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Friday, April 5, 2013

Os homens não se querem bonitos - bless your heart, Daryl Dixon...

                              
"A candura fingida é um punhal disfarçado"

Marcus Aurelius Antoninus

Sempre ouvi que os homens não se querem bonitos. Mas dê-se o desconto e subentenda-se que não se querem bonitinhos. Convém que haja neles algo de arisco, de selvagem, de poderoso, de insondável, entre o príncipe e o facínora, que dê vontade de olhar duas vezes; que uma mulher se possa abrigar à sua sombra sem medo de nada. A um homem não basta a suposta beleza, que é por vezes extremamente maçadora; é preciso que provoque nas mulheres o efeito I would run away with you, no questions asked. E ninguém no seu perfeito juízo foge com ninguém pelos lindos olhos, embora os olhos rasgados de Norman Reedus sejam deveras lindos. Há que ser uma fortaleza. Ter uma palavra que valha um escrito. Não ter medo de sujar as mãos. Não ter medo de nada, muito menos das coisas que, não sendo assustadoras, fazem um homem tremer de medo: a verdade nua e crua, o olhar inquisidor da mulher amada, os seus próprios actos. Porque um homem com quem se fuja deve ser corajoso, e não é só para enfrentar monstros. Antes de nada, precisa de ter combater a fera que tem dentro de si, que o puxa para o abismo da cobardia - e mal ou bem, não há homem que não seja colocado perante essa escolha mais cedo ou mais tarde. Também não pode recear domar o lado selvagem na mulher que escolher, se ela for uma mulher a sério. O homem que esquece o guerreiro dentro de si e se deixa dominar apenas pelo lobo, o homem que não tem os instintos rapaces sob o seu domínio, é tão frágil como uma mulher por mais que pareça feroz. E o que esquece o lobo e age como um cordeiro ou uma raposa, há muito que deixou de poder ostentar o título - vencer pela astúcia ainda é apanágio feminino. Ora, eu não conheço Norman Reedus, nem o seu quilate como homem - admira-se-lhe o talento, o aspecto varonil e a legenda de ser o pai do filho da lindíssima Helena Christensen. Mas Darryl Dixon, pela lente de Terry Richardson, transmite tudo o que um homem deve ser. Ou um cavalheiro, quando põe de lado o fato.

                            
                                   
                                         

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