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Tuesday, April 2, 2013

Às vezes queria ser o Sartorialist, ou o Alfaiate.

                                                  
Mas falta-me a descontracção e enfim, este não é um blog de streetstyle. Talvez um dia eu ganhe coragem e crie uma rubrica dessas aqui no IS porque, os deuses sejam louvados, ainda vai havendo  gente com um estilo divino por aí. E não é preciso viajar para Londres ou Milão, basta passar pela Coimbra dos amores para ver algumas amostras do melhorio que se pode fazer com um guarda roupa. Curiosamente, muitas vezes são as pessoas com respeitável idade, os avós, a apresentar os exemplos mais interessantes. As senhoras de boa sociedade de outros tempos com esplêndidos casacos de  peles, os seus lencinhos, o cabelo sempre tratado, as suas pérolas e as toilettes de lojas giríssimas que já lá vão, como O Último Figurino, que dão o seu giro ao Pingo Doce, à pastelaria ou ao mercado logo pela manhã; os maridos destas, sempre aprumados, com fatos que se nota terem sido encomendados, e mais tarde ajustados, no alfaiate à medida que passavam os anos, figuras típicas da paisagem Coimbrã; e não raro, senhores do campo que lá por tratarem da terra que lhes pertence, não descuram um aspecto bonito de se ver.
 Ontem vi um casal lindo, e cujas fatiotas me deram vontade, se eu não fosse uma pessoa honesta e respeitadora, de pedir emprestadas. Ela tinha a gabardina em linha A mais bonita que já vi, com um grande carapuço (e eu que me derreto com carapuços) forrado a preto sobre bege, que segurava com uma grande laçada à frente. Janotíssima, a senhora! Recentemente, numa visita à aldeia, deparei-me com um cavalheiro governando o seu tractor (nem mais). Bonita e alta figura, cabelo comprido e barbicha como um gaulês, samarra de peles e boina, um encanto. Dir-se-ia uma personagem da Bretanha, ou um fidalgote rural que por desenfado, se entretinha a jardinar, esperando o retrato que ia inevitavelmente saltar por ali mais minuto, menos minuto.
 É que pessoas assim vêm de outro tempo, com outros hábitos de vestuário  - bons hábitos, assinalemos - que não se perderam. Têm o costume de conservar as roupas e o propósito com que as usam. Certa vez, estava eu numa mercearia com um trench coat vintage que já vos mostrei aqui, quando uma bonita avozinha me aborda a elogiar o feitio, a execução e o tecido da gabardina. Rompemos numa animada conversa que passou, essencialmente, por "já não se fazem coisas destas". É que a senhora, imagine-se, tinha sido modista numa das melhores casas de Paris... o conhecimento é tudo, e o estilo não envelhece. Há muito que as "pessoas mais velhas" nos podem ensinar sobre verdadeira elegância e savoir-faire na arte de bem vestir...e estar.  Talvez por isso, tenha surgido um blog que vale a pena  espreitar dedicado às pessoas "de idade" com estilo para dar e vender. Essa é a maior beleza do street style: transcende idades e padrões. Só a elegância interessa.
  

8 comments:

Fashionista said...

Adorei! Realmente a moda e o estilo não têm idade!

Paulo Abreu e Lima said...

Gostei muito deste post, Sissi. Mesmo aqui por Lisboa, vejo silhuetas que fazem recuar o tempo com tão impecável indumentária e "acessórios". Um requinte sério!

(A Sissi deve saber, mas um fato de homem, feito com tecido de topo, escolhido ao metro, pode ficar em mais de 35 mil euros. Não falamos de moda, mas de uma elegância ímpar, intemporal, que realmente não está ao alcance de todos)

Beijinhos!

Pusinko said...

O blog que sugeriste é mesmo interessante.
Tem fotos deliciosas. :)

caracois indomaveis said...

É verdade! Tenho uma amiga que gosta muito de "ir visitar" ao guarda-fato da avô.
Vou espreitar o blogue.

Imperatriz Sissi said...

Obrigada :D
Não têm, mesmo. A elegância é eterna.

Imperatriz Sissi said...

Paulo, muito obrigada! Não há nada como as roupas por medida, e a noção adquirida ao longo de muitas décadas e em alguns casos, gerações. É como o vinho do Porto. Beijinho.

Imperatriz Sissi said...

Fiquei encantada! Conheci-o por acaso e acho que vale bem a pena.

Imperatriz Sissi said...

Quem tem avós e tias que conservem as coisas, tem tudo!

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