Recomenda-se:

Netscope

Thursday, April 4, 2013

Eu embirro com...danças afro-latinas

                           
Ou danças latinas, ou o que quer que lhe chamem. E não me venham esclarecer, tenho o Google para isso mas não me apetece agora informar-me. Clarificando: não é com as danças em si, que apesar de eu não ter a mínima pachorra concordo totalmente que é de bom tom uma pessoa não pisar os pés do parceiro (principalmente se for de cerimónia) ao tentar arranhar danças decentes como a valsa, o cha-cha-cha, o fox-trot, o quickstep ou vá lá, muito vá lá, o tango num salão apresentável, numa reunião honesta. Somos um bicharoco social e umas quantas lições, de preferência privadas, não fazem mal a ninguém. Acima de tudo, creio que uma menina bem educada deve ter as suas noções de ballet, que felizmente ainda se vai mantendo igual ao que era: dá boa postura para o resto da vida e continuando, garante uma silhueta impecável sem que seja preciso recorrer a personal trainers com segundas intenções num ginásio que por mais luxuoso que seja será sempre um bocado abafado ou pior, pejado de engatatões sem noção  e cortesãs (estou a ser simpática) do outro hemisfério que podem pagar a inscrição, credo . Fiquei para sempre grata à minha aterradora, mas com um bom ar que tomariam muitas, professora de ballet, que tinha sido uma dançarina de renome na sua juventude. Fazer disso carreira terá os seus quês, mas já foi pior. O que me dá arrepios nem é tanto isso - embora kuduros e kizombadas entrem na categoria do inenarrável, inconfessável e socialmente mortal - mas o ambiente medonho do culto aos antros (estúdios?) de dança e as pessoas que os levam a sério, além de boa parte dos seus frequentadores. São as roupinhas de lycra. Os seguranças brutamontes que dançam nas horas vagas, vestidos de linho branco. Os affairs rotativos. As apresentações aqui e ali, todos ao molho e a competir para ver quem é o casal-maravilha. As MILF que para lá vão arranjar namoro com os tais que se vestem de branco. Os enredos à Dirty Dancing, versão reles, com namoros e casos e traições e ai, fugi com o Carlão porque ele dançava melhor do que o Rúben. Os mexericos. O dançar por dançar sem ligar à música. O suor peganhento e ai, estamos tão agarradinhos mas como é a dançar está tudo bem. A meia luz para a kizombada. Pronto, admito que aqui sou um tudo-nada preconceituosa. Mas embirro mesmo. Uma coisa é dançar, outra é fazer disso telenovela, levar tal ambiente a sério e ainda pretender ter gosto, ou estilo. Volta, karaoke, estás perdoado.

2 comments:

Pusinko said...

Foi por tudo o que descreveste que deixei a salsa após 5 ou 6 aulas. Eu ia com um amigo de respeito e nem assim me senti confortavel. O ballet continua a ser a razão da boa postura e, a dança oriental uma descoberta maravilhosa dos últimos anos. Entre tablas e ritmos intensos, mas longe do contacto de jovens (ou nao tanto) felpudos e com ar dr engatatão de esquina, passe o exagero...

Imperatriz Sissi said...

Pusinko, my thoughts exactly! A dança é uma bela arte, mas esses ambientes...credo.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...