Ano foi festiva mas pacífica como eu gosto, embora com alguns ajustes ao plano inicial. No entanto, certas "limpezas de última hora" que tencionava fazer não chegaram a ser necessárias, o que foi um sinal favorável: as surpresas boas estão ao virar de cada esquina, e muitas vezes as coisas são melhores do que julgamos. Este ano espero prestar mais atenção ao meu círculo - dando alguma abertura a pessoas novas, e equilibrando a minha fé ou confiança nas que conheço bem. Preciso de filtrar, de reflectir e de equilibrar polaridades entre a minha costumeira lealdade, a flexibilidade e o momento certo de deixar as coisas para trás. Essa é uma das minhas resoluções/desejos de Ano Novo.
 E por falar em flexibilidade, bem precisei dela para sair de casa no Reveillon. Pedi-vos a vossa opinião e como só sou comentada por gente amorosa, vocês ajudaram e foram unânimes na escolha do vestido preto e dourado. Mas este, afinal - apesar do oversized estar em voga -  não estava ajustado à perfeição, como eu julgava.  Vai ter de visitar novamente a costureira, para que eu o possa usar ainda nesta temporada (e falar-vos um bocadinho dele). Por vezes temos mesmo de ser ágeis no que concerne às escolhas - e novamente, valeu-me a minha regra "para ocasiões especiaisnunca destines um outfit"
 Acontece que depois de me ver envolvida em cores tão ricas, o brocado azul e prateado pálido que também tinha escolhido pareceu-me um pouco tristonho. Pensei então em experimentar algo mais vibrante. 
Este Vera Wang cor de rubi com aplicações estava guardado há uns tempos, e se há momento certo para usar algo tão auspicioso, é a viragem do ano. Se na maioria das situações opto pela parcimónia, quando se trata de momentos-chave gosto de os assinalar com um bocadinho de brilho. Ele tem um formato ligeiramente mais solto do que costumo usar, quase renascentista. Mandei ajustá-lo para cingir devidamente a cintura mas como podem ver, é bastante rodado. Juntei-lhe um bolero vintage de veludo espesso, uns pumps valentes (pois estava a chover a potes) e uma clutch Parfois, também de veludo. A marca portuguesa faz clutches lindas, do tamanho certo e super resistentes (eu sei do que falo, não as poupo a bastante tralha...).


E o que vestir por cima disso tudo sem atrapalhar, já que o frio não estava para brincadeiras? Nada como um clássico que é também uma forte tendência deste ano: a capa longa. Com carapuço e mangas soltas, também pode ser usada só sobre as costas. Esta veio de uma loja especializada, mas casas como a Gucci apresentaram-nas nas suas colecções de Inverno e apesar de não estar a ser fácil, pode ser que ainda apareçam algumas nos saldos, em versões griffée ou mais acessíveis. É um investimento que, a par com um bom sobretudo, serve para muitos e bons anos.
 Depois de uma noite de festa e agitação, para o almoço de Ano Novo nada como estar confortável, com um dos items de elegância mais fofinhos e versáteis de todos os tempos...evocar o espírito de Coco Chanel  não pode trazer senão coisas boas. Junte-se uma blusa preta de seda, calça cigarrette folgada e um casaco curto em lã, para equilibrar o salto kitten do sapato...et voilá, pois para estar em família (e ainda cansada...) não é necessária muita cerimónia.

  

Primeira constatação brilhante do ano

                      
É impossível ver qualquer  coisa relacionada com Sex and the City perto do meu irmão. Ele vota um verdadeiro ódio de estimação a Carrie e companhia, e entra automaticamente em modo verborreico indignado impossível de conter, com uma chuva de reparos e insultos às personagens, ao guião e ao elenco. Dos argumentos "elas já não têm idade para se comportar que nem umas doidas" a acusar a série de ser um verdadeiro foco difusor de ideias pretensiosas que passam por pôr a mulherada desmiolada a imitar parolamente e à força o estilo de vida "Nova Iorquino" e fantasioso retratado na série, aquilo é um rosário de embirrações e não há quem o cale. De dez em dez segundos lá lhe sai um "grrrr, isto é tão estúpido, ó Meu Deus" e se eu estiver com sorte, acaba por se levantar do sofá para fazer outra coisa. Ainda por cima, com excepção da Charlotte, acha-as todas feias, umas verdadeiras marafonas. E não vale a pena replicar com " deixa lá isso, a beleza é relativa" , " já se sabe que a série é um bocado tonta mas é bem escrita e tem fatiotas giras e boa fotografia" ou simplesmente "está calado". Desta feita, mal viu que Sex and the City 2 estava a passar, começou a resmungar (alertando-me, eu que nem sabia, e 
arrependendo-se logo a seguir por ter dado com a língua nos dentes) e não me deixou sossegada. 
Ele: " MAS COMO É QUE PODEM DIZER QUE ESTA MULHER (Sarah Jessica Parker) É BONITA???" 
Eu: Que maldade!!! Ela é fofa e tem muito estilo e uma linda figura e blá blá blá.

Contas feitas à conversa, agora deu-lhe para dizer que Sarah Jessica Parker parece um careto. E que se for ao Entrudo em Trás os Montes (nunca se sabe...) não precisa de máscara e passa bem por um deles. Creio que recordar-lhe algo que ele está farto de saber, que as mulheres não podem fazer de caretos, é argumento que vai cair em saco roto. Em todo o caso, algumas das fatiotas mais espampanantes de Carrie Bradshaw talvez não espantassem  Podence e outras terras senhoras desta tradição, habituadas a franjas, folhos e trapos coloridos de cair volumoso... 



Monday, December 31, 2012

Preparados para o Novo Ano?


