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Friday, May 24, 2013

O sexo, o amor, a paz e o perdão...

E o tio Oscar diria "parem de invocar o meu nome em vão, pindéricas desprezíveis!"
...são as coisas mais maltratadas, mais estafadas, mais fanadas e mais vitimizadas à face da Terra. Não há temas que sejam alvo de tanta foleirada junta: prestam-se a poemas de mau gosto, citações pindéricas,  pseudo prosa poética erótica de terceira categoria (daquela com imagens horrendas a querer passar por subtis, que falam em suor e outros fluidos, blhec!) imagens com ursinhos e pores - do-sol com legenda em brasileiro para passar adiante no Facebook, livros light e outros terrores da vida dos nossos dias. Em suma, o sexo, a paz, o amor e o perdão estão mesmo a jeito para as partilhas de mulheres da luta feiosas em estado de desespero e necessidade urgente  de acasalamento, para os delírios pretensiosos de escritores wannabe que não têm nada para dizer mas acham que se encherem um texto de palha, palavras caras e voltas que o tornem terrivelmente maçador e incompreensível a coisa passa por algo de "profundo" , para fazer a alegria das pessoas com pouca cultura e menos imaginação,  para gurus espirituais que querem passar por muito zen a dizer o óbvio, para que todas as personagens atrás citadas passem por santas, e outras hipóteses igualmente intragáveis. São poucas as pessoas que conseguem escrever ( ou não querendo/ sabendo escrever, citar) alguma coisa de genuíno, ou que jeito tenha, sobre estes assuntos. Quando alguém partilha frases genéricas sobre a paz, está quase sempre a regar, a falar por falar, a mencionar a paz lá nos confins de África, lá longe, onde não chateia ninguém com as suas exigências (porque a paz, como a amizade, dá trabalho). 

Queria ver essas pessoas tão "pacíficas" a lembrar-se de tais citações quando estão viradas do avesso. É o lembras...

    E se partilham sobre o "amor" raramente se dão  à canseira  de seleccionar uma frase que tenha algo a ver com o que realmente sentem, ou sequer de lhe corrigir os erros de ortografia. O perdão é outro desgraçado: toda a gente fala nele, toda a gente faz Likes a coisas fofinhas sobre o perdão com coelhinhos e passarinhos, mas quando as ofensas lhes  tocam  está o caldo entornado, quais coelhinhos, qual Cristo, qual Buda, qual cabaça!
A mania de debitar larachas só porque sim é um ataque aos próprios neurónios (e quem faz coisas dessas não pode abusar, porque não foi abençoado com muitos) e ao cérebro/sensibilidade alheios. Os atentados ao bom gosto e ao refinamento do espírito são tantos, mas tantos, que urge criar uma Greenpeace da vida para isto. Se Oscar Wilde fosse vivo, muito teria que dizer - mas esperem lá, nem Oscar Wilde escapa a ser citado da pior maneira, por pessoas que ele desprezaria profundamente. Que época esta, mon Dieu.



2 comments:

Urso Misha said...

Estou contigo

Vadia said...

Excelente! Dizes bem "Mon Dieu de la France, donne moi de la patience"

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