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Wednesday, March 6, 2013

Não é preciso ir para o Rossio para se ser pantomineiro. Basta ser-se pantomineiro.

                                     
Um país onde Pessoa é citado a propósito de tudo e de nada, porque cai bem citar Pessoa e é o primeiro nome que vem à cabeça, como se (não desmerecendo o luminoso amigo de Aleister Crowley, autor da visceral tradução de "Hino a Pã") não fôssemos um país entre os melhores do mundo o que diz respeito a autores. Um país com uma mentalidade aburguesada e chinfrim, sem os hábitos de trabalho inerentes à burguesia, acostumado ao jeitinho, à indisciplina, à falta de aprumo e ao desenrasca; um país que vai inevitavelmente em cantigas, mas só se os outros forem todos, e geralmente sem saber porquê; um país que adora modismos, mas não se dá ao trabalho de saber de onde vêm nem tão pouco se lhe assentam; um país que já teve estilo, nos tempos áureos, mas que o foi arrastando e estafando até ficar pelintra de todo, e agora faz gala de ser muito amiguinho da justiça, muito amiguinho da igualdade, mas não diria que não a um belo tacho e só condena quem tem mais do que ele, e só se levanta quando as maçadas lhe batem à porta, porque até aí o vizinho era um malandro que vivia à grande, um vampiro que se aproveitava do "povo" (essa sacra entidade que ninguém sabe ao certo o que é). Um país assim está é a pedir dois berros, a precisar de acordar com um Manifesto Anti Dantas Almada Negreiros style que ponha no lugar os  pantomineiros, trampolineiros, patos bravos, poseurs, inimigos do gosto, da honra e da beleza. 
O que faz falta a este país, mais do que resolver a  crise -  porque crises vão e vêm -  é educar o estilo.  O gosto pode ser inato, mas também se educa. Vejam os japoneses, franceses e italianos,  povos que sabem fazer as coisas com cachet. Alguém fala no estilo português? Como querem vender a marca Portugal aos mercados (essas sacras entidades que ninguém sabe ao certo o que são; há quem diga que os mercados somos todos) se não temos um posicionamento, uma imagem definida, cuidada, que não seja de um povo sempre a emigrar, sempre pobretanas e desnorteado, sempre a fazer vénias? Há o ser e há o parecer. Antes de mais, urge arranjar para este país um personal stylist. Acompanhado de um alfaiate e de uma engomadeira de grande competência, para lhe tirar este ar afadistado e anémico de uma vez por todas. Assim, PIM PAM PUM.



1 comment:

Pusinko said...

Oh saudades do Manifesto Anti Dantas! Depois de o ler pela 1a vez, gostei tanto que fui ter com a mae para o reler em voz alta (ela tinha-mo dado nesse dia garantindo que eu ia achar engracado). Há anos que nao me lembrava disso.
Excelente escolha :)

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