Recomenda-se:

Netscope

Sunday, February 24, 2013

Put yourself in my place

                        
Seria bom que com o enamoramento viesse uma capacidade de empatia automática, de  se trocar de corpo, de mente, de alma e de coração com o outro por alguns minutos. A identificação, a química, a intensidade de sentimentos que exista ou mesmo a proximidade física não são, por vezes, suficientes para que se compreendam os tumultos, labaredas e sobressaltos interiores de quem está ao lado. O outro, até à entrega mútua perfeita, é uma fronteira. O que é indiferente a um elemento do casal pode magoar profundamente o outro - e vice versa. Cada um tem os seus pontos sensíveis, e 
conhecê-los é um dos aspectos mais desafiantes - mas cruciais - da dinâmica de casal. Uma palavra ou gesto mal calculado pode degenerar em flecha envenenada. Um passo inocente, dado em falso, abre um precipício temporário ou obriga a um erguer ou  reconstruir de paliçadas que não ajuda ninguém. Há uma clivagem entre o que se sente e o que se receia. A transferência de espectros, de fantasmas. Exige-se amor e paciência para que a compreensão se instale, é necessário armar-se de tolerância até que se dê a sublimação, que pode acontecer por vários meios. Por vezes o tacto fala mais claro do que as palavras, e causa menos estragos; é preciso começar ao contrário e deixar as palavras passar, ou temperá-las com um bem vindo e carinhoso silêncio nos momentos certos. To be in perfect love, in perfect trust, é o cenário ideal. Mas não surge instantaneaente e até pela natureza selvagem, imperiosa e fulminante de muitas das paixões que valem a  pena, convém que se vá construindo, apreciando cada parte do processo.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...