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Thursday, February 21, 2013

Joana Vasconcelos, "artista do povo", dixit...e Sissi também dixit, de rajada

O povo, meninos, está cada vez mais chic. A valer!
Ontem a talentosa Joana Vasconcelos, que tem enchido os portugueses de orgulho do bom, afirmou em entrevista  querer ser lembrada como "artista do povo". Debruçada sobre uma chávena de descafeínado tardio em boa companhia, olhei-me para aquilo e sem pensar que a pessoa ao lado me apanha os chistes todos, sai-me um "oh... essa é boa! Os artistas do povo têm nomes patuscos e não nomes caturreiros... e fazem artesanato e não exposições em Versailles! ". O que tu foste dizer, Sissi! É que não é por nada, mas em termos de posicionamento não bate a bota com a perdigota. Não que ser "artista do povo" ou para reduzir a discussão à moda de Dâmaso Salcede, "uma artista chique" seja melhor ou pior, tire ou ponha, faça de alguém mais ou menos. Tive ocasião de entrevistar e por isso de privar com alguns dos maiores artesãos portugueses. Na sua maioria, gente de poucas letras mas de enorme génio, grande sentido de humor, com uma tradição de gerações. E por questões de família, toda a vida convivi com artistas plásticos de renome. Em comum, têm o talento, a sensibilidade, mas o registo é outro. Não sei o que Joana Vasconcelos considera  "artista do povo" -  se foi uma graça, uma manifestação de modéstia (que é sempre uma intenção de louvar, vá) um momento envergonhado que soou a snobismo invertido, do estilo "quero ser acessível a toda a gente" mas em boa verdade, para ser apreciada pelo povo português, Joana Vasconcelos não tem de ser aquilo que se entende por artista popular. Há coisas que são transversais - lembrem-se da tia Amália. Em última análise, pergaminhos e meios à parte, povo somos todos, mas até o povo mais povo, o suposto povão, sabe apreciar brioches, desde que tenha acesso a eles: há ocasiões para tudo, e dar a  conhecer bons brioches, ou boa arte, é o caminho para que o que é "bem" também seja "pop"...e para que nos tornemos novamente um povo podre de chic, como éramos no tempo do senhor D. Manuel I, em vez do povo pelintra que somos hoje.

3 comments:

Sérgio Saraiva said...

Para mim, Bordalo Pinheiro é o exemplo do artista do povo. Sempre que vou às Caldas trago uma ou outra peça de ceramica. Nao é chique mas eu gosto.

Imperatriz Sissi said...

Bordalo Pinheiro é dos poucos exemplos do "somewhere in between". E actualmente é do mais chic!

Tamborim Zim said...

Confesso q n me encanta a arte de Vasconcelos.

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