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Sunday, January 6, 2013

Outrageous kid parties...really?

                                  
                                                         Criança mais horrorosa de sempre. Ponto.

Ontem, enquanto fazia umas organizações/ arrumações e tratava de papeladas, deixei a TV ligada nessa  maravilha do TLC (que já recebeu cá em casa a honrosa alcunha de canal dos maluquinhos, pois raramente se ocupa de outra coisa e ao menos coloca-os em formato de documentário, que é realmente o lugar certo para gente rara) a ver se dava algum episódio de What not to Wear - programa a que acho certa graça - ou aquele novo, cujo nome não me ocorre agora, sobre fashionistas loucas sujeitas ao escrutínio de profissionais (esse quero mesmo ver, mas nunca sei quando dá). 

 Arruma para a esquerda, arquiva para a direita, vai falando nisto, brincando com o gato e ocupando-se daquilo...e eis que a minha pessoa levanta estes olhos que já não se espantam com nada no mundo real, quanto mais na televisão, e vê uma coisa chamada Outrageous Kid Parties. Esqueçam as mães-que-deviam-estar-no-manicómio-americano-de-alta-segurança dos concursos de beleza infantis, porque estas conseguem superar tudo. 


  Se o fenómeno bridezilla (que há muito passou dos  ecrãs para a vida real) tem o condão de me colocar em modo "esbofeteia a noiva e por favor, não ponhas os pés nesse circo, perdão, cerimónia" a coisa que mais me irrita logo a seguir são festas extravagantes para garotos fraldiqueiros. Gosto tanto de festas como qualquer outra pessoa e sou toda a favor de crianças amimadas e se possível, criadas sem dificuldades. Acredito que, sem exageros, as crianças devem crescer a acreditar que o mundo tem os seus desafios mas não é um vale de lágrimas; que para ter algumas coisas boas, não é preciso suar as estopinhas e que o universo é um lugar generoso, onde os sonhos podem tornar-se realidade. Se assim não for temos futuros adultos mesquinhos, loucamente competitivos, prontos a esganar o próximo por uma rodela de chouriço (true story). Tive a minha dose de mimos, brinquedos, atenção e dias especiais e creio que isso não me estragou como pessoa. Mas também acredito nas velhas regras: os pequenos devem vestir-se, socializar e ser tratados com simplicidade. Têm tempo para complicar mais tarde e como seres em formação que são, convém que sejam educados para a realidade, a modéstia, a empatia para com o outro. Ou seja, num espírito "sou filho (a) de Deus, a minha família ama-me e tenho direito a coisas e momentos bons" mas nunca "sou uma pérola rara, a dádiva dos Deuses ao mundo e o Rei da cocada preta ou a Rainha do Sabá e a minha família venera o chão que piso". Isso é uma receita para criar monstros materialistas, fora da realidade, pequenos Calígulas. E olhem que eu duvido que o menino Calígula tivesse direito a uma festa de rockstar de 30 mil dólares como a menina monstrinha que o programa mostrou. E se teve...bem, pelo menos tinha a desculpa de ser riquíssimo e imperador -  já a protagonista do episódio não era uma coisa nem outra.

 Cenário: mãezinha passada dos carretos com marido banana, que trabalha longe e lhe sofre tudo, e que ao fim de vinte anos e três tentativas, teve finalmente uma menina. Filho de dezoito anos que lava dali as mãos, filho do meio (cerca de dez anos) que é a única pessoa sensata e educada daquela casa e leva as mãos à cabeça com tantas loucuras. Mãezinha com filha pepineira, nascida fora de época, decide que a pirralha (insuportável, sempre aos berros, que fala à bebé, dá sopapos à mãe e que se mexe pela rua como se fosse a Beyoncé) é uma Miley Cyrus mirim (que aspiração, Meu Deus) e tem de ter uma festa com limousines, bolo giratório de 1500 dólares, roda gigante e aulas de passerelle para entrar na red carpet com papparazzi contratados e fogo de artifício, para horror da associação de moradores  que ameaça expulsá-los do bairro por dar tamanho mau exemplo aos filhos dos outros e fazer uma pimbalhada tão grande num condomínio "bem". Mais uns milhares para enrolar o cabelo da fedelha com babyliss e colocar umas purpurinas e umas extensões que qualquer mãe com juízo compra na Claire,s do centro comercial mais próximo. E como não é exactamente milionária, endivida-se para fazer isto tudo, em vez de usar o dinheiro para pagar propinas num bom colégio com ênfase nas aulas de boas maneiras para a pequena Hitler. Nem quero moralizar sobre a ostentação, as consequências futuras, o mau gosto e aplicações mais sensatas do dinheiro gasto numa coisa tão parva - deixo isso ao critério de cada um - mas que estamos num mundo de doidos, isso estamos. 
   Por cá ainda não vejo exageros destes, mas já há muitos pais entusiasmados a competir para ver quem cria a cria (passe o pleonasmo) mais malcriada...


5 comments:

Pusinko said...

Há uns tempos, escrevi um post (muito) revoltado com os concursos de beleza infantis, as mães e pais estouvados que apoiam essa loucura e quem mais estiver nos bastidores desse mundo. Pelos vistos, nada é tão mau que não possa piorar. É triste que haja quem endivide o futuro dos filhos numa festa absurda e quem filme estas vergonhas para a tv.
Onde iremos parar depois disto?

S* said...

Peço desculpa, mas isso é coisa de gente doente da cabeça. Deixem as crianças ser crianças.

A Bomboca Mais Gostosa said...

Bem, esse nunca vi mas parece ser terrível!
Realmente só se criam pequenos monstros assim.

Carla said...

A mim só me apetece é esbofetear os pais e essas criancinhas do Demo!

lena said...

Já vi esse programa e pergunto-me onde está o juizo dessas pessoas. è simplesmente incrível a forma como ficam endividados so para satisfazer um capricho.
beijinhos grandes.

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