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Thursday, January 3, 2013

An education

                       
Está em português do Brasil, podia perfeitamente estar no nosso. O exemplo é ilustrado por uma personagem feminina...mas não se aplica só às meninas. A gravidez na adolescência, que aqui aparece, nem sempre é a consequência final de uma educação permissiva, acompanhada de pouco critério: é um dos resultados possíveis, e atrever-me-ia a dizer, poderá nem representar o pior todos os cenários. 
     Embora eu defenda uma educação  que equilibre a autonomia com uma certa disciplina, creio que cabe aos pais seleccionar e clarificar comportamentos e conteúdos. Acima de tudo, orientar e ensinar pelo exemplo - usando a autoridade de que dispõem, enquanto "chefes do lar" para seleccionar os programas, informação, distracções e companhias mais saudáveis e edificantes. Falando por mim, os meus pais poucas vezes me proibiram de ver, ouvir, ler ou mesmo fazer isto e aquilo. 
     Obviamente passei pelos filtros "ainda não é para a tua idade" (tudo tem limites) mas sobretudo, certas ideias ou programas da moda eram expostos a uma crítica consciente. Quando as boysband estavam na berra, eu sabia perfeitamente que eram produtos de casting, preparados para agradar a um certo público. Os Beatles já tinham feito as meninas arrepelar os cabelos no seu tempo, e já nessa época tanta histeria era mal vista. Nada havia de original naquele formato. Como em casa se tinha cultivado o hábito de ouvir boa música, eu sabia reconhecer "ídolos a martelo" quando os via. Dava-lhes o desconto - conhecia coisas melhores. Nunca caí em idolatrias. Fui ensinada, à inglesa, a questionar tudo, a nunca aceitar o que era tido como "bom" só porque sim, sem perguntas. Ser nova não era desculpa para ir com a carneirada. Em casa nunca ouvi " não faças isto porque é imoral". Mais facilmente me diziam "não faças isso porque é uma parolada" e assunto resolvido. Vi, com horror, popularizarem-se as Superpops e Bravos com erros de tradução e ortografia, artigos manhosos "conquista o teu gato" destinados a rapariguinhas de doze anos - e eu, que me deliciava com revistas de moda (e com a Grande Reportagem que o pai me passava, sugerindo-me os artigos mais giros) benzia-me e persignava-me. A extinta Ragazza, que era uma revista bem escrita e assaz requintada, também dizia " como planear um fim de semana com o teu namorado" mas deixava claro que o dito cujo, tendo carro para levar a tenda, teria pelo menos mais de 18. As primeiras impunham como natural um comportamento desmiolado; a segunda era para uma pessoa sonhar.
 Quanto a achar-se muita graça quando uma criança diz palavrões, ou perguntar-se, muito  a sério, a criancinhas da primária "quem é o teu namorado"...nem comento.
 Na época das redes sociais, mais atenção é necessária. Espanto-me quando vejo pais que se orgulham de ter uma certa cultura a achar piada que os filhos pequenos vejam ao pormenor a Casa dos Segredos e partilhem com o mundo o seu apoio a este ou aquele "concorrente" via Facebook (que belos modelos de comportamento!); ou que a filha adolescente exponha dia sim dia sim, perante colegas, familiares, professores e amigos, os seus desgostos, aventuras e intimidades com o namorado número 33, ou palavras lânguidas sobre o Justin Bieber (coisa anti natura, mas quem sou eu...). Que antigamente os pais não soubessem de certas aventuras e depois houvesse surpresas, ainda vá. Hoje não há desculpa - e além do perigo, existe a necessidade de evitar figuras tristes em público...



4 comments:

Sara Silva said...

sem dúvida que cabe aos pais evitar muitos desses comportamentos vergonhosos e/ou dos quais os filhos se vão arrepender mais tarde (ou não). no entanto acho que nem tudo é mau - ler a bravo, idolatrar cantores. é verdade que não acrescenta nada ao intelecto, mas faz parte das coisas da adolescência :) alarmante é se esses hábitos e as suas repercussões continuam depois dessa fase...

Imperatriz Sissi said...

Sara, há ler a Bravo e ler a Bravo (passei os olhos por algumas e não me morreram neurónios, mas já na altura detectava os erros e os disparates, pois estava devidamente preparada) há idolatrar (eu adorava o Axl Rose, por exemplo) e idolatrar cegamente. Em tudo se quer moderação e espírito crítico. E sim, infelizmente, nos casos que descrevo geralmente a tonteria prossegue além da adolescência - alguns até à idade de ir para a faculdade, e mais além...Beijinho.

lena said...

Concordo plenamente. Não devemos ser permissivos e saber o que se adapta a cada idade. Em casa funcionamos assim. E explicamos bem as coisas e as suas consequências. Muito bom texto.
Beijinhos grandes.

pipinhaeheh said...

Infelizmente há pais que põe os filhos a jeito, basta ver quantos bloggers expõem indiscriminadamente os seus filhos no blog e facebook, quer eles queiram ou não. Faz-me lembrar uma história de uma fulana que há uns tempos atrás tirou fotos à filha em biquini e pôs no facebook para toda a gente ver como a miúda era gira. A filha (não me lembro a idade, mas era adolescente)exigia à mãe para retirar as fotos, e a parvalhona ainda vinha perguntar se a filha tinha direito a pedi-lo. Claro que houve logo alminhas solidárias com a mãe, que não a menina não tinha direito de pedir nada, porque era menor de idade logo quem manda é a mãe. Só à chapada pá! E as miúdas dos toddlers e tiaras como é que aquelas miúdas não hão-de ser passadas com umas mães daquelas?

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