Recomenda-se:

Netscope

Monday, January 7, 2013

Canções parvas da minha infância

                                
Quem nunca ouviu (ou cantou) canções e estribilhos idiotas na escola primária, teve uma infância muito resguardada. Versões de temas conhecidos ou melopeias de origem misteriosa, eram cantadas nos recreios mais ou menos à socapa e inevitavelmente, seguiam-nos até casa...quanto mais não fosse porque ficavam no ouvido. Algumas não sei se eram moda só para as minhas bandas ou "fenómeno" nacional, pois nesse tempo não havia redes sociais - o que limitava, de certa forma, o alcance das cantilenas...

1 - Versão parva do Hino Nacional

Socorro, socorro,
O colégio está a arder
Socorro, socorro
As freiras querem-nos bater
Contra os canhões, batatas com feijões!

Esta correu muito mal: as Irmãs não acharam piada nenhuma. A professora, que nos fazia cantar o Hino religiosamente todas as manhãs (bons tempos...) idem. E o senhor meu pai, militar cioso do seu dever, proibiu tal coisa lá em casa. "Com a Bandeira e com o Hino não se brinca de maneira nenhuma!". Vi-o tão sério, ele que normalmente alinhava nas minhas cantorias todas, que nunca mais me atrevi e tratei de espalhar a palavra entre os meus colegas - que fizeram orelhas moucas, claro.

2 - Canção das visitas de estudo

Senhor condutor
"Meta" o pé no acelerador
Se chocar, não faz mal
Vamos todos p´ró hospital
Hospital de Santa Maria, que é uma grande porcaria
Já lá esteve a minha tia
Que partiu o c*** na pia!

Ir numa visita e não cantar isto era como ir a Roma e não ver o Papa. Confesso que "se chocar, não faz mal, vamos todos p´ró hospital" me ajudou a perder o receio de acidentes, mas fiquei sempre desconfiada em relação ao Hospital de Santa Maria (cuja qualidade dos serviços, felizmente, nunca necessitei de comprovar). Recordo-me que apesar de achar piada à letra, considerava a canção um pouco malcriada. Num passeio à Serra da Estrela eu e uma colega de carteira tentámos substituir o palavrão por um termo mais civilizado: "traseiro", "rabo"...não funcionou lá muito bem, mas entretivemo-nos bastante durante todo o percurso.

3- A árvore da Montanha

A árvore da montanha, a-e-i-o-u
A árvore da montanha, a-e-i-o-u
Nessa árvore havia um tronco
Ai que lindo tronco!
O tronco
Da árvore
Da árvore da montanha

A árvore da montanha, a-e-i-o-u
A árvore da montanha, a-e-i-o-u

Outra canção para entreter viagens longas. Não tinha nada de mal mas era o pesadelo dos pais, que perdiam a paciência quando do ovo se passava ao pássaro, à pena, à pulga, ao piolho, à célula, molécula, átomo...e opções cada vez mais microscópicas, só para prolongar a brincadeira.


4 - Badum Badum Badero

Fui c*** ao cemitério numa noite de orvalho, 
Veio de lá um morto e disse - vai c*** para o piiiiiiiiii
Bada Badum Badum Badum Badum Badero
Bada Badum Badum Badum Badum Badero
Fui c*** ao cemitério lá atrás de um arvoredo 
(ou "numa noite de bruxedo")
Veio de lá um morto e disse " tens um c*** que mete medo.

Bada Badum Badum Badum Badum Badero
Bada Badum Badum Badum Badum Badero...

(E mais um monte de estrofes, consoante a imaginação ou a região, que agora não me ocorrem...)


Não me atrevia a cantá-la na íntegra (ainda hoje não sou capaz, com tanta asneira junta) mas adorava o ambiente fantasmagórico, quanto mais não fosse porque a escola ficava perto de um cemitério. (Uma vez o meu irmão esqueceu-se onde estava, cantou isto à frente de uma amiga dos nossos pais... e foi o fim do mundo). Claro que a ideia de o defunto, cheio de razão, se levantar para pregar um susto a quem não tem respeito pelos mortos me divertia imenso. Ao que apurei, o original é uma canção espanhola. Não tem nada a ver com cemitérios mas é igualmente tonta.

5 - Cuecas Amarelas(Yellow Submarine)

Sexta feira fui ao mercado
P´ra comprar umas cuecas
Cheguei lá, não gostei delas
Porque eram amarelas
Comprem todos cuecas amarelas, cuecas amarelas, cuecas amarelas...

Esta era uma das minhas preferidas e ainda hoje me faz sorrir, apesar de não fazer sentido nenhum. O mercado não é o melhor local para comprar roupa interior, amarelo é uma cor tão boa como outra qualquer e não se percebe porque é que a determinada altura, o narrador muda de ideias e canta o slogan a favor das cuecas, mas pronto.

6- No Faroeste


No Faroeste andava tudo nu
Com uma pena de pavão na mão
Com uma pena de perú no...
...Faroeste, andava tudo nu.


Outra non-sense song, mas que ficou de tal maneira que quando alguém tem um comportamento indecoroso ou malcriado, cá em casa é costume dizer-se " isto não é o Faroeste!". Uma vez, era muito pequena, na minha inocência substituí " Far west" pela localidade onde a minha tia vivia. Ui, que zangada que ela ficou. Meio a rir, meio a ralhar, deu-me um sermão " mas como é que é isso? Eu moro (nesse sítio) e não ando nua!". Fiquei capaz de me sumir pelo chão abaixo...

E na vossa escola, quais eram as "cantigas parvas" da moda?




















6 comments:

Jedi Master Atomic said...

looooooooooooool

Mas olha que só conhecia a 2ª.

lena said...

Conheço as duas primeiras. Na minha escola so se mudava um pouco a letra.
beijinhos grandes.

menina lamparina said...

Ahahahah os meus pais sofreram horrores com estas coisas. Eu era mesmo chata, não me calava. O senhor condutor, a árvore da montanha e o badabadum (em versão menos mal criadona) eram habituées. :D

Imperatriz Sissi said...

@Jedi, olha o que andaste a perder ;)
@Lena, gostava de saber a vossa letra para o Hino!
@Menina Lamparina, gostava de ter sabido a versão light do badabadum. Adorava a cantiga e tinha de fazer "tralala" nas partes malcriadonas.

Paulo said...

Nao me lembro de quando nem de onde. Mas lembro-me da 4, algumas
estrofes extra (e peço desculpa aos mais sensíveis).

Fui cagar ao cemitério, numa noite de luar, levantou-se um morto e disse, limpa o cú e poem e põe-te a andar.

Fui cagar ao cemitério por de trás de uma sepultura, levantou-se um morto e disse, nunca vi merda tão dura.

Teresa Bruno said...

De todas... Eram músicas cantadas na camioneta da colónia 😁

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...