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Wednesday, February 27, 2013

Lívia Drusilla Augusta: viva a Imperatriz

                     
Ela era casada, mãe de um filho e com outro a caminho. Ele também - mas isso não importou nada. Reza a lenda que quando César Augusto pousou os olhos em Lívia Drusilla decidiu imediatamente divorciar-se da sua segunda mulher (que por sua vez, também esperava uma filha) para casar com ela. Ao matrimónio apressado e altamente civilizado (o ex marido de Lívia esteve presente, entregou-a ao noivo e deu a sua bênção ao enlace) não terão sido alheias razões políticas. Mas foi uma união feliz, que durou 51 anos, apesar de o casal não ter tido filhos em comum. Ainda assim ela foi mulher, mãe, avó, bisavó e trisavó de Imperadores:  Tibério (filho do seu primeiro casamento e adoptado pelo marido ao casar contra vontade com Júlia, a filha do padrasto) Cláudio, Calígula e Nero. A forma como estes chegaram ao poder em detrimento dos netos do marido levanta hipóteses sombrias (e muito exploradas na ficção) sobre o carácter de Lívia, mas podemos apenas especular. 
 Sabe-se, no entanto, que ela estabeleceu o padrão de virtude e comportamento para a matrona romana, e que quando o adorado marido se tornou Imperador, Lívia passou a  ter um estatuto privilegiado de companheira e conselheira pouco habitual para a época: os dois formavam um casal modelo, ela tinha voz activa nas suas decisões políticas, protegia as suas próprias causas e aparentemente, os dois estavam sempre de acordo. Apesar da opulência e poder da família, ambos eram pouco dados à ostentação; o Imperador estabeleceu leis sumptuárias e tomou medidas para combater a decadência e imoralidade, mas ele próprio se sujeitava a esses mesmos princípios, apoiado pela mulher: continuaram a  viver com modéstia na casa de sempre. Lívia aparece-nos como uma verdadeira senhora, de nascimento ilustre e devotada à família: modesta, serena, sempre fiel, de porte majestoso. Tinha bom gosto, mas evitava a extravagância nas toilettes e desdenhava pretensões. Certa vez quiseram condenar à morte um grupo de homens que, não se sabe porquê, apareceram à Imperatriz sem roupa. Ela perdoou-os, dizendo "para uma mulher virtuosa, homens neste estado não passam de estátuas". A paciência, carinho e tolerância de que cercava o marido, não ouvindo nem dando importância às suas fraquezas e dando exemplos de comportamento "casto" terão sido decisivas na enorme influência que tinha sobre ele.
                         
Com a morte do marido, porém, estas belas qualidades atenuaram-se, acentuando a sua altivez e sede de poder. Tibério -  traumatizado quer pelo divórcio dos pais quer por ter sido forçado a separar-se da mulher que amava, Vipsania, para casar com Júlia - nunca terá perdoado Lívia completamente, seguindo-se contendas palacianas entre mãe e filho. Tibério desprezava honrarias e no seu posto de avó da Pátria, Lívia não as dispensava. A paz podre entre mãe filho era tão intolerável que o Imperador se exilou em Capri, regressando apenas quando a progenitora já não fazia parte do mundo dos vivos...só com o neto, Claúdio, as honras que lhe eram devidas foram restauradas, incluindo o título de Divina Augusta.
 Não há mulheres perfeitas, nem mesmo as que ostentam o título de Divina: mas reinar nos bastidores de um  mundo dominado por homens até aos 86 anos sem nunca perder a compostura nem a vida é um verdadeiro feito. Isto sim, é uma Imperatriz.







2 comments:

lena said...

Uma mulher com garra e a historia é muito interessante.
Beijinhos grandes.

Isto e aquilo said...

Também gostei imenso. Pode contar mais histórias destas ;)

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