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Thursday, February 21, 2013

Ó Cristianinho, haja paciência


                                       
"Cristiano Ronaldo tem espelhos no teto e uma foto sua nu na parede do quarto, na casa que comprou por 6,5 milhões de euros em La Finca, a nove quilómetros do centro de Madrid, revelou o arquitecto espanhol Joaquín Torres à revista ‘Vanity Fair’.
"Cristiano Ronaldo tem todos os clichés que possam imaginar. Um aquário, uma foto dele nu e até um piano de cauda. Também tem os espelhos no teto de que se falou na imprensa. Para que é que ele queria um piano de cauda? Acho que isto deve-se às carências que algumas pessoas passaram desde pequenas. Deve ter visto estas coisas nos ricos, em séries como ‘Miami Vice’", ironizou o arquiteto". 

Eu não sou de intrigas, mas que querem? Como recebo as actualizações de todos os jornais via Facebook, deparo-me com pérolas destas - um hábito terrível que devia perder quanto antes, a bem da minha sanidade e capacidade de articular coisa com coisa. E o menino Cristianinho faz questão, mas mesmo questão, de ser citado aqui no Imperatriz volta, não volta.
   Não conheço o trabalho de Joaquín Torres nem faço ideia o que o arquitecto foi fazer a tal casa  (há pessoas que gostam de sofrer, pode ser isso) mas palpita-me que deve ter sido a única cabeça de bom senso, e isenta de vontade de engraxar, a alguma vez ter entrado chez Cristiano Ronaldo: é que a família sempre a pedinchar dinheiro, as groupies que querem impressionar (em ambos os casos, tudo pessoas de gosto e sinceridade questionável) colegas da bola, amigos de estúrdia ou jornalistas ao estilo Yes Man ansiosos por ganhar intimidade com tão augusta personagem não me parecem os melhores conselheiros. E desconfio que se o menino Cristianinho (e companhia limitada...) não decorou a casa como bem lhe apeteceu, deve ter contratado mesmo o maior yes man (ou woman, às tantas...)  à face da terra para o fazer, que isto de dar bons conselhos nem sempre é lucrativo...
 Ouça, Cristianinho, que aqui ninguém lhe quer mal e a única coisa que me faz urticária é que este pobre país que já anda pelas ruas da amargura seja representado  mundo fora  por um estereótipo com pernas: o menino não tem culpa de ter nascido pobrezinho e de ter recebido a educação...que foi possível. Não tem mesmo culpa que a Sra. Dolores dissesse" deixem lá a escola e os vidros partidos dos vizinhos, ele tem é de treinar para ser um grande jogador". Pelos vistos a receita até deu certo e quem sou eu, que não percebo nada de bola (muito menos do ratio  bola-desenvolvimento intelectual/cultural/cívico necessário para ser uma estrela do futebol) para a pôr em causa, embora ache que um bocadinho de gentileza, chá e meia dúzia de letritas não tivessem tirado qualidade à sua performance, antes pelo contrário. Cada qual nasce onde nasce com o berço que Nosso Senhor lhe destinou e quanto a isso nada a fazer. Mas lá porque nasceu carenciado, tem de se portar como uma caricatura do novo rico? Um fato novo não faz de um carroceiro um cavalheiro e quando não se tem o gosto treinado, pedir ajuda é sinal de inteligência. O dinheiro não compra educação, mas compra instrução. Não compra gosto, mas pode pagar aconselhamento adequado. Não muda as origens de ninguém, mas bem aplicado pode ajudar a tirar o melhor partido dos dotes naturais, em vez de acentuar os defeitos. O menino Cristianinho já tem tanta coisa, tanto brinquedo, tanta mulher, tanto carrinho, tanto espelho, mire-se num deles com olhos de ver e considere este conselho amistoso, que é grátis (vê? eu até sou amorosa quando quero): no próximo Natal, em vez de colocar uma árvore em cada divisão, que isso fica feio, não faz sentido nenhum e gasta imensa luz - já agora, podia oferecer-se para pagar as contas da luz a meia dúzia de famílias  em dificuldades lá na Madeira, isso era fofo, muito natalício e ficava bem no retrato -  considere arranjar um professor Higgins da vida. Contrate, que quem pode pode, uma equipa de consultoria de imagem que jeito tenha para não fazer figuras destas. Lembre-se de que representa o país lá fora e que não me convém nadinha dizer "sou portuguesa" para ficar associada a gente que decora a sua casa como se fosse o Motel Paraíso ou se mostra em público vestida à trolha bebedolas a quem saiu a taluda (sem ofensa aos trolhas sóbrios e trabalhadores que eventualmente se saibam apresentar). Passe muito bem, e juizinho.


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