Recomenda-se:

Netscope

Sunday, January 20, 2013

Love ain´t no game

                               
Acho que nunca falei nisto, mas o vólei é um dos meus odiozinhos de estimação. Detestava esse jogo, que estava abominavelmente na moda nos meus anos de ensino básico e secundário. Era o desporto do momento, nada a fazer. Algumas raparigas, que gostavam tanto disso que até  jogavam fora da escola (foi aí que aprendi que há motivos extraordinários para o mundo não se tombar)  chegavam ao extremo de ir para as aulas de Educação Física com calções-cueca. A maioria dos meus colegas achava-se muito cool a jogar aquela porcaria, imitando as poses que se viam nos anúncios de refrigerantes, e eu tinha vontade de lhes dar com a bola no toutiço. Mas na maioria das vezes quem levava com a bola no dito era eu, se não me desviasse a tempo. E os professores (palermas!) faziam a vontade à maioria, de modo que houve anos lectivos em que, se a memória não me falha, tivemos vólei e mais vólei, ao longo do ano inteiro. Ténis, rugby, atletismo,  hóquei, natação, ginástica (e numa das escolas tínhamos um ginásio verdadeiramente fantástico) eram coisas secundárias. Futebol, basket e sobretudo, o belo do vólei é que eram desportos de primeira categoria. Não gostava porque tinha problemas de coluna (providenciais, que me livraram de algumas horas de sacrifício) e andar aos saltos no betão era um horror, porque bater na bola me magoava os pulsos e sobretudo, porque aquela bola saltitona que nunca parava quieta, e que todos tínhamos de tentar apanhar para garantir que não ia ao chão (gozem à vontade, nunca percebi nem quis perceber como funcionava aquele horror)  me dava dores de cabeça. Morria de medo que me batesse em cheio na cara e em geral, corria na direcção oposta, o que era uma chatice porque os colegas eram obrigados a ter-me na equipa e eu era obrigada a estragar-lhes o jogo contrariada. 
  Em compensação, pelo xadrez tive sempre um certo carinho. Aprendi alguma coisa em pequena (que esqueci entretanto) e costumava sentar-me com o meu irmão imenso tempo a mover as peças. Como tudo o que é estratégia, fascinava-me.
Isto tudo para dizer  que a meu ver, a sedução é um pouco como o xadrez. Um jogo estratégico, em desenvolvimento, livre de sentimentos fortes - as pessoas ainda não se conhecem lá muito bem, ou o envolvimento emocional ainda não é grande, por isso não faz mal que se torne num ameno campo de batalha...ou guerra fria. Cada uma das partes tenta levar a melhor, fazer cair as defesas do adversário a ver o que sai dali. É entusiasmante - mas convém que seja uma fase passageira, que prossegue para se transformar noutra coisa. Embora continue a existir num relacionamento, aí o seu papel é inteiramente outro - ocasional e recreativo, por assim dizer. 
 No amor pode haver alguns jogos de xadrez. Isso faz parte. Mas há quem veja um relacionamento como um jogo de vólei. A bola é disputada a todo o custo, os jogadores têm de correr e saltar que nem doidos para a apanhar, não há um instante de acalmia, cada momento em que se toca na tão cobiçada bola é doloroso, e ainda se corre o risco de apanhar uma bolada em pleno rosto. 
 Não percebo estas pessoas -  o coração não pode ser tratado como uma bola. Ou se dá de livre vontade e de uma vez, sem disputas nem solavancos, ou não se dá de todo. Por outro lado, o defeito pode ser meu - nunca aprendi as regras do vólei, nem quero, e sempre preferi ficar fora de jogos desses. Não gosto de voleibol de praia, nem de campo, nem da vida.  E agora não há professor que me obrigue...


  
   



4 comments:

LookLuisa said...

Longe de ver o vólei, modalidade desportiva, como mote deste teu texto, deixa-me que te diga "been there, done that". Nunca consegui perceber como se suporta tamanha dor nos pulsos. Valha-me Nossa Senhora!

Imperatriz Sissi said...

Também nunca entendi. Masoquismo? Ou somos nós que temos pulsos frágeis?

lena said...

Somos duas nunca gostei de Volei. Ficava com os pulsos doridos. Era isso e badminton. Sempre gostei mais de futebol e ginástica artística. Fico contente por ver que não sou a única.
Beijinhos grandes.

Isto e aquilo said...

Nunca tina pensado nessa questão do xadrz e do voley, mas gosto das analogias. Também acho que o coração não pode "ser tratado como uma bola".

E também detesto o voley, o basket e afins...
Beijinho

Isabel Mouzinho

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...