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Thursday, April 25, 2013

Da "liberdade"

Livre?
Hoje, que se comemora a data que todos sabemos, assinala-se em Itália o fim da ocupação alemã. Com o meu irmão em Roma, feriado como cá é feriado, a rezar por nós na terra dos nossos antepassados em pleno Monte Palatino e no Vaticano entre o caos que são os transportes públicos em dias assim na Cidade Eterna, não há melhor local, data e desculpa para reflectir (Circus Maximus, remember) na questão da liberdade. Porque nenhuma liberdade - seja pessoal, ou a de um povo - foge ao aspecto de ser relativa, ou vem sem custo. O preço da preciosa liberdade (e a liberdade é uma coisa que ora queremos, ora lamentamos) é a autonomia, com tudo o que ela comporta, o lidar com as consequências das próprias opções e por vezes, uma certa solidão; a auto responsabilidade, o prescindir da segurança, do conforto, das certezas. A liberdade de agir conforme nos dá na gana obriga a escolhas, obriga a cisões, a abrir mão, muitas vezes, daquilo que mais amamos, a magoar pessoas que nos são queridas, a ferir-nos a nós mesmos. A liberdade exige frequentemente que se caminhe sozinho; it makes you be your own man (ou `woman´, conforme o indivíduo que almeja a ela). Implica não ter quem pense por nós - ou connosco - quem cuide das necessidades por nós, faz com que cada um se lance no seu próprio caminho, com todos os abismos que isso comporta. E nem sempre se encara a liberdade da mesma maneira. Há alturas em que temos uma força em nós que nos impele para a aventura, para a independência absoluta, como se uma luz brilhasse lá dentro. Queremos correr, voar, empunhar a  espada, cruzar montes e vales, embriagados por essa sensação de total possibilidade. 
Noutras, maldiz-se a desorientação que a liberdade traz - porque quem é livre depende de si, e as Fúrias, Deusas de longa memória, sopram ao ouvido do homem ou mulher livre as acções que trouxeram essa independência, e desdobram adiante o mapa que mostra as escarpas e fossos que a liberdade trará  daí para a frente. Muitas vezes, a maior liberdade é ser capaz de abrir mão - por escolha própria - da liberdade total. O que exige maturidade e certeza de quem somos. Cada indivíduo nasce, hoje, com a liberdade como um direito: mas não pode escapar à sua própria consciência, nem aos seus próprios erros e em última análise - para quem crê nisso - ao seu próprio destino. Speaking like a roman, allright.

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