Recomenda-se:

Netscope

Saturday, March 2, 2013

Diz que anda para aí uma revolução

                                
Que Março vai ser mês de revolução, e Grândola para cá e o povo que ordena mais que toda a gente para lá, e eu, exceptuando a minha revolução interior entre o fim de Ano e o mês passado, não faço a mais pálida ideia de como é que uma pessoa faz a revolução. Se calhar nem me dava jeito nenhum, porque a revolução é uma coisa que nunca está feita - em Cuba andam há décadas nisso e parece que ainda não terminaram, é pior que as obras de Santa Engrácia - e ainda por cima desarruma e suja imenso.  Não me podem dispensar disso? Se a Revolução for mesmo uma revolução, às tantas ninguém pode faltar. Perguntei cá em casa como é que foi na dos cravos e responderam-me (os meus pais eram tão novos que não podiam ter  grande empenho a não ser expulsar o reitor psicopata que espancava brutalmente os alunos, e nisso acho que fizeram muito bem, eu também o corria e não era à força de cravos) que era só ir com os outros que vieram à rua ver afinal o que era aquilo que se estava a passar, e andar de um lado para o outro e cumprimentar todos os conhecidos que saíram à rua pela mesmíssima razão e estavam tontos a olhar para aquilo tudo e a gritar O Povo Unido a plenos pulmões, não há nada como um mote bem pensado para agarrar uma multidão (mas então a revolução é ir atrás dos outros e pronto? Nesse caso não me venham com coisas, a revolução é só trólaró, com palavras de ordem em vez de croquetes e toda a gente a  berrar união, lealdade e fraternidade ou justiça). Não me peçam para gritar "EU QUERO VER AQUI UMA P*** DE UMA REVOLUÇÃO, VIVA A LIBERDADE, VAMOS BEBER" como ouvi uma vez num concerto de heavy metal onde me arrependi de ter posto os pés, que eu não sou mulher disso, deixo para quem sabe.  E como é que eu sei que estou a  revolucionar bem? Não há para aí um manual da revolução que me possam emprestar, para eu não fazer tristes figuras? Quem tem a receita, que está à revolução à porta e nenhuns preparativos feitos? Não é assim que se organiza um evento ou vá, um fenómeno social. Agarro numa foice, ou num ancinho, E já agora, qual é o dress code para revolucionar em grande estilo (viva a Liberdade!). É à Maria da Fonte? À sans culottes? À Che Guevara? Enquanto não me explicarem o que é que se vai revolucionar afinal de contas, o que vem a ser exactamente esta suposta revolução e como é que isso se faz, não saio de casa. Ainda estrago a revolução aos outros, o que é sempre uma coisa desagradável de se fazer.

No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...