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Saturday, April 20, 2013

A máscara


Todos nós usamos máscaras no cenário social, e nem todas com má intenção. Sendo uma pessoa algo reservada, sempre me senti muito mais confortável quando - numa festa, por exemplo - tinha um papel a cumprir: o de jornalista, o de anfitriã, o de cantora convidada, ou o de ser o plus one de alguém que tinha, por sua vez, uma missão importante a representar. Vestir uma determinada camisola, pôr uma máscara, assumir um papel é uma grande ajuda para os desafios do dia a dia. Creio mesmo que cada indivíduo tem várias facetas (falo por mim, eu tenho) e às vezes, evocar, realçar ou ampliar uma delas, numa óptica fake it ´till you make it, é um truque estupendo  a tirar da cartola quando temos uma tarefa difícil pela frente. A máscara da coragem, a da altivez, a da confiança, a da indiferença, a da neutralidade ... podem ser aplicadas de forma eficaz e inócua. 
 Usar máscaras só se torna um problema quando elas se afastam demasiado de quem somos na realidade, quando servem para mostrar o oposto exacto das verdadeiras intenções ou acções. Parecer sincero, quando se escondem enredos intrincadíssimos; fazer uma jura pensando ou agindo de modo inverso por trás do pano; usar máscaras tantas vezes que já não se sabe onde está a verdade ou a mentira, tantas vezes que a verdadeira face desaparece, isso sim é grave. Quando assim é, só quem se mascarou pode redimir-se, procurando encontrar algures, na multiplicidade de rostos que arranjou, a máscara da verdade, a máscara da sinceridade, a máscara da coragem, a máscara do arrependimento. Também a redenção, como tudo na vida, pode ser uma questão de fake it ´till you make it. Fingir, fingir e tentar até obter resultados.



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