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Sunday, February 17, 2013

Também vou dizer algo sobre o baby boom na blogosfera...

Pilhas incluídas. Das que duram, e duram, e duram...
...isto porque ontem parece ter sido o Dia dos Bebés. Para onde quer que eu me voltasse, lá estava um a sorrir para mim com ar de quem está a tramar alguma (que isto há bebés espertíssimos!) a fazer gracinhas ou a ser trazido à conversa a propósito de tudo e de nada, e eu a receber olhares que iam do cúmplice "olha tão giro, Sissi" a  "não penses em arranjar um brinquedo destes que as coisas não estão para graças" -  resposta "pois não, que aquelas pessoas amorosas chamadas amas cobram muito caro e eu no lugar delas faria o mesmo!". Logo eu, que sou a pessoa mais para lá de Bagdad no que respeita a pequenos (os da minha potencial autoria, pelo menos) eu que nunca tive um Nenuco porque me recusei terminantemente a brincar com tal coisa, eu que acho que salvo raras excepções (como uma minúscula prima minha que é a coisa mais linda que Nosso Senhor deitou ao mundo e ainda não sai da alcofa) as crianças até aos dois anos todas se parecem, quando não se assemelham - alcunha dada pelo meu irmão - a umas valentes sandes de salame que não se percebe bem a que lado saem, eu, Sissi, que prega que as crianças devem ser educadas assim, a sofrer aquilo tudo. Um aplauso pela coragem das mamãs blogosféricas: sou da ala que pensa que filhos só com muitas condições, tempo de sobra, muita paciência, muita ajuda da família e se possível, de profissionais competentes. Só assim ponderaria a hipótese de trazer uma pobre criança a este mundo para a condenar a lidar com anos e anos de escola, de desafios e sabe-se Deus de quê. É um acto de amor, mas também uma gigante responsabilidade. 

Mas é o que eu digo, os bebés, esses diabinhos de ar angelical, são espertos a raiar a perversidade. Sabem perfeita e orgulhosamente que mal aparecem numa sala todas as mulheres presentes serão alvo de A) ataques de instinto maternal ou B) Situações embaraçosas, vulgo:

1- Mulher indiferente ou vá, serena, em relação a bebés, que por acaso acha que o bebé é bonito e diz "que bonito. Que grandes bochechas" e pronto, tudo dito. Pimba, faz-se silêncio na assistência. Só isso? Nenhuma explosão de instinto ou de relógio biológico prestes a explodir? Nem palminhas nem olhos a brilhar? Nem colo? Há algum problema com esta rapariga?

2- Mulher indiferente ou vá, serena, em relação a bebés que por boa educação é obrigada a fazer um sorriso de orelha a orelha e dizer coisas como "oooooh, que fofinho, que lindo, que cuti cuti" para não melindrar a mãe do pequeno ser. Seguem-se perguntas, todas ao lado, sobre o que a criança já faz, ou não, com não sei quantos meses; para ser franca acho que esta brincadeira de contar a idade em meses depois dos doze, quando o pequeno já tem mais de um ano e seria muito mais simples dizer "tem um ano e X meses";  é um código que só os pais entendem, e que usam orgulhosamente para confundir quem não percebe nada do assunto; perdoa-se porque dormem pouco e passam a vida a falar à bebé, o que pode definitivamente deixar as pessoas taralhocas, mas mesmo assim não se faz. Mãe: tem dezasseis meses. Mulher que não percebe nada de bebés: E já anda? Mãe: *esta sujeita tem um parafuso solto!*. Para disfarçar, a rapariga que não percebe nada de bebés tenta brincar com o dito, mas a aventura não corre lá muito bem porque é preciso jeito (ou prática, ou ambos) para comunicar com eles.

3 - Mulher que adora bebés, que anda mortinha por ter um, e que na presença do namorado com quem nunca discutiu tal coisa, tem um ataque de instinto maternal incontrolável. A reacção do rapaz, dependendo dos seus próprios impulsos ou estado a nível biológico, sócio económico, sentimental (ou tudo junto)  pode ir de "boa, arranjei uma mulher que dará provavelmente uma excelente mãe de família" a "ai Credo, Jesus Maria José, esta quer armar-me um laço, cava Filipe". Também pode dar-se ao contrário, com o homem a ter um surto de "quero um destes!" e a respectiva a pensar "esplêndida ideia" ou pelo contrário "este ensandeceu! vai chamar mãe a outra!" perante toda a gente. Embaraçoso, muito embaraçoso.

4 - Casal que caiu ali por acaso e é subtilmente, ou nem por isso, bombardeado com sugestões mais ou menos inconvenientes, mais ou menos bem intencionadas, de quem está presente na sala. "Quando é a vossa vez?".

