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Thursday, February 28, 2013

My love songs: Porque me olhas assim

    Anne Vyalitsyna e Adam Levine
  (Vogue Russia)                                    
Considero Fausto um dos grandes compositores e intérpretes portugueses. Adoro o seu trabalho, mas confesso que conheci esta canção tardiamente - não sei como me escapou - num dia de reportagem intenso e cansativo. Estava exausta, contrariada por me ter calhado um serviço de fim de semana muito exigente em que precisei de correr como doida de um lado para o outro, de um evento para o outro, numa verdadeira roda viva. Mas fazia um lindo dia, com um sol ameno e dourado como está hoje, e entre os meus compromissos para a tarde tinha um concerto infantil, realizado numa pequena quinta, sob as parreiras. Cenário bonito, pausa agradável na correria. E no intervalo entre as duas partes o professor de música, os Deuses o abençoem, pôs Fausto a tocar como música ambiente. Eu não sou por natureza uma romântica, não no sentido tradicional, como já vos tenho dito. Não me emociono com duas palavras - pouca coisa me comove. Mas os meus olhos humedeceram-se, fui transportada não sei para que nostalgia ou que sonho, e fiquei dividida entre uma melancolia atroz e a certeza de que qualquer mulher venderia a alma para sentir algo  tão arrebatador como a relação que a letra descreve. Aliás, eu que não sou romântica acho que quem nunca sentiu nada assim, se contenta com "amores" sem graça ou se esconde disso anda a praticar crimes contra si mesmo. Em suma, é uma das minhas canções preferidas e uma descrição verdadeiramente genial do estado de paixão - que de canções que tornam o amor ridículo já basta o que basta. É preciso ser Fausto ou Mefistófeles para entender estas coisas e cantar sobre elas...


Diz-me agora o teu nome
se já dissemos que sim
pelo olhar que demora
porque me olhas assim
porque me rondas assim

Toda a luz da avenida
se desdobra em paixão
magias de druida
plo teu toque de mão
soam ventos amenos
plos mares morenos
do meu coração

Espelhando as vitrinas
da cidade sem fim
tu surgiste divina
porque me abeiras assim
porque me tocas assim
e trocámos pendentes
velhas palavras tontas
com sotaque diferentes
nossa prosa está pronta
dobrando esquinas e gretas
plo caminho das letras
que tudo o resto não conta

E lá fomos audazes
por passeios tardios
vadiando o asfalto
cruzando outras pontes
de mares que são rios
e num bar fora de horas
se eu chorar perdoa
ó meu bem é que eu canto
por dentro sonhando
que estou em Lisboa

Dizes-me então que sou teu
que tu és toda pra mim
que me pões no apogeu
porque me abraças assim
porque me beijas assim
por esta noite adiante
se tu me pedes enfim
num céu de anúncios brilhantes
vamos casar em Berlim
à luz vã dos faróis
são de seda os lençóis
porque me amas assim



3 comments:

Maria Misteriosa said...

Linda! Também não conhecia...

Isto e aquilo said...

Lindíssimos, a canção e o post.
Confesso que também não conhecia este texto/canção. Fausto tem coisas de que eu gosto e outras nem tanto, mas até agora a que estava no top das minhas preferências (no que se refere às cnações de Fausto) era "Lembras-me um sonho lindo". Não é também fantástica?

Beijinho :)

Tamborim Zim said...

Fausto é sublime.

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