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Wednesday, April 24, 2013

O merceeiro

                      
Thomas Lipton, mais tarde Sir Thomas Lipton - o fundador da célebre marca de chás - subiu a pulso. O percurso da mercearia dos pais até ao estatuto de multimilionário,  baronete, rei do chá (que democratizou a bebida para a classe trabalhadora) e de grande velejador - apaixonou-se pela vida a bordo quando começou a trabalhar em navios aos 14 anos - foi uma alucinante aventura, própria da sua época. Uma vez rico e estabelecido, Lipton dedicou-se à sua paixão, patrocinando eventos náuticos e tentando impor-se na sociedade à força do ouro e de um fairplay que lhe garantiu o cognome de "the best of all losers". Mas se o patrocínio de competições lhe tornou o chá famoso nos EUA, não o ajudou a ser aceite entre a "gente bem" do circuito britânico. Apesar da amizade do Rei Eduardo VII, que adorava passear na sua companhia, o seu pedigree humilde the self made man fechava-lhe portas: por mais que injectasse rios de dinheiro no Royal Yacht Squadron, os yachtsmen que tão prodigamente financiava só lá o aceitaram perto da sua morte, e reza a lenda que nunca chegou a tomar uma bebida no bar do `templo´ que lhe sorveu somas astronómicas. Quanto ao Kaiser, sobrinho de Eduardo VII, não via com bons olhos a amizade entre o seu parente inglês e o empresário: cada vez que sabia o Rei na companhia de "Tommy" Lipton, barafustava "lá vai o meu tio de barco com o merceeiro!". Certo é que o Kaiser era conhecido pelo seu snobismo, que os alemães não são universalmente famosos pela elegância, que o Rei tinha companhias algo questionáveis e que por sua vez, Sir Thomas Lipton não se livrava de uma condenável ambição de impressionar quem não tinha vontade de ser impressionado...um verdadeiro "quem é quem" ou mini case study do snobismo em vários quadrantes, como entenderem.


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