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Friday, March 8, 2013

O Dia da Mulher, segundo o Povo

                                              
Vox populi, vox dei. Os contos populares são um registo de costumes inestimável, que nos permite ver como era a realidade de outros tempos, muito para além do status quo. Como foi dito no post anterior, em dadas épocas havia a ordem estabelecida (o Homem era o chefe de família, a Mulher a hábil gestora e de preferência, submissa como mandava a Igreja e a sociedade) mas o que se passava entre portas era, muitas vezes, outra história. Mesmo nos casos mais graves, a astúcia levava amiúde a melhor sobre a força - ou arranjava modo de pagar na mesma moeda. E o conto abaixo, que reproduzo de memória, é um excelente exemplo: ninguém interferia na bela ilusão masculina de mandar em tudo mas a dinâmica real era de equipa (quando não andava tudo às avessas, o que pessoalmente também não me parece lá muito bonito...nem oito, nem oitenta).

Era uma vez um prior muito cioso da paz doméstica na  paróquia. Como no seu entender havia uma certa sublevação das mulheres na freguesia, quis chamar a atenção para a sacra autoridade do esposo, premiando o marido mais capaz de impor ordem em casa. Assim, no final do sermão de Domingo, o Sr. Prior fez um anúncio: como tinha muitas nogueiras e a colheita fora excelente, iria oferecer um grande saco de nozes ao homem mais machão (e mandão) que se encontrasse entre os fiéis. Mas atenção - reforçou - só darei às nozes ao homem que provar que não é comandado pela mulher
Ora, entre a assistência havia um homenzarrão que se achava o cúmulo da autoridade. Em casa, o galo era ele. A sua palavra era lei e ninguém soltava um pio. A mulher e as filhas andavam direitinhas como um fuso e senão, já sabiam...
 - As nozes já cá cantam! - pensou o bruto - a minha mulher não manda rigorosamente nada, toda a gente sabe que eu sou o marido mais obedecido cá do burgo. E certo da sua supremacia, apresentou-se em casa do Padre no dia seguinte.

- Muito bem, meu filho! - disse o Padre - já contava que cá viesses. Bem sei que em tua casa quem dita as regras és tu. Deixa cá ver o saco, para levares as nozes.

Qual não foi a surpresa do Prior ao ver que o homem trazia consigo não um alforge (do tamanho de um saco de batatas actual) mas um saquito pequeno. 

- Então?  - perguntou espantado - porque diabos não trouxeste um saco maior? Eu 
disse-te que eram muitas nozes!

- Ah, Sr. Padre, sabe...eu bem queria, mas a mulher começou com coisas, que era vergonha trazer um saco muito grande, que o Sr. Prior havia de julgar que somos uns gananciosos e uns mortos de fome, e tal...e lá acabei por trazer antes este.

Escusado será dizer que o Padre ficou zangadíssimo e que o homem não levou noz alguma. E que há muitas formas de "mandar"...métodos que as mulheres sempre dominaram como ninguém. A autoridade é muito relativa...





3 comments:

Sara Silva said...

ahahah, gostei desse exemplo! realmente nós, mulheres, somos peritas na autoridade subtil. nós não mandamos, nós sugerimos com persuasão
eighteen and a life

Imperatriz Sissi said...

Nós não precisamos de mandar ;). Pomos tudo num virote com um pouco de persuasão e uns "ergueres de sobrancelhas".

Na Província said...

Fugindo um docadinho ao tema, confesso que amei a foto, tenho uma muito parecida em casa, da minha avó com uma irmã, vestidas á Minhota, não fossemos nós uma familia Minhota :) :)
Um beijinho e bom fim de semana

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