Para garantir que entramos em 2013 com o pé direito, vamos lá conferir a lista:

- Lingerie nova, Azul (Sorte) ou encarnada (Amor);
- Comida auspiciosa (mariscos, frutos secos...eu enjoo com as passas, vamos ver se cumpro ou se faço batota).
- Notas e moedas (para atirar ao ar ou forrar carteiras e sapatos).
- Champagne ou espumante bom, para brindar e segurar na mão enquanto se dá saltinhos com o pé direito. Se entornar, é sinal de sorte;
- Velas brancas (luz) douradas (sorte) encarnadas (amor) azuis (saúde) e verdes (prosperidade).
- Apitos ou outros artefactos barulhentos (para espantar os maus espíritos).
- Roupinha nova e/ou de ar luxuoso - branca, dourada, azul, encarnada...as aplicações, bordados e brocados estão na moda, a época é adequada, e adoptar o estilo "Rei Mago" nesta altura do ano não faz mal a ninguém. 

 Que a Boa Fortuna esteja convosco no Novo Ano, com felicidade, segurança, saúde, amor e abundância para todos!

Dicas de estilo fundamentais a lembrar antes do fim do ano:



2012 foi um ano de grandes remodelações, ajustes e arrumações. Depois de bastante trabalho, tenho o closet quase como queria. 
 Aqui no blog, também se falou bastante sobre elegância intemporal, compras sensatas, tirar partido do nosso tipo...enfim, sobre como organizar a nossa roupa, o nosso estilo e a nossa vida para aproveitar ao máximo, sem esforço, com menos custo e tempo os nossos dotes e recursos. Adorei escrever esses posts porque ao fazê-lo, também organizei as minhas ideias e recordei dicas para mim. Por vezes, não cair no "faz como eu digo, não faças como eu faço" é um desafio trabalhoso! O mais curioso é que há sempre coisas a melhorar ou modificar...e quando damos por nós, estamos a acrescentar novas regras ou a reparar em pequenos truques que nos ajudam.
Ontem dei-me conta de mais um, que de certa maneira resume tudo:

Há que arrumar o closet (e tudo o que se relaciona com ele) de modo a deixar as coisas À VISTA. Roupas, carteiras, sapatos, etc...que não se vêem, é como se não existissem de todo. É preferível ter tudo menos dobradinho e compacto (desde que esteja direito) mas manter todas as peças ao alcance dos olhos. Sei que não é fácil quando se tem muita coisa, mas sem isso nada feito.

Outra ideia que me ocorreu no seguimento de uns raspanetes que fui obrigada a passar: há que haver coerência

Ou seja - ou bem que uma pessoa é espartana e prefere ter pouca roupa, mas boa (logo, tem desculpa para repetir muitas vezes o mesmo) ou que compra muitas coisas mas tira partido delas. Ter ziliões de casacos no armário, por exemplo, e andar sempre com os mesmos por preguiça de se aventurar naquela selva, não dá. É um desperdício e na época que se atravessa, é ainda mais necessário dar uso àquilo em que se investe dinheiro. 

Por fim, cada vez mais é preciso espírito crítico no que concerne à moda. Vivemos uma fase de grande criatividade, em que praticamente tudo é permitido, com o regresso de formas, materiais, cores, silhuetas e padrões que há muito tinham saído de cena, e a introdução de constantes novidades. Isso é óptimo porque permite a personalização e a individualidade - mas por isso mesmo, é um pecado que se adoptem cegamente tendências. A Moda está na moda e de repente, toda a gente parece ter algo a dizer sobre o assunto. Os "gurus" e referências multiplicam-se, nem todos com verdadeiro sentido do que é esteticamente correcto, ou mesmo daquilo que é ou não de boa qualidade. Mais do que nunca, exige-se sensibilidade e olho vivo. Só porque o personal stylist das celebridades diz que algo é o máximo, não quer dizer que tenha razão. Como em todas as áreas da vida, nem todos são isentos...e há sempre quem precise de óculos. Ora vejamos dois exemplos de fugir:

                                        
O videoclip da nova cançoneta de Christina Aguilera tem tanto pecado junto que nem sei por onde começar. Não vou alongar-me sobre o ar barato e exagerado dos materiais, cores e maquilhagem: vejam vocês mesmos. Também não vou passar sermões quanto à "classe" dos looks, ou à mania da menina de se apresentar como a última das strippers (sem ofensa às mesmas; estou certa que algumas saberão vestir-se adequadamente nos dias de folga). O mais importante a reter é que por muito bonitas que as curvas sejam, as saias bandage e os vestidos tubo não são a melhor forma de as realçar. Especialmente quando se engordou um pouco...ou bastante.

                                 
Já Alicia Keys não peca tanto por falta de classe - as roupinhas têm bom aspecto - mas por não adequar o que veste ao tipo de corpo. Quando se tem figura de pêra, as saias justas em materiais reveladores/coleantes/reluzentes e as partes de baixo mais claras em relação ao top não são a melhor ideia. A bainha a mostrar a parte mais rechonchuda do tornozelo também não ajuda nada. E se acrescentarmos a isto os decotes e mangas demasiado apertados e fechados, um tamanho mesmo, mesmo à justa para o seu corpo (para não dizer que vestiu o tamanho abaixo do seu) e o cabelo colado à cabeça, o resultado é que em vez de uma menina bonita com fatiotas de designer, temos uma salsicha entrangulada em película plástica.

Agora reparem no alcance destes videoclips, nos milhões de telespectadoras que vão achar estes visuais "inspiradores" e tentar fazer o mesmo em casa. Depois temos o terror nas ruas...
 Por isso, pessoas sensatas e de gosto, desejo a todos nós bastante sense of style, criatividade e sensibilidade, para encher o Ano Novo que aí vem com muitas páginas de elegância. Happy New Year!





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