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Netscope

Monday, April 29, 2013

There is something "off" about you




Parfois j'aimerais mourir
Tellement j'ai voulu croire
Parfois j'aimeris mourir
Pour ne plus rien savoir.

Manu ChaoJe Ne T'aime Plus


aqui vos falei de Maeglin, a personagem de Tolkien, e de certas pessoas que caracterizo como maeglinescas.

Maeglin era um príncipe, era valente, tinha capacidade de liderança e uma bela figura. Mas apesar disso tudo havia algo nele que repelia as pessoas, que provocava desconforto e desconfiança. Algo que ninguém sabia precisar o que era - e que infelizmente só se revelou tarde demais para todos os que o rodeavam. 

 Na vida real, há indivíduos exactamente assim, que parecem carregar uma estranha maldição. À superfície são bem parecidos, encantadores, carismáticos e eficientes. E a certas almas mais sensíveis ou artísticas, com uma tendência romântica para o que é obscuro, danificado e precisa de ser salvo, parecem irresistíveis -até porque quando um Maeglin da vida se foca num alvo, faz essa pessoa sentir-se como a mais especial à face da terra. Para os Maeglins, não há - ou parece que não há - meios termos ou relações de evolução gradual, sãs, leves, racionais. Tudo é intenso, avassalador e hiperbólico. És o ser  mais belo à face da terra; morro se não te tiver; estou perdido por ti...são exemplos do seu discurso. Este soa estranho e não encontrará eco em qualquer pessoa, mesmo nas mais romanescas  ou vulneráveis- porque não é toda a gente que se deixa encantar por um maeglin.
 É preciso ter queda para eles.  E mesmo quem a tem percebe que provavelmente, perigosamente, se está a meter em sarilhos.
Para quem não sofre dessa queda, porém,  o efeito de desconfiança faz-se sentir mais acentuadamente, até com certa agressividade inexplicável. As pessoas que os conhecem relativamente bem, ou apenas superficialmente, sem que exista inimizade alguma, descrevem-nos muitas vezes como estranhosEsquisitos. Demasiado ousados, com modos e maneiras pouco usuais. Há algo nele que não bate certo. Algo de lobo ou de ave de rapina. As pessoas próximas do alvo, essas reparam rapidamente que alguma coisa está errada. Não olham à simpatia ou ao encanto - a estranheza, o medo, o desconforto ou mesmo a repugnância que causam, sem motivo lógico, sobrepõem-se a tudo. A quem não está sob a sua mira, o Maeglin desperta o instinto de sobrevivência, de conservação. Muitas vezes, é o olhar - ou a incapacidade de olhar os outros nos olhos - que faz disparar o alarme. Outras é algo de intangível: a ausência de ponderação, de limites, que traduz a ausência de alma, de traços de empatia e lógica humana.  Os mais espirituais podem tentar explicá-lo  como " uma aura negra" ou "uma vibração energética baixa".  
 Personagens destas são uma bomba relógio. A sua melancolia, insegurança e traumas interiores podem disparar violentamente a qualquer minuto, causando estragos irremediáveis. Tal como na ficção, o anti herói acaba inevitavelmente por se despenhar de uma muralha – mas só depois de ter traído e desmoronado uma cidade inteira. Felizmente às vezes, e só às vezes, a heroína escapa ilesa – mas isso é outra história.

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