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Wednesday, January 16, 2013

Virar o jogo, parte I: encarar a crise com estilo

                               
Se a vida nos dá limões há que fazer limonada ... e se possível, juntar-lhe champagne. Acredite-se ou não que a fé, o pensamento positivo, a astrologia, a sorte, o condicionamento mental, a iniciativa e outras "ferramentas" mais ou menos misteriosas nos dão um certo controlo sobre os acontecimentos, há ocasiões em que não temos outro remédio senão seguir a corrente, contar as bênçãos e fazer o melhor possível com o que temos. Há males que vêm por bem, certos milagres chegam disfarçados de chatices, não há crise que não esconda uma oportunidade, certos desejos têm maneiras esquisitas de se realizar (e causam muitas maçadas até que isso aconteça) quando se fecha uma porta abre-se uma janela (e às vezes, vice versa, o que é melhor ainda) Deus escreve direito por linhas tortas...e para quem crê nisso, uma má fase pode ser o Universo a falar connosco ou a apontar-nos outro caminho. Haja saúde que o resto faz-se!
   Tudo na vida pode ser bem ou mal utilizado, cabe-nos decidir a volta que damos às coisas. Até podemos não escolher as circunstâncias, mas temos poder sobre a nossa reacção a elas. Assim, sem querer armar em guru (havia de ser bonito...) aqui ficam algumas ideias para encarar os aborrecimentos por outro ângulo. Comecemos pelo aborrecimento número um, que tem o condão de incomodar tudo e todos: a malfadada e assustadora 

Crise
Poucos  são os felizardos que não se sentem afectados pela crise mais chata, peganhenta e mediática desde 1900 e bolinha. É deprimente ver todos os casos dramáticos que as notícias vão mostrando (ou que se desenrolam diante dos nossos olhos incrédulos, afectando mesmo famílias de classe média) e pensar que tão cedo, não nos livraremos dela. Mas também isso há-de passar. Para alguns, esta é uma excelente oportunidade de investir, mas para quem não tem essa possibilidade, há formas mais acessíveis de lidar com a situação. Numa época de materialismo desenfreado, é bom lembrar que:

- Muitas personagens ilustres passaram por situações parecidas, ou piores, e sobreviveram.  Pense em reis exilados ou nas famílias sulistas do antebellum que perderam tudo na Guerra Civil: a tradição era tudo o que lhes restava, por isso faziam "festas da fome" em que reuniam os amigos para beber chá aguado nas chávenas rachadas que tinham sobrado das suas ricas faianças. Como já não podiam sustentar carruagens, deixavam-nas para os novos-ricos rapaces que tinham lucrado  com o conflito: as senhoras da melhor sociedade iam orgulhosamente a pé para toda a parte, usando botas rijas e levando na mão elegantes "sacos para transportar sapatos" para calçar os pares delicados dentro de portas. Até tudo se recompor, andar de carruagem, estrear vestidos caros e fazer extravagâncias passou  a ser mal visto e de mau gosto: ninguém o queria fazer mesmo que tivesse dinheiro, para não ofender os amigos em pior situação. Solidariedade, sentido de comunidade e do próprio valor, um certo "heroísmo fingido" e adoptar uma moldura mental que lhe recorde quem realmente é e para onde vai são estratégias para não se afligir tanto.

- Ficar sem emprego é terrível. Mas se a situação não é desesperada, pode ser de facto uma ocasião para reflectir sobre a sua carreira, procurar algo que valha a pena, fazer novos contactos, trabalhar por conta própria, organizar um portfólio ...em suma, ter tempo e disponibilidade para investir na carreira ou área que realmente o (a) apaixona, e onde as suas capacidades sejam  apreciadas. Já que as circunstâncias obrigam a isso...a necessidade aguça o engenho. E se tinha um chefe horrível ou colegas que lhe faziam a vida negra...pense que já não fica a tremer quando se aproxima a Segunda-feira, apoie-se na vantagem da tranquilidade mental e vá à luta!

