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Saturday, March 30, 2013

Sissi responde: lidar com copiões doentios

                      
A querida A. fez-me chegar um problema aborrecido, com o qual muitos de nós já se devem ter deparado: os copiões doentios.

Querida Sissi,

Para além de gostar muito de ler o seu blog, o que me faz escrever-lhe hoje é (...) sugerir um tema.
Gosto muito dos posts em que fala dos tipos de pessoas com quem nos podemos deparar na vida, pois mais cedo ou mais tarde acabo por constatar aquilo que escreveu. É como se a Sissi nos desse um guia para interpretar essas características nas pessoas. 
Tenho uma "colega" que, sem querer ter a mania da perseguição, está sempre a copiar-me. Se eu gosto de uma coisa, ela também gosta; comento que gostava de comprar determinada peça de roupa, dois dias depois aparece com uma peça "igual"  (...). Além disso tem atitudes terríveis como agarrar os meus pulsos para ver os acessórios que trago (...) e "atacar" a minha bolsa de cosméticos (que estava dentro da minha carteira) para bisbilhotar, não os produtos, mas as marcas dos mesmos, soltando num tom desagradável "é só coisinhas boas". Isto aborrece-me um bocado, porque tenho sérias dúvidas que ela aja desta forma com uma energia boa. E, como sou um pouco supersticiosa, tenho receio que isto ainda se transforme em "olho-gordo".

Para já, fico muito contente por os figurões com que me vou deparando (e caracterizando/ denunciando/sovando impiedosamente aqui no IS) servirem, já que existem, para prevenir outros incautos. 
    Ora, parece-me que a A. está a lidar com um caso típico de má criação passiva...e o que é mais chato, com uma pessoa que é obrigada a ver todos os dias, e que provavelmente terá de tratar com alguma diplomacia. Por muito que até seja lisonjeiro que gostem das nossas coisas, a sensação de estar perante um perseguidor de qualquer género é muito desagradável. E saber de antemão como aquela pessoa vai reagir, copiando-nos dia após dia, é só por si um factor de stress.
  Antes de mais, é preciso ver que a colega em causa pode não ter de facto má intenção: só uma grande falta de chá, uma séria insegurança, um parafuso solto e falta de noção do espaço privado dos outros. Há pessoas assim, e a melhor forma de lidar com elas é dar-lhes pouca confiança e o desconto que se deve aos tolos. Indivíduos desses raramente são perigosos, mas precisam que lhes estabeleçam limites. Isso não significa, porém, que autorizemos outrem a causar-nos situações constrangedoras. Ninguém tem o direito de nos tocar contra a nossa vontade, invadindo o nosso espaço físico; muito menos de remexer na carteira alheia. Essas "agressões passivas" são, quanto a mim, o pior indicador num caso destes. Ficam algumas ideias, que poderão ser aplicadas consoante o grau de "amizade" que se tem com a pessoa em causa:

- Para "medir" a capacidade de imitação da copiona tente conversar com ela amigavelmente, de modo a perceber o que ela detesta. Na posse dessas informações, diga dali a dias, como se já nem se lembrasse da conversa, que "gostava tanto de ter aquelas calças ou aqueles sapatos" que ela considera horríveis. Se aparecer com uns, a obsessão realmente não será com o seu estilo, mas com a sua pessoa.

- Pessoas assim são carentes e alimentam-se de atenção. Se ela a incomoda realmente, limite as conversas e sorria pouco. Quem não respeita os limites toma qualquer sinal de abertura por fraqueza. E faça tudo para que ela ouça o menos possível sobre os seus gostos e projectos. Não tendo eco, talvez arranje outro "ídolo" para copiar.

- Quando a imitação for realmente descarada, pode dizer algo do género "estou a ver que a X gosta mesmo das minhas ideias".

- Se apesar de tudo ela não é má colega, diga-lhe francamente que o estilo que ela usa (sem mencionar que é o seu) não é o mais indicado, e sugira-lhe outras coisas. Já que se deixa tanto levar pelas suas opiniões...

- Se ela voltar a tocar nos seus objectos pessoais, ou a agarrar-lhe nos pulsos, o melhor será fazer (sem exageros) cara feia e dizer com firmeza "Não!" ou "calma aí. Desculpem lá, mas não se mexe nas coisas dos outros". Sem mais. 

- Em relação aos comentários desagradáveis, o bom e velho "que foi?" ou "há algum problema?" nunca falha. As pessoas invejosas e inquisidoras detestam que se inverta o jogo, sendo elas alvo de perguntas. Quando perguntar, feche o sorriso e olhe directamente no rosto dela. 

- Quanto à inveja ou "mau olhado", para quem acredita nisso e quer, ao mesmo tempo, dar uma alfinetada discreta, o melhor é ter na secretária um vaso de arruda (se os colegas não se importarem com o aroma). Ou arranjar umas bijutarias que tenham um olho turco ou um olho de Hórus, amuletos tradicionais contra o olho gordo. Quando ela perguntar o motivo, porque inevitavelmente perguntará, diga "é para afastar o olho gordo e as pessoas que cobiçam o alheio. Dizem que faz bem". Para bom entendedor...








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