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Friday, March 8, 2013

O Dia da Mulher, segundo as avós

                            
aqui e aqui se deu o meu parecer acerca do Dia da Mulher ... apenas por uma questão de reforçar ideias, pois este é um blog onde se fala muitíssimo de nós, mulheres - sem desprimor para os cavalheiros gentis que acompanham o IS. Recentemente mencionei como acredito que as mulheres sempre governaram o mundo subtilmente, por detrás do pano, usando os seus encantos e uma maravilhosa astúcia (Lívia Augusta, Átia, Anne Boleyn, Diana de Poitiers, Agnès Sorel) ou uma grande nobreza associada a um ânimo varonil (Santa Isabel de Aragão, D. Leonor de Távora) embora se faça a devida vénia às que, de caras, dominaram o cenário (Caterina Sforza, Iolanda de Anjou, Leonor de AquitâniaCaterina de Medici, Isabel I) e não se esqueçam as que de forma mais ou menos honesta, com mais ou menos moral, moldaram o seu próprio destino (La Paiva, FrinéiaLa Belle Otero, Veronica Franco) e tiveram os homens mais poderosos, os movers and shakers do tempo, aos seus delicados pés. O tempo não me chega, com muita pena minha, para me dedicar a todas as figuras femininas que gostaria de abordar aqui, mas vai-se trabalhando para isso. E o motivo é que há histórias, e detalhes da História, que nos recordam o que somos, e como devemos conduzir-nos, melhor do que qualquer frase feita bonitinha, melhor do que jantarinhos "de mulheres" ou qualquer canção porta-estandarte que pregue as alegrias de "ser mulher". Prefiro inspirar-me no exemplo daquelas que muito antes de nós se impuseram pelo estilo, o espírito, a beleza, a sensualidade, os neurónios, a pena, a linhagem ou a espada, ou uma combinação de vários destes factores. 
  Quando me sinto mal, costumo pensar que as mulheres que mais admiro passaram por muito pior. Ou recordar os conselhos da avó Tete, que era uma verdadeira senhora, daquelas que vão rareando, e provavelmente a que mais me influenciou. Já vos contei várias estórias e máximas dela, de uma época em que se falava muito pouco em dias dedicados à Mulher. Elas tinham de se defender a si próprias, e não detendo poder oficial, conspiravam ardilosamente nos bastidores (como sempre foi, afinal de contas) ora de forma amorosa, ora para impor a sua vontade: primeiro para dar a volta ao pai, depois para escolher marido, a que teriam de dar a volta mais tarde se queriam uma vida feliz. Era assim que as coisas se faziam naquele tempo, mas como carácter sempre foi coisa que independeu do sexo, havia bons e maus relacionamentos como há hoje - a capacidade de resposta feminina é que era diferente. Como tal, as raparigas solteiras tratavam de observar os exemplos das que já estavam casadas, na tentativa de evitar  passos errados. E uma das formas de distinguir um homem bom de um mau era, segundo a avó, reparar no ar da mulher. " Vê-se pela cara da mulher o tratamento que o marido lhe dá", dizia ela. Ou seja, as que tinham a  seu lado homens que as mimavam em todos os aspectos, que lhes proporcionavam um ambiente pacífico e tranquilo em casa, que eram carinhosos e fiéis, irradiavam serenidade e segurança. Andavam com boa cara e bem arranjadas, não só porque eles não permitiam que lhes faltasse nada (coisa que na maioria dos caso, dependia deles...) mas porque tinham orgulho nelas e em que se embonecassem. Não eram, portanto, maridos dominadores, agressivos, ciumentos e sempre a pular a cerca. As que tinham casado com brutamontes, pelo contrário, mostravam sempre um aspecto inseguro, amedrontado e, como se dizia ao tempo, infernizado. As meninas casadoiras tratavam, então, de olhar com desconfiança os irmãos, primos ou amigos solteiros desses maus maridos. (Diz-me com quem andas...).  Mesmo nessa época, as mulheres sensatas sabiam valorizar-se e só por muito azar se sujeitavam, com medo de ficar sozinhas, ao que as mulheres de hoje não devem 
sujeitar-se. Infelizmente, bem sabemos o que é a realidade, e que a falta de amor próprio é a raiz de muitos males. E já que se festeja hoje a igualdade, o conselho também vale para os homens: ser maltratado, ninguém merece.

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