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Monday, May 6, 2013

Don´t bite off more than you can chew (ou dos passos maiores que a perna)

                     
                              

Há pessoas que querem muita coisa: um corpo melhor. Um carro melhor. Mais dinheiro. Um cargo prestigiante. Relacionamentos de qualidade. Status social. Ou seja, andam mortinhas por fazer um upgrade em um ou mais sectores da sua vida - o que pode ser  legítimo, dependendo das qualidades que possuem, e de expectativas realistas. Algumas destas pessoas  roem-se de inveja de quem possui "de mão beijada" tudo o que ambicionam, e não descansam enquanto não arranjam igual para si. Até aí, desde que não atropelem os outros para lá chegar, tudo bem: ser competitivo não é necessariamente mau. Depois, dentro destes indivíduos há alguns que de facto, têm (ou parecem ter) mérito para obter o que desejam, e se esfalfam para lá chegar. E quando lá chegam, tudo parece impecável: substitui-se a lata velha por um reluzente Mercedes, o ordenado magrinho pela abundância, a barriga de cerveja por um six-pack, o relacionamento com aquela pessoa que se arranjou só porque estava à mão por outro com alguém fantástico; o emprego da treta por uma carreira à séria, cerveja e tremoços no café da esquina (nada contra, mas percebem a ideia...) por convites exclusivos. E em muitos casos, como diz o povo, aí é que são elas. Porque estes ambiciosos querem sol na eira e chuva no nabal, para citar de novo a vox populi. Ou seja, querem os benefícios mas não estão interessados nas responsabilidades. Acham-se com direito às belas aparências, mas fazem questão de manter a boa vida (ou má vida...) que tinham antigamente. O que se traduz, grosso modo, por:  ficarem muito chateados porque os belos abdominais não se mantêm continuando em comezainas e bebedeiras; darem ao Mercedes o mesmo tratamento que davam ao calhambeque, não reparando que as revisões são mais caras; terem um cargo de topo, mas continuarem a entreter as horas como faziam num emprego que dava pouco, logo, exigia pouco;  tratarem o novo relacionamento como o antigo, ou seja, com todas as faltas de respeito, não reflectindo que uma pessoa que valha a pena terá decerto dois dedos de auto estima e não estará para sofrer o mesmo que sofre uma pessoa que, coitada, não acha quem a carregue; dissipar o ordenado chorudo em quantos disparates há, danificando a carteira e a imagem; e, em vez de aproveitar as companhias melhores que os rodeiam, continuarem a  comportar-se como carroceiros, pensando que lhes acharão muita graça, ou comprazendo-se mesmo em chocar  quem está, porque afinal, " detestam peneiras". Traduzindo, querem este mundo e o outro, nada lhes chega, mas são incapazes de fazer um esforço para estar à altura.
 No fundo, é muito simples:  as coisas boas da vida são como a Cavalaria. Leves de ter e pesadas de manter...

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