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Wednesday, March 20, 2013

Do regresso à realidade, e das serpentes

                                 
                                                            
Eu bem preveni que o Ano da Serpente seria complicado. Mas sendo a Serpente tão subtil, tão silenciosa, pode apanhar sem guarda mesmo quem está de sobreaviso. Mostrar as suas bonitas cores, fazer a sua dança ondulante, mergulhar-nos no seu universo sedutor e diabólico  - só para nos hipnotizar e atacar a seguir. Quando o veneno nos toma o sangue, é um bruxedo para sair. Primeiro caímos por terra com a dentada, depois ficamos atordoados, sem saber para que lado está o chão nem o tecto, e a perguntar que diabos nos atingiu, se foi todo o exército troiano ou um cometa. Num ano assim, todas as ilusões são demasiadas, é preciso medir bem cada passo por mais brilhantes que sejam as aparências.  
If you look in the face of evilevil's gonna look right back at youNão é que a Serpente seja necessariamente má - pois nada nesta vida é apenas preto ou branco -  mas como  tudo o que é poderoso e intenso, precisa de ser manuseada com cuidado. E ao olharmos para ela, deixa a sua marca. Quando o veneno se desvanece, algum poder é transferido para nós. Tornamo-nos, também, ondulantes. E aprendemos a fluir. Colocamos os pés na terra e regressamos à realidade, como se a víssemos pela primeira vez. Quando a dança acalma, tudo parece mais brilhante, mais lúcido. Não é que a  gira tenha parado, somos nós que giramos com ela. De volta ao trabalho que precisa de ser feito, e com as presas mais afiadas do que nunca, just in case.

2 comments:

Vasco Alexandre Vilao said...

Podes crer...

Imperatriz Sissi said...

Totalmente. Patético e desprezível...

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