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Friday, April 26, 2013

What´s a girl to do?


Por vezes uma rapariga tem uma carreira, uma vida social e toda atenção que pode desejar. Está satisfeita com o seu aspecto. Está contente com o seu esplêndido guarda-roupa. Tem uma família óptima e amigos com quem pode contar. Dá graças por ter todas as bênçãos essenciais à vida. E no meio disto tudo há um tropeço  que faz com que falte qualquer coisa, com que a felicidade não seja completa, com que algo doa ou incomode onde não devia. E pela primeira vez começa a
perguntar-se sobre quem é, afinal. Se as pessoas que estiveram ao seu lado não lhe roubaram um bocadinho da identidade, não a terão tornado um pouco dócil demais, se o seu papel de mulher perfeita, de companheira ideal, não a terá posto num lugar de submissão velada - fazendo com que agora não se reconheça. Quando somos fortes é agradável, por vezes, fazer o papel de fracos: deixar-nos ir, parar de dissimular, baixar as defesas, entregar o volante e os pontos, mostrar, em suma, vulnerabilidade. Mas o jogo da vulnerabilidade nem sempre corre bem - é entregar uma granada a um aliado que nunca é totalmente confiável. Se a granada explode, apanha-nos sem escudo. E como nunca se lutou sem ele, o impacto é muito pior. Os passeios pelo território relaxante da fragilidade, da vulnerabilidade e da entrega pagam-se caro. Uma pessoa sabe disso, e só não se arrepende porque agiu em consciência, fez o que lhe apetecia, quis parar de desconfiar, quis parar de liderar, desligar a estratégia e agir com a maior pureza possível. Os actos puros nunca merecem remorso.
E depois uma rapariga sacode isso tudo. Porque olha para o seu nome, e pensa em quem é e de onde veio, e que não precisa de mais nada para se conhecer em detalhe, nem para saber para onde quer ir. Não precisa de ninguém para polir, quanto mais definir, a sua identidade. Acima de tudo, não precisa de nada que a faça sentir-se - ou pior, querer sentir-se - vulnerável.  Por mais cor-de-rosa que isso pareça. Se queremos algo cor de rosa não faltam vestidos, bâtons, carteiras, sapatos. Ou certos tons de rubi - melhor ainda. 


4 comments:

Cristina said...
This comment has been removed by the author.
Ana Costa said...

"Os actos puros nunca merecem remorso"... gostei gostei :)

Ana Costa said...

"Os actos puros nunca merecem remorso"... ora aí está o que faz levantar a cabeça depois de um valente tropeção :)

Imperatriz Sissi said...

Ana, obrigada :) de facto..o que uma pessoa faz de boa fé e consciência tranquila não merece arrependimento. Mesmo que se lamente que a situação tenha existido!

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