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Saturday, January 5, 2013

Peter O´Toole dixit: um verdadeiro cavalheiro


"(Words are important...) If you cannot say what you mean, your majesty, you will never mean what you say and a gentleman should always mean what he says."

em O Último Imperador

Sempre gostei muito do grande actor (irlandês-escocês) Peter O´Toole.  Um verdadeiro senhor, com perfeita beleza patrícia do alto do seu 1,91, que sabe de cor todos os sonetos de Shakespeare, lê poesia todas as noites, é fã de rugby e responsável por trazer a público a velha e bela canção folk irlandesa Carrickfergus. E se é um dos poucos actores da sua geração a não ter sido armado Cavaleiro, é porque ele próprio recusou a honra, por motivos políticos e pessoais.  É um romântico assumido e para o bem e para o mal, um verdadeiro poeta - afirmou ter "estudado apaixonadamente as mulheres por anos e anos, sem ter descoberto nada".  Como bom irlandês, a combinação de álcool, paixão e poesia não lhe fez muito bem à saúde,  nem ao coração (a mulher, a actriz galesa Siân Phillips, sofria tanto com o seu temperamento e ataques de ciúmes que acabou por abandoná-lo por um amante mais jovem). Em 2003, a Academia decidiu agraciá-lo com um Oscar pelo seu contributo para a indústria do cinema. O actor quis recusar, dizendo "que ainda estava no jogo e gostaria de tentar ganhar esse maroto por direito próprio" mas responderam-lhe que lhe atribuiriam o Oscar quer ele quisesse, quer não. 
 Com qualidades e defeitos (mas defeitos galantes, bem entendido) Peter O´Toole representa a essência de um verdadeiro senhor. Por isso, adorei desde a primeira vez o trecho acima, de O Último Imperador, um dos filmes que me marcaram. Toda a vida ouvi que "a palavra de um homem vale um escrito". Um cavalheiro não tem de ser perfeito - é humano, logo está sujeito a falhas e fraquezas. Mas se a sua palavra não vale nada, se dá o dito por não dito, se diz coisas da boca para fora - e pior, se pronuncia palavras vãs a uma mulher para dali a pouco, fingir que não disse nada - se enfim, não tem uma palavra de honra que dê como garantia da sua pessoa, então é um cobarde, logo, menos do que um homem e nunca um cavalheiro. Ser inconstante, usar de frases dúbias, um dia sim, um dia não, é uma garotice que se pode perdoar  a certas mulheres...a quem a nossa cultura atribuiu, por séculos, um carácter misterioso e volúvel, uma natureza mutável e frágil, sujeita às luas e aos ventos. 
Hoje as coisas já não são bem assim e as palavras têm, infelizmente, menos peso do que noutros tempos - o que é estranho, considerando que tudo o que se escreva na internet fica registado ad aeternum. Mas um homem do século XXI que tenha muita vaidade na sua forma de estar, que goste de agradar e cultive bonitas maneiras, não pode esquecer esta regra, que é uma das mais importantes, pois sem ela, tudo não passa de teatro. Se nunca consegue expressar a sua intenção, então tudo o que disser é vão; um cavalheiro deve dizer SEMPRE aquilo que realmente pretende dizer...
 E todas as desculpas para contrariar isto são mera basófia - um traço inerente à natureza masculina, mas que um cavalheiro deve, a todo o custo, moderar.


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