- Relativamente à imagem pessoal, o melhor look é o simples, elegante e cuidado - e isso não é necessariamente dispendioso. Deixe as tendências um pouco de parte, aposte em visuais e silhuetas que não passam de moda e ninguém dirá que "está falida", apenas que adoptou um  polido, eterno e very smart estilo Bon Chic Bon Genre, com desprezo por todas as modernices supérfluas. Ponha em uso as roupas de griffe que usou só uma vez ou duas, o relógio de designer que lhe ofereceram e em que raramente repara, ou aquele vestido especial - preste atenção ao que já possui, e usufrua disso antes de se lançar em busca de coisas novas. O minimalismo, o zen, o snobismo rebelde de quem se está nas tintas, a ascese e o chic pauvre são outras ideias que pode interiorizar e aplicar para imprimir verdadeiro estilo e motivação à sua "operação poupança".

- Aprenda a maquilhar-se, pentear-se e outros procedimentos estéticos. Em muitas culturas, isto fazia parte da educação de uma dama (mesmo que mais tarde pudesse contar com aias, convinha sempre saber). Não quer dizer que prescinda completamente dos serviços do seu cabeleireiro... mas se souber fazer o básico, estará apresentável todos os dias, mesmo quando não visita o salão, e evitará gastos desnecessários. Usar uma placa de alisar não é exactamente física quântica.

- Trate de gastar até ao fim os cosméticos, produtos para o cabelo e maquilhagem que andam por ali a ocupar espaço, a ganhar pó e a passar do prazo, antes de ir comprar outros. Hoje há tantas opções, algumas boas e baratas, que a tentação de experimentar a novidade sem de facto usufruir dela é enorme. Mas tudo isso, mesmo que pareça pouco, representa dinheiro. É bom saber e utilizar o que se tem. Aproveite a ocasião para fazer uma lista dos produtos que realmente não dispensa e que fazem milagres por si. É preferível não variar tanto, mas ter um "arsenal" de confiança.

- Já que não pode ir tantas vezes ao shopping, invista no "indoor shopping": se cortou nas compras e saídas de fim-de-semana, aproveite esse tempo para reorganizar de alto a baixo o seu closet: retire o que já não usa, já não serve, separe o que realmente quer usar, o que deve reformar na costureira (se tem jeito para a costura, melhor) e o que, vejam só, voltou a fazer parte das tendências vigentes e pode lindamente vestir-se agora. Assim mata dois coelhos de uma vez: livra-se da tralha e fica com um guarda roupa "novo". Ter coisas fora de circulação afecta a qualidade de vida e para quem acredita em feng shui ou magia, "sufoca" a sua capacidade de receber mais prosperidade, boa fortuna...e roupas novas. 

**** De há uns anos a esta parte surgiram (ou voltaram) formas e silhuetas diferentes, que permitem usar novamente peças postas de parte: os cintos sobre tops, blusas ou camisas (impensáveis em tempos, mas que agora reciclam partes de cima "largueironas") cinturas mais subidas, ideais para usar por dentro camisas ou tops que ainda são bonitos mas que encolheram inevitavelmente; camisas com nós ou sobre tops sem alças; saias de todos os comprimentos; camisolões largos; casacos oversized; roupas brilhantes dos anos 70/80; carteiras clássicas (na moda desde que a Birkin, considerada antiquada no início da década de 90, saltou para os holofotes pela mão de Carolyn Bessette Kennedy e outras celebridades...) jeans clássicos dos anos 90 que  eram considerados sacrílegos e de repente são "fashion"...tudo isto, e mais, são peças que muita gente ainda tem "arquivadas" em casa, ou em casa de parentes. Também há maior liberdade nas misturas de padrões e nas formas dos sapatos. Inspire-se nos blogs de street style internacionais e veja de que modo pode adaptar as suas tralhas. O vintage, o retro, a reciclagem, e as vendas de garagem ou solidárias são outras maneiras de arranjar tesouros, ou de dar destino ao que já não usa mesmo. O que estiver em bom estado mas já não quer, doe ou ofereça. 

