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Netscope

Wednesday, January 30, 2013

Well I guess what they say is true, I could never spend my life with a man like you





É curioso como uma canção tão velha continua a encantar-me da mesma maneira. E a letra tem dos discursos mais lúcidos que já ouvi em canções de amor "bittersweet". Ou seja, a reproduzir pelas meninas e meninos que precisam de dizer das boas a uma "pessoa-karma" que sob o pretexto de um grande amor, de uma paixão de grande intensidade, de, em suma, gostar demasiado de, lhes corta na vida como a tesoura no pano. Não é uma canção fofinha: é uma constatação melancólica, mas sensata; a resignação serena perante um facto inegável: podia ter sido épico. Perfeito. Mas prevaleceu o hábito de fazer too little, too late, de ter mais amor ao efeito que se tem sobre a pessoa do que à felicidade em si. A tortura emocional torna-se  um reflexo automático, já não se sabe quando começou nem porquê - e todos sabemos, old habits die hard. O que era fantástico, que levava às nuvens,  que fazia sentido e  dava vontade de largar tudo para seguir aquela ligação até ao fim do mundo numa entrega absoluta deixa de ser bom e saudável para se tornar uma dor crónica. Uma companhia interior diabólica, mas ainda assim algo que fazia mexer, respirar, ter algo especial e único (por ser tão dramático, tão poderoso) em que ocupar dolorosamente o pensamento. Your Woman homenageia isso mesmo: o momento em que se reconhece tudo isto, mas em que o drama deixou de ter efeito. As raízes foram tão maltratadas que não há nada para ser salvo: com tanta ênfase na forma, no jogo de poder, na busca  de supremacia, o conteúdo inicial, a fonte, secou de vez. Sabe-se o que levou a esse fascínio mútuo perigoso e corrosivo, aprende-se a lição para próprio governo, sacode-se o pó e olha-se em frente, para a luz e para as coisas muito melhores ao alcance da mão.  Não há sonho (ou hábito) que valha viver numa sepultura.






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