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Tuesday, May 28, 2013

Adenda ao texto desta tarde: uma história de amor a sério...e verdadeira

                          

A propósito do post de hoje, disse o nosso bom amigo Sérgio:


Parece-me uma bela história de encantar, em que o príncipe vai atrás da sua princesa para viverem felizes para sempre.
Na vida real não sei se a coisa seria assim, ou se antes corria mais pela variação de novela mexicana em que macho que é macho não vai atrás nem se rebaixa perante a fêmea, sob pena de ela perder o interesse nele, afinal está a mostrar parte fraca.

No final ele até a poderia encontrar, mas nessa altura ela já teria um amante daqueles barrigudos e bigode saloio que engatam miúdas à conta do seu descapotável de alta cilindrada, enquanto o coitado andava de transportes públicos. Quem sairia a ganhar no duelo?

Eu que não sou dada a romantismos bacocos (ou antes, nisso de romantismo sou bastante específica e rejeito certos clichés de velas e flores pelo chão) perto do Sérgio sou uma autêntica Pollyanna. Também discordo do argumento "homem que é homem não se rebaixa" porque, tenho-o dito vezes sem conta, homem que é homem é um caçador -  ponto.  Não fica à espera que uma mulher (frágil e tímida...ou pelo menos devia
 aparentá-lo...adiante!) faça o trabalho que lhe compete, ou dê mais que o empurrãozinho necessário porque afinal a um homem não cai tão mal apanhar bebedeiras, trepar às janelas, ameaçar tareias nos rivais e por aí fora.  Mas siga a Marinha, que desse tema já se tratou noutras ocasiões. Apesar de tudo eu acredito em histórias de amor daquelas de folhetim ou de novela, pelo simples facto de uma delas ser a responsável pela minha  peculiar existência. Se não fosse uma história de amor desesperado muito parecida com a da canção que partilhei esta tarde, eu não estaria aqui a escrever estas linhas. Ou estaria -  mas com outro nome, outra cara e outro blog, o que não era a mesma coisa.
 Quando era moda para pobres e ricos procurar ou aumentar fortuna no Brasil, por volta de mil oitocentos e setenta e picos, o meu trisavô apaixonou-se perdidamente por uma donzela muito acima da sua condição social, uma menina de boas famílias. Ele era um homem honrado, bem parecido, mas o sogro em potência não o podia ver nem pintado de ouro. Que fez o avozinho? Prometeu casamento à namorada, pediu-lhe que esperasse e ela esperou. Esperou vinte anos. Vinte anos a ouvir rogos, ameaças, ralhos, a ver as outras casar, a rejeitar propostas, a ser acusada de maluquinha, constantemente à espera de carta,  sem vacilar, contra toda a lógica. E ele por lá ... trabalhava e pensava nela. Nunca perdeu a cabeça com outras mulheres, nunca desanimou, nem mesmo quando um criado lhe roubou a melhor parte da fortuna (um resgate de rei) que tanto lhe custara a juntar. Mesmo assim, voltou "brasileiro" e rico.  Claro que o sogro ficou na sua, a não o poder ver nem pintado - para ele continuou a ser sempre um arrivista e à conta de casar com ele, a minha trisavó foi praticamente deserdada. Mas não se importou. Nunca se arrependeu da sua "teimosia" de rimance medieval. Por isso, eu que não sou de romantismos ainda vou acreditando que há histórias que valem a pena e que dão beleza à vida. Mesmo que hoje se substituam as cartas pelas SMS que chegam mais rápido, ou que o pombo correio seja uma rede social qualquer, ou que coisas como a palavra dada não tenham o peso de outrora. Assim como assim, o que realmente vale a pena neste mundo sempre foi raro - não acredito que mesmo naquele tempo, uma história daquelas fosse o pão nosso de cada dia. 

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