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Friday, March 1, 2013

Chatices que o Google poupa: música mistério

                      
A internet foi uma invenção inestimável. Lembro-me de em pequena imaginar como seria bom que existisse algo parecido que nos desse, com o simples carregar de um botão, acesso a tudo o que precisássemos de saber, ver, aprofundar, explorar,  comparar, recordar ou descobrir. A única desvantagem será que, com acesso fácil e imediato a "auxiliares de memória" se perca o hábito de saber as coisas de cabeça, vício muito mau que evito a todo o custo. Contratempo insignificante se pensarmos que os aborrecimentos (ainda que menores) que o amigo Google nos poupa são uma coisa sem preço. Uma das maçadas que recordo de pequena era ouvir uma canção que me deixasse encantada na rádio, como música ambiente em qualquer lado, ou num filme e não fazer a mínima ideia de quem era, ou não me lembrar. Sempre fui muito sensível à música, com um verdadeiro ouvido de tísica, e quando um tema me fica na cabeça é um caso sério. Preciso de ouvir outra vez, de reparar na letra e na melodia, de apanhar todos os detalhes, e de voltar a ouvir até me cansar. Hoje basta fixar um pouco da letra, vai-se ao Google et voilà, mistério resolvido: temos acesso ao nome, intérprete, significados, teorias da conspiração, história e nota bene, o Youtube trata do resto porque há sempre uma alma que tem os mesmos gostos que nós por mais exóticos ou raros que sejam. Agora, amigos melómanos que cresceram nos anos 80/90, lembrem-se lá de como era ainda há pouco tempo: uma pessoa ouvia, gostava e tinha de se lançar numa verdadeira caça ao tesouro, perguntar a fulano e beltrano, se calhar ligar para a rádio, ir a uma loja de discos e eventualmente, se não soubéssemos mesmo nada sobre a canção trauteá-la, o que era sempre embaraçoso; e com sorte havia o CD (que com um pouco mais de sorte trazia a letra) se não houvesse tinha de se encomendar e por vezes nem assim - pior ainda, às vezes mandava-se vir e gastava-se um ror de dinheiro num álbum que ia-se a ver, só tinha uma canção que se aproveitasse porque o resto estava lá colocado para encher chouriços. Como sempre fui muito picuinhas quando o assunto era música isso irritava-me sobremaneira  (lembro-me da chatice que foi comprar um disco do Ryuichi Sakamoto que veio directamente de Tókio. Demorou meses e felizmente esse valeu bem a pena, ainda o tenho). Para não falar na facilidade em comparar, por exemplo, diversas versões ou interpretações dos mesmos temas (para quem gosta de ópera ou música folk, por exemplo) que hoje é a coisa mais fácil que há mas antes deste admirável mundo novo ficar acessível a todo o planeta, facilitando assim a partilha de informação, exigia uma data de cautelas para não se comprar gato por lebre. Acho que por vezes nos esquecemos de apreciar os pequenos confortos e facilidades, mas eu gosto de contar bênçãos: e o fim das músicas mistério que me torturavam semanas a fio é definitivamente uma delas.

3 comments:

Sara Silva said...

eu também uso muito o google para isso: para encontrar músicas que ouvi e de que gostei! basta decorar um verso e escreve-lo na pesquisa, o pior é quanto me esqueço dele! ahahah
mas sem dúvida que dá muito jeito :)

Imperatriz Sissi said...

Adoro :D
Quando me esqueço também fico mais danada...

C. N. Gil said...

Olha, eu já sou tão arcaico que ainda sou do tempo dos vinis... LOL

...e sim, era mesmo muito complicado!

E depois lá se encontrava um gajo que tinha a cassete que tinha sido gravada da cassete de um amigo que copiara a cassete, de outro que tinha uma cassete que foi gravada do vinil...
...e aquilo já se ouvia às ondas mas ainda assim ouvia-se...

:)

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