                  Haja paciência, muita paciência, para os Nenucos sem pilhas!





6 comments:

Sérgio Saraiva said...

Sissi, filhos só com muitas condições, etc...? Se assim fosse nunca ninguém teria filhos, por motivos óbvios, excetuo quem vive à custa dos maridos sem trabalhar. É uma opção, mas convenhamos que raramente possível.
E depois por muito que se ache que se sabe muito de crianças, uma pessoa nunca está preparada, o que não quer dizer que se deva preocupar excessivamente com isso: tudo se consegue quando há vontade.

Eu acho que estas coisas de lidar com as crianças é tudo uma questão de equilíbrios por vezes difíceis de conseguir, é certo. Por exemplo se a tua preocupação é a chamada disciplina da criança, mesmo que isso implique estar sempre a reprimi-la, no final o mais certo é teres uma pessoa insegura e com baixa autoestima, afinal estar sempre a ser reprimido, pode ser muito bonito para ter a criança "na linha", mas tem efeitos colaterais. Por outro lado se deixas fazer o que ela quer e cedes, ficas com uma criança sem noção das regras de viver em sociedade. E depois ainda tens a questão de que cada criança é um caso diferente, e uma fórmula que funciona com uma pode não funcionar com outra e vice-versa.

Era bom que fosse fácil e bastasse seguir uma receita pré-definida...

Sara Silva said...

eu não sei se me falta alguma coisa (sensibilidade, instinto maternal...), mas quando me deparo com bebés nunca sei bem como reagir.
sei que o esperado é tecer mil elogios àquele pequeno ser porque geralmente é o que se faz e é o esperado que se faça, mas eu não consigo porque ou não tenho nada a dizer (principalmente se forem recém-nascidos, porque me parecem todos iguais), ou simplesmente não sei o que dizer (para quê elogiar as bochechas se todos os bebés as têm assim?).
e depois sou incapaz de ter uma conversa "abebezada", porque me sinto ridícula e, por alguma razão, acho que o bebé me vai achar ridícula também.
enfim, pode ser que isto mude com o tempo, mas não acho que seja um defeito

Imperatriz Sissi said...

Era bom que existisse receita, mas até os melhores métodos ordem sair furados porque cada indivíduo é um caso...dá ser um risco! É preciso estar MESMO com vontade para desligar o lado racional e embarcar nessa aventura. Quanto às condições, há quem prefira tê-los mesmo sem condições ideais ou vá lá, aceitáveis, e quem não esteja preparado para esses sacrifícios. São opções e prioridades, que podem obviamente modificar-se em diferentes fases da vida...vale à humanidade que as pessoas da 1ª hipótese são a maioria, senão...

Imperatriz Sissi said...

eheheh, Sara, eu também sou um pouco assim. Mas estou tranquila porque a mãe era na mesma e depois ganhou o jeito! Acho que em caso de *eventual* necessidade a Natureza segue o seu curso. Uma pessoa não pode sentir-se culpada por não ter instintos maternais explosivos, cada mulher é como é.

Sara Silva said...

"Uma pessoa não pode sentir-se culpada por não ter instintos maternais explosivos" é isso mesmo! acredito que quando sentir o relógio biológico a dar sinal, iremos reformular, inconscientemente, estes instintos :)

Maria Gabriela Dias said...

Falar abebezado? que coisa mais ridícula! Sempre achei isso um modo de deixar as crianças ainda mais MIMADAS e atrofiadas em relação ao desenvolvimento natural delas! Creio que o mais adequado é mesmo fazer o que fazemos normalmente: falar de modo normal, deixarmo-nos de palhaçadas, parar de dizer que o cão é o "au au", ou o gato é o miau, ou os carneirinhos são os "mémés"... ou até chamar "pépé" à chupeta"! NUNCA TAL FIZ, nem depois de ser mãe! Não é assim que demonstramos o nosso amor pelos nossos pequeninos (eu tenho um, mas antes fui tia, e com as minhas sobrinhas portei-me de modo igual!) Aliás, é falando com eles de modo NORMAL que fazemos com que o intelecto deles se desenvolva mais normalmente... e que aos três anos já estejamos a falar com crianças sem ter que recorrer a "intérpretes" (já aconteceu isso uma vez, pelo menos, por causa do excessivo mimo que a criancinha em questão tinha recebido, não se percebia patavina e ainda falava muito "bebezês"). Agora, Gostar ou não de criancinhas... gosto muito, mas não suporto aquelas que só passam o dia a fazer birras e asneiras; só prova que os pais (ou quem os "educa") não as sabem educar!

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