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Tuesday, March 5, 2013

Eu embirro com expressões politicamente correctas

                      
Tenho mencionado isto por aqui: sou pessoa que se abstém de palavrões; não digo disparates a não ser em casos muito específicos em que seria chinfrim usar um substituto, mas faço-o em surdina e em privado. (Há quem escreva lindamente com palavras fortes, mas eu não tenho jeito nem graça para usar esse estilo de discurso). Por outro lado - e isto poderá soar estranho a quem olha para mim e me acha uma florzinha de estufa - abomino eufemismos, pelo menos os standard; tenho os meus próprios eufemismos, muito obrigada. E prefiro uma palavra mais expressiva, mais veemente, mais antiga ou mais rude a um insulto/praga ou exclamação assim assim, que não faz bem nem faz mal. Caramba, não se falece, morre-se, batem-se as botas, os paus ou estica-se o pernil (se bem que dizer a alguém "e se falecesses?", como o outro, tem lá a sua piada; "vai-te finar",  que me ocorreu agora, também deve ser giro). No quesito insultos, também não gosto de poupar. Ou bem que se insulta, ou bem que se mata com gentileza (e a condescendência pode ser o pior dos venenos). Mas se é para descrever jocosa ou insultuosamente alguém, uma pessoa que pelos seus actos e forma de estar perdeu o direito ao respeito que em geral atribuo até à mais remota das criaturas de Deus, temos o caldo entornado. Só em última instância injuriaria alguém na cara, porque quem não me merece respeito não me merece conversas, muito menos confrontos (não me dou ao trabalho de abrir hostilidades; quando muito, fecho-as pela porta grande). O ser, ou sujeito (a), passa à categoria de intocável, a quem não se fala e para quem não se olha sequer. Em boa verdade eu não insulto: caracterizo, quando se fala ou pensa no (a) visado (a). É certo que tudo vai da forma, do tom e do volume com que se dizem as coisas - no meu caso, quanto maior a indignação ou o desprezo, mais se tende a sibilar. Não se grita, silva-se. Ou atira-se a palavra: dos mais soft alminha, criaturinha, infeliz, escroque, pato bravo, desgraçado (a), pulha, pindérica (o), vulgar, vigarista, ordinário (a), (....inserir termo) reles - eventualmente acompanhados da proveniência do mostrengo: de baixo de uma pedra, do fundo da sarjeta, daquela baiuca - aos mais incisivos, como galdéria (o) ou estrangeirismos que querem dizer o mesmo - troia, tart - a nomes de bicharada de presépio, ou que anda pelos ares e grasna, que aplicados em português não são lá muito simpáticos e no último dos últimos casos, duas asneiras que agora não digo (essas, proferidas mesmo em surdina). Há que chamar os animais que puxam o arado pelos nomes, passe o eufemismo.

3 comments:

Isto e aquilo said...

Não posso estar mais de acordo :)

Imperatriz Sissi said...

Esqueci-me de pedir "coloquem aqui exemplos dos insultos que utilizam". Bolas, teria sido divertido...

Akira Ureshi said...

concordo o máximo que posso dizer é 'vai morrer longe' de resto evito esses tipos de confronto, mas se tiver em 'DIA NÃO' ui sai o que sair e sem pedir desculpa :)

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