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Tuesday, January 15, 2013

O pecado da Vaidade

                                         
A Vaidade - ou futilidade - foi um tema na ordem do dia durante a semana passada. Também conhecida por Orgulho ou Soberba, é um dos 7 Pecados Capitais e associada a tudo o que é vão, fátuo, supérfluo, sem alicerces sólidos. 
O mais comum é associar-se a Soberba ao apego a sinais exteriores - seja a simples arrogância para com os outros, a futilidade ou o hábito de atribuir demasiada importância a modas e elegâncias, a questões vãs de estatuto social não apoiadas em princípios morais e à ostentação de valores materiais. Mas o excesso de Vaidade, Soberba e Orgulho têm formas mais subtis de actuar - e se os Católicos impõem, para a moderar, "exames de consciência" frequentes, às eternas teorias cristãs, alicerçadas em costumes mais antigos ainda (Orai e vigiai!) juntam-se ideias recentes e New Age, que combinam a Psicologia ou escolas de pensamento como a Programação Neurolinguística com teorias mais esotéricas. Para essas, a vaidade está ligada ao Ego. E o Ego (Vaidade, Orgulho, Soberba, o que lhe queiram chamar) é um atraso de vida, um chato de marca maior.
  Como tudo neste mundo...ou como os outros Vícios Capitais, em pequenas doses a Vaidade - e tudo o que se prende com o Ego -  dá graça à vida. O orgulho pode ser legítimo, quando não toma a forma de impertinência ou presunção. 
  O cuidado com a imagem, uma certa altivez sem exageros que vem do sentido de dignidade, de amor próprio e do orgulho nativo, a auto confiança, o sentido de clã, o apreço pelas próprias vitórias e dons, a capacidade de arriscar, tudo isso são consequências positivas da vaidade saudável.
 Em demasia, porém, o apego às questões mundanas não se limita a causar estragos na imagem que os outros têm de nós: pode comprometer a saúde económica (gastar mais do que se pode, para atender a " expectativas sociais" reais ou imaginárias) a saúde e a beleza (dietas loucas, intervenções estéticas perigosas) a auto estima (jovens que pensam "nunca serei tão bonita/magra/importante como gostaria") e pior, manter-nos num permanente estado de teimosia ou competição. Quantas pessoas não mantêm situações/relacionamentos/empregos tóxicos, quando têm alternativa, por não quererem "abrir mão"? Quantas não confundem  uma ligação pouco saudável com "amor", "amizade", "segurança" quando no fundo, estão apegadas porque sim - e o que realmente temem perder não é a pessoa/emprego mas a imagem idealizada associada a ela que criaram na sua cabeça. Ou pior - "não vou largar, não dou essa oportunidade a fulana que quer ficar com o meu lugar" ou "até tinha direito a uma indemnização se negociasse, mas não vou dar essa satisfação ao imbecil do meu chefe. Fico nem que seja para o arreliar".
 Há que analisar se realmente precisamos das coisas, se elas nos fazem bem, ou se são um factor de stress, uma dor a que nos habituámos e que agora receamos largar, uma ideia que se entranhou mas que actualmente, não nos serve. Caso assim seja, o melhor é saber respirar fundo, pensar "tudo é vaidade!" e ter a sábia capacidade de abrir mão. Porque o que é realmente importante não desaparece só por aí, encontra-nos a meio caminho. A capacidade de abdicar só afasta o que é superficial. As raízes profundas não se arrancam com um pé de vento - e esse exercício de saber abdicar é precisamente um pé de vento necessário. O que é fútil ou assente em alicerces pouco sólidos, equivale a trazer a carteira pesada demais - é muita tralha que não nos traz benefícios...mas em compensação, causa má postura e dores nas costas. 
 Habituar-nos a trazer menos coisas pode custar ao início - mas é um alívio encontrar facilmente o telemóvel e as chaves do carro, e andar sem "a asa derrubada".


1 comment:

Maria Misteriosa said...

Gostei muito! Está tudo dito e explicado!

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