Recomenda-se:

Netscope

Tuesday, April 2, 2013

A "patroa" do Facebook não deixa de ter razão: paciência a mais



                                         
Não me identifico de todo com a personalidade agressiva da "mulher executiva" (o temperamento que herdei basta-me, não preciso de inventar mais nada) nem com a maioria dos mitos a tender para o feminista que rezam que uma mulher tem de parecer-se com um homem se quiser ter êxito, muito menos com a figura detestável da generala que manda em casa (sempre acreditei que mulheres bonitas e inteligentes deixam aos homens as suas ilusões, casais saudáveis equilibram os poderes e a mulher realmente dotada de espírito dirige os acontecimentos sem alardes). A minha abordagem do assunto flutua algures entre usar a feminilidade a nosso favor em vez de a esconder, e temperá-la com atitudes menos passivas - ou dignas de tigresa -  quando necessário. Dos poucos livros de "estratégia feminina" em que pousei os olhos aproveitam-se, de ambos os lados da barricada, The Rules, Why Men Love Bitches, e Good girls don´t get the corner office. Sheryl Sandberg, braço direito de Mark Zuckerberg, também lançou um livro que já está a causar certa polémica - e se em alguns aspectos, nomeadamente nos clichés " não me odeiem porque sou poderosa"  discordo inteiramente dela, noutros assino por baixo. Quando achou que era injusto não haver lugares de estacionamento para grávidas, Sheryl exigiu um e a empresa (à data, a Google) aplaudiu a ideia, e perguntou como ninguém se tinha lembrado disso antes. Ninguém gosta de patetas nem de cobardes que sofrem em silêncio, sexo à parte. Também estou de acordo com ela quanto ao terrível desejo de agradar - ou medo de desagradar -  um dos defeitos femininos por excelência. Desse tento ao máximo livrar-me, porque é um vício perigoso.  E por muito que eu defenda a feminilidade, reconheço que nós, mulheres,  sorrimos demais, somos amorosas demais, toleramos demais, tentamos demasiado consertar o que não tem arranjo. Falo por mim, que sou uma pessoa de reacções rápidas e pouca paciência - que não será com mulheres mais medrosas ou tímidas? O impulso da criação é demasiado forte em nós. Fomos inventadas para cuidar e manter, não tanto para destruir, e educadas há séculos nesse sentido. E isso é o nosso grande problema, não só no sector profissional como nos relacionamentos e na vida doméstica. Aquilo que nos deixa desconfortáveis, infelizes ou inseguras, em qualquer sector da vida, não deve ser mantido, por um segundo que seja. Os homens não conservam nada que lhes desagrade. Têm a  virtude (ou o treino de milénios na caça e na guerra) para atacar ou bater em retirada antes que a tempestade se levante. Nós, mesmo as que queimam pontes e são capazes de destruir quando é necessário, tomamos essa iniciativa a passo de caracol.  Ainda que nos antecipemos, quando finalmente o fazemos já se passou um mau bocado, tudo à conta da mania de não levantar ondas. Não é que não se deva ser doce ou feminina - mas no que respeita à paciência, precisamos de ter menos. E de arranjar reflexos mais rápidos. 





2 comments:

Katia Barata said...

Antes de mais nada quero dizer que admiro imenso o teu blog. A maneira como escreves é admirável! É o blog que eu sigo mais atentamente...
Às vezes o que nos faz sentir desconfortáveis e inseguras (no meio profissional) é quando tenho mais vontade de lutar contra a corrente e melhorar de forma a que essa insegurança desapareça... E não acho que deva desistir, mas, sim persistir... :-)
beijinhos e continua a dar motivos para te ler todos dias :D

Imperatriz Sissi said...

Muito obrigada, Katia! Por acompanhares e pelos elogios. Todas as mulheres deviam lutar contra a corrente, principalmente num país com tão pouca democracia no local de trabalho como o nosso. Beijinho.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...