- Faça algo parecido com os seus livros, móveis antigos, utensílios de cozinha...pratique a reciclagem, a reforma de objectos, o do-it-yourself,  a troca e a reutilização: livra-se dos monos inúteis, arranja espaço para as coisas que realmente aprecia e enquanto o faz não cede à pressão de "comprar, comprar, comprar". 

- Se teve de dispensar a senhora da limpeza...bom, isso é chato para si e muito mais chato para a dita senhora. Mas o que não tem remédio, remediado está, e assim como assim há questões de organização que não podem ser resolvidas por pessoal especializado: aproveite para proceder às operações acima, e para deixar a sua casa o mais operacional possível ...o que facilitará tirar o máximo partido quando puder voltar a contratar ajuda.

- Se tem espaço, jardine: plante um canteiro de ervas aromáticas (assim não tem de gastar combustível porque de repente se acabaram os coentros) e algumas árvores de fruto no jardim. Tomate cherry, limões, mirtilos, physalis...não exigem muito trabalho.

- O sushi (inventado pelos pescadores japoneses para conservar o peixe mais tempo) a pizza (criada pelas mães italianas para aproveitar "o que houvesse em casa") a bola de carne (feita pelas mesmas razões por donas de casa portuguesas) e a açorda (fazer milagres com pão duro, coentros e o que estivesse à mão) foram só algumas das iguarias  que surgiram não por luxo, mas por necessidade. Se não pode ir jantar fora tantas vezes, ponha à prova os seus dotes culinários, desenterre o livro de receitas da sua avó e receba os amigos em casa. Também é boa ideia experimentar coisas novas (acompanhar as refeições com vegetais salteados ou grelhados em vez de batatas e mais batatas, pão e mais pão) fazer bolos em vez de comprar pastéis e reduzir a compra das guloseimas que só engordam. A crise é uma desculpa tão boa como qualquer outra para enxugar gordurinhas.

- Se tem de reduzir as saídas à noite, faça como antigamente e "receba" ou seja "recebido" por amigos. Porque não reviver as tertúlias e soirées do século XIX em que se fazia música, se conversava, e se usufruía da casa?

- E por falar em usufruir da casa ... porque não passar mais tempo no seu cantinho, onde investiu tanto? Lareira, TV Cabo, lençóis fofinhos, internet...tudo isso são coisas que lhe custaram ou custam dinheiro. Tem realmente tempo para as gozar?

- Ter menos dinheiro não é necessariamente uma despromoção social (nesta altura do campeonato toda a gente está mais pelintra, por isso ninguém pode fazer pouco de ninguém...) e não deve ser uma desculpa para tornar-se menos gentil ou mais egoísta. É nas conjunturas feias que se vê realmente quem tem educação, chá e bons sentimentos. Uma pessoa "refinada" não deixa de o ser por uma questão tão transitória como o dinheiro. Aliás, é de má educação andar sempre a falar no vil metal, por isso, antes de mais, não deixe que essa questão lhe provoque mau estar (já chega o stress de pagar as contas!).

 (CONTINUA...)

7 comments:

Aurélio Malva said...

Decididamente, a Imperatriz tem estilo!
Espero a continuação…

lena said...

Concordo plenamente com o texto e está muito bem escrito.
Beijinhos grandes.

Rita Isabel said...

adorei o artigo está muito bem elaborado... beijos

Imperatriz Sissi said...

@Aurélio - vindo de ti, isso significa muito! Beijoca.

@ Lena e Rita Muito obrigada, meninas! Beijinho :*****

Tamborim Zim said...

Muito bom! Infelizmente, penso q gde parte das pessoas sem trabalho n pode encarar a situação c um pensamento tão positivo qto quem, cm mencionaste e bem, n está numa situação desesperada. Mas, p uns e p outros, palavras de incentivo e de apelo à reconstrução, inclusivamente da esperança, nunca são demais!

Inês Rocha said...

Até me deu vontade de reciclar e aproveitar mais do meu "ninho"! Obrigada! :)

Imperatriz Sissi said...

Obrigada, meninas. Vamos ver se é desta que a crise deixa de chatear as almas. Fingers crossed!

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