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Saturday, May 4, 2013

Da mentalidade de vítima, e do abismo

Photo: Truth Beckons

Se olhares para o abismo, o abismo olhará para ti. Verdade - mas nem sempre se escolhe estar na posição de contemplar o abismo. Muitas vezes, as pessoas que são obrigadas a olhar para ele estavam tranquilas no seu canto, a desejar a Paz no Mundo (ou vá lá, sem incomodar ninguém) e deparam-se com indivíduos ou situações que deliberadamente, lhes viram a existência do avesso. Nas problemáticas da violência doméstica ou de género e do bullying, debate-se há anos até que ponto certas pessoas, por serem mais frágeis emocionalmente, serão propensas ao papel de vítima. Sendo certo que uma dada atitude vulnerável facilita a vida a agressores (que com instintos predatórios, dificilmente enfrentam alguém do seu tamanho, ou com força mental para não se deixar manipular) também é verdade que nem o mais forte dos indivíduos, ou a mulher dotada de maior personalidade, estão livres de encontrar alguém que os faça sentir indefesos. Pessoas assim são manipuladoras natas, capazes de farejar a fraqueza mais escondida, e de jogar com isso em seu benefício- ou simplesmente no intuito de magoar. 
 Quando assim sucede, é forçoso olhar para o abismo - porque não se pode combater a escuridão (leia-se, enfrentar a maldade ou a agressividade) sem jogar um pouco com as mesmas armas ou no mínimo, recorrer a uma certa firmeza. E é nessa altura em que se acede ao mal necessário (o bem sempre que possível, o mal sempre que for preciso, para grandes males grandes remédios, ou combater fogo com fogo, etc) que se corre o risco de deixar o lado negro levar a melhor sobre nós. De ao lutar contra um monstro, deixar que o monstro que vive em cada um de nós tome posse e acabe por nos transformar, por deixar marca, em vez de agir só em caso de emergência. De, como diz a citação, ao combater o monstro, tornarmo-nos nós próprios no seu semelhante. Mas então, como agir? Vamos fugir dos "monstros" o resto da vida? Porque é sabido - podemos esconder-nos, mas vamos voltar a encontrá-lo mais adiante, com outro nome e outra cara, pronto para nos devorar. É aí que reside esse equilíbrio frágil: colocar o monstro que despertámos cá no íntimo, ou o abismo interior, ao nosso serviço, em vez de nos deixarmos dominar por ele. Abyssus abyssum invocat - mas se o recearmos, seremos presas fáceis o resto da vida. O poder interior nunca é branco nem negro. É como a electricidade, as facas e o fogo: neutro.

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