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Tuesday, April 30, 2013

Be italian: chi vuol giusta vendetta, in Dio la metta



"Il sentimento della vendetta è così grato"

Giacomo Leopardi


Regressado o meu caro mano da terra dos avoengos, com um rosário comprado no Vaticano em lojas de souvenirs que tanto vendem Santos Católicos como Divindades pagãs da Mãe Roma (paraíso!) diz ele que lhe apetece lá viver - projecto que já me assaltou a fantasia mais do que uma vez. Na pátria dos Césares, dos divinos Augustos (coincidência ou não, tudo nomes que têm corrido gerações nesta família) de Dante, dos Medici e de Maquiavel, claro. E há muita coisa italiana que dizem, corre nas veias: a sensibilidade artística, o ferver em pouca água para dali a pouco estar tudo na paz dos anjos, o carácter vivo e vigoroso, o sentido estético, um certo amor pela vida, sentidos apurados...e um sentido de justiça que não se apazigua varrendo as ofensas para debaixo do tapete, acompanhado de paciência, muita paciência que, passe o pleonasmo, Roma e Pavia não se fizeram num dia. Isso de perdoar é tudo muito lindo quando há arrependimento; quando não há não se trata de perdão, mas de cobardia. Diz-se por lá,

Aquele que não se pode vingar é fraco, o que não quer é desprezível.

Povo mais brando e moderado com as palavras, os portugueses traduzem isto por 

Quem não se sente, não é filho de boa gente.

Ou seja, apenas os malandros não se ressentem das malandrices que lhes fazem. Dão o desconto, porque são useiros e vezeiros em artimanhas semelhantes. Só uma pessoa íntegra é capaz de sentir, com justiça, uma ofensa - ainda que ache em si a capacidade de perdoar. Voltemos a Itália, onde tudo - a paixão, a pintura, a roupa, o vinho, a comida - é feito com arte. Arte não se faz de um dia para o outro. A justiça e a retaliação tão pouco pois para eles, "vendetta com 100 anos ainda tem dentes de leite" , "quem tem paciência procura vingança: espera pelo tempo e lugar certos, pois ela nunca é tomada à pressa". Caterina de Medici resumia-o no lema que usou toda a vida, "odiar e esperar". Porque a reparação é uma demanda arriscada, que requer imaginação e eventualmente, a ajuda divina - seja para buscar inspiração, seja para deixar a justiça inteiramente na mão dos Deuses, que não tardam nem falham. Além de ser uma arte de precisão, que não pode ter meios termos: os homens devem ser adulados ou destruídos pois podem vingar-se das ofensas leves, mas não das graves; a acção de justiça, de troco, a existir deve ser tal que não se tema a vingança (ou "re-vingança") mesquinha. Maquiavel dixit, e quem sou eu para contrariar O Príncipe...




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