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Monday, April 1, 2013

Excentricidade inevitável caso me saia o euromilhões

                        
Sonhar não custa. E eu acho a maior das graças ao Euromilhões: tentar antecipar-me aos números que vão sair, fazer cálculos de cabeça e outros truques para tentar acertar na chave mágica e a possibilidade delirante de um simples papelinho valer um tesouro são o suficiente para me entusiasmar. Não me identifico nem um bocadinho com a ideia do "excêntrico" porque abomino tudo o que me cheire a ostentação - e porque sejamos sensatos, ao pé de grandes fortunas os maiores prémios que já saíram são dinheiro de bolso, e nenhuma pessoa sensata ia pôr-se a fazer grandes maluqueiras com os milhões recém adquiridos. As manifestações bacocas de riqueza não são comigo e tudo o que soe a novo-riquismo, a manias de self made man ressabiado dá-me uns arrepios que não fazem ideia: se calhar é por isso que a Sorte ainda não me bateu à porta. Uma pessoa prega para aí "antes um novo pobre do que um novo rico" e depois queixa-se... mas há que manter princípios e talvez a Fortuna seja benevolente  ou surda, who knows

                              
Em todo o caso, mesmo no processo de sonhar, dificilmente me ouviriam dizer "comprava um casarão" (talvez comprasse mas garanto-vos que não era uma casa qualquer, tinha de ter um significado pessoal/familiar e seria tão bem escondida que ninguém dava por ela) "dava a volta ao mundo" (ó coisa mais cansativa; era capaz de passear mas quando a ocasião valesse a pena. Fazer tudo de uma vez como se não fosse capaz de parar quieta num sítio não é de todo o meu género) "comprava um jacto privado" (acho que só compensa a quem de facto viaja todas as semanas e quer evitar o horror que são os  embarques e o controlo da bagagem). Em suma, o único cliché em que poderia cair seria trabalhar apenas no que me apetecesse, quando me apetecesse, se me apetecesse e fazer, em todos os aspectos da vida, o que me desse na real gana. Porque esse é o verdadeiro valor do vil metal: liberdade e o poder de limitar ao máximo os incómodos da vida. E essa sim, seria a minha excentricidade.
  Ora, e qual haveria de ser o primeiro incómodo que eu ia banir da minha existência?
 A foleirada alheia, pois claro. E nessa hipotética casa, com uma hipotética portaria, ia colocar um segurança israelita (perito em krav maga) um russo de dois metros (perito em sambo) e um segurança bem nacional (um professor de português desempregado com grandes músculos e dotado de bom gosto) que mantivessem a léguas as pessoas que:

 - Dizem coisas como "o comer" ou "deve de ser".

- Dão graxa, aceitam graxa, têm a mania das grandezas, detestam quem tem mais estatuto/ dinheiro do que elas mas lhes lambem as botas se for preciso, querem subir na vida a todo o custo mas têm a mania que são humildes...e outros hábitos pequeno-burgueses e reles.

- Se fazem acompanhar de gente ainda mais esquisita do que elas;

- Usam poupas e outros cortes de cabelo com gel, à jogador da bola.

Haveria outros critérios, mas estes eram de certeza os primeiros da lista. E em caso de aproximação, seria divertidíssimo entrar em modo...

             




2 comments:

Isto e aquilo said...

Eu também adoraria poder banir a "foleirada alheia", o que é frequentemente confundido com "snobismo" nosso.
A essa lista eu acrescentaria ainda as pessoas que dizem: "o que é que isso tem a haver com...?", ou que usam o verbo haver no plural: "haveriam outros critérios", por exemplo...

Beijinho :)
Isabel Mouzinho

caracois indomaveis said...

HAHAHA
"o comer" strikes again hehehe

E "asenta-te", "parteleira", "na minha opinião pessoal"

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