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Monday, March 18, 2013

Flor da Murta: as meninas más...

                                              
Portugal sempre foi um país de gente com decoro (ou pelo menos, antes era, hoje vai rareando cada vez mais) e por cá a ideia da maîtresse-en-titre, da amante real de carácter oficial ou semi, não era tolerada  - ou mesmo, encorajada com entusiasmo por boas famílias ansiosas de favores régios e dotadas de filhas bonitas - como acontecia noutros reinos por essa Europa fora. As ligações adúlteras, ainda que em leito real, eram salvaguardadas sob um véu de discrição e quando tornadas públicas, causa de desonra ou pelo menos, vergonha e desconforto. A belíssima D. Luísa Clara de Portugal, que passaria à História como uma das amantes do muito namoradeiro Senhor D. João V, foi um dos poucos vultos femininos a chegar até nós com retrato e rumores mais ou menos confirmados. Casada e mãe de três filhos, o marido, D. Jorge de Menezes, nunca recuperaria do golpe que foi saber a sua linda mulher nos braços do soberano. Não podendo fazer outra coisa, o infeliz retirou-se para a província com toda  a dignidade que conseguiu reunir, deixando-lhe completa liberdade. Mais tarde, a beldade 
atrever-se-ia  mesmo a atraiçoar o monarca com um dos primeiros jovens fidalgos do Reino, prova provada de que só os amores na duplicidade lhe faziam bater mais forte o coração. Homem infiel, mas intolerante à infidelidade alheia, D. João V ficou louco de furor com o capricho da favorita: ele que dividia as suas atenções entre tantas mulheres, deu-se à canseira de lhe  prender o amante - que só por muita intercessão se salvou de ser mandado castrar por vontade régia. A loura e voluptuosa D. Luísa Clara deixava um rasto de escândalo, mas escândalo perfumado, por onde passava.
 Admire-se ou não a figura, há que reconhecer que estamos perante uma mulher que não seguia outra vontade que não a sua, que não era comandada pelos desejos ou prazeres de outrem, mas por si mesma. Indiferente ao ciúme, à polémica ou mesmo ao perigo que daí adviesse. Afinal as raparigas más vão para toda a parte, e diz-se que os homens são um pouco como os autocarros (ou neste caso,  como as carruagens): se uma pessoa se distrai e perde um, aparece outro logo a seguir...


2 comments:

teardrop said...

Ultimamente tem-me dado para ler biografias dos reis e rainhas do nosso país, onde aparecem histórias assim. Quanto à frase final, concordo contigo!

menina lamparina said...

Tenho um fraco muito forte por mulheres assim... eheheheh :3

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