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Friday, February 22, 2013

Odiozinho de estimação: maldita matemática

                       
Eu e a matemática nunca fomos com a cara uma da outra. Em parte porque não tenho paciência para tarefas que exijam desligar a imaginação (ou o sentido crítico) por completo, em parte porque suspeito fortemente de sofrer de uma estranha forma de discalculia operacional que sempre me brindou com a capacidade de chegar aos resultados no ar - força ou fraqueza que os mestres nunca entenderam. Tinha de apresentar os cálculos porque tinha, pronto. O problema é que por mais que eu soubesse as fórmulas de cor e salteado, por mais que papagueasse a teoria toda, a meio de uma operação perdia o fio à meada e ora adeus. Ainda que gostasse do aspecto lógico da coisa, tomei birra à matemática e aos professores bota de elástico que queriam tudo de acordo com a cartilha. O mal entendido mal resolvido degenerou numa aversão das graves.
 Vinguei-me cá à minha maneira, mas isso é assunto para um post sobre os meus tempos de liceu. De modo que ao longo da minha vida fui maltratando ou contornando a maldita matemática sempre que pude. Nem sequer gosto de passar pela famosa Rua da Matemática em Coimbra - hábito que me ficou da infância. Mas achava que as coisas estavam pacíficas entre nós - até esta manhã. Estava eu a tomar o pequeno almoço quando alguém deixa a TV ligada noutra divisão, e a propósito de engenharia automóvel, ouço uma voz a explicar como a mais exacta das ciências é linda e maravilhosa. Mau! Agucei o ouvido como um lince ameaçado. A Matemática faz parte da nossa vida ou coisa semelhante, bla bla bla mimimi rinhónhó...não querem lá ver o descaramento a estas horas? Não conseguia perceber bem o conteúdo, mas disseram o palavrão uma série de vezes. Matemática para cá, matemática para lá, como alguém que tenta impingir colchões ortopédicos pelo quádruplo do preço das lojas, e uma pessoa a topar perfeitamente o esquema. Senti um velho, ancestral e primitivo ressentimento a subir por mim acima, uma antipatia incontrolável, uma discreta repulsa a apoderar-se de mim. E tive de largar o que estava a fazer, tive de me levantar, e tive de desligar a televisão.
 A matemática que seja feliz, que faça muita gente feliz, desde que não me obrigue a privar com ela. Não há meditação que me valha: ódio velho não cansa, lá diz o povo e muito bem.

8 comments:

Isto e aquilo said...

Também confesso que ainda hoje não tenho uma relação adulta com a Matemática, nem com os números de uma maneira geral. Eu sou uma daquelas pessoas claríssimamente das letras.
Mas, nos meus tempos de liceu, o meu odiozinho de estimação era mesmo a Físico-Química. :)

Imperatriz Sissi said...

Eu disso gostava, desde que não me obrigassem a aplicar as fórmulas...

Sérgio Saraiva said...

A matemática é basicamente um processo de pensamento, mas se preferires ainda, uma plataforma que se arranjou para descrever o mundo de uma forma rigorosa. Como tal, implica sempre um raciocínio de abstração uma vez que não estás a manipular nada de "concreto", mas apenas entidades abstratas. Por exemplo, um poligono é uma abstração que pode ser utilizada representar entidades do mundo real.

E é aí que penso que ser útil aprender matemática: como forma de desenvolver um tipo de raciocínio. Agora como em tudo há quem tenha mais vocação e quem tenha menos. Eu por exemplo sou fraquinho em raciocínio espacial: não dava para arquiteto ou assim.

Mas depois há "várias" matemáticas. Por exemplo a que se aprende na escola não é bem matemática, mas apenas memorização de resoluções de exercícios.

Maria said...

Não vou citar a palavra para não te aborrecer, hehe, mas eu por caso gosto muito. Adoro puxar pela cabeça para resolver esses enigmas...e as formulas por mais que se decorem se nao forem entendidas nao resolvem grande coisa. Por incrível que pareça são lógicas, fazem sentido e são uma ferramenta para chegarmos aos resultados. Os cálculos são o que mais tem piada nos problemas :)

Este é o discurso que faço ao meu filho quando o ajudo a estudar, hehehe!
Agora coisa que nao estudo com ele nem que me implore, é história! A história está para mim como a "..." Para ti :)

lena said...

Bem era uma das minhas disciplinas preferidas o meu odiozinha era a Filosofia.
Beijinhos grandes.

*C*inderela said...

Partilho esse odiozinho de estimação. Eu e os números nunca nos demos bem. Às vezes quando oiço as pessoas a fazerem contas de cabeça fico com dores de cabeça, lolol. Somam aqui, tiram dali, dividem acolá ... não é prar mim :P Já para não falar em formulas bem mais complicadas.

Bjokas.

menina lamparina said...

Um ódio de estimação que temos em comum, portanto. :)*

A Bomboca Mais Gostosa said...

Eu cá era exactamente o oposto, sempre adorei matemática e ciências, letras para mim eram uma seca :p

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