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Wednesday, June 12, 2013

Difamação, violência psicológica e coisas que já eram velhas na China do século XVII



"(...) às vezes bastam poucas palavras difamatórias para comprometer as boas relações entre duas pessoas que teriam todos os motivos para estar sempre de acordo. Pode tratar-se de um príncipe e do seu mais fiel ministro, ou um pai e um filho, ou um marido e uma esposa, ou um irmão ou uma irmã;  as coisas acontecem sempre da mesma forma. Uma insinuação maldosa de uma terceira pessoa pode trazer rapidamente o rompimento. Como poderia um fútil mexerico de alcova separar Hsi-Men da sua (...) esposa, mulher digna e acima de qualquer suspeita?"

 Lanling Xiaoxiao Sheng, Chin P´ing Mei (1610)

Gosto de romances de costumes. E este de que já vos falei, e que todo o mundo devia ler em vez das 50 Sombras de Não sei quem, está recheado de lições para bem viver (e de cenas para adultos, para quem aprecia). É acima de tudo um livro muitíssimo bem escrito, com personagens deliciosamente desenvolvidas (como a minha vilã preferida, a incompreendida Lótus de Ouro) e com reflexões que, como se pode facilmente comprovar, não passam de moda. Está claro que os mexericos, a difamação e a violência - inclusive a violência psicológica, que ao contrário dos mitos urbanos não é mais "fofinha" e "inofensiva" do que a física - sobre as mulheres têm hoje outro enquadramento. Nenhuma mulher, por mais firme que seja a sua personalidade, está livre de encontrar um Hsi-Men da vida ou coisa pior, que lhe transforme a existência num inferno, ou um apaixonado volúvel que acredite em tudo quanto o vento lhe traz, com consequências dramáticas. Mas os tempos são outros e os meios de defesa também, por muito que as coisas tristes não mudem com a paisagem, nem com o passar dos séculos.












3 comments:

Inês Maria Rocha Gonçalves Moura de Sousa said...

Eu bem que tento arranjar este livro, porque fiquei curiosa para lê-lo (de referências anteriores lidas aqui no IS) mas só encontro versões em inglês. Sissi será que poderia dizer-me se a obra existe em PT ou se optou pela versão em inglês? Obrigada.

Imperatriz Sissi said...

Inês, gostava de ajudar mas tenho uma edição brasileira (que apesar disso tem uma tradução fantástica)dos anos 70. Encontrei-a na feira da ladra e foi uma sorte porque é o romance integral num só volume. Vou estar atenta e se vir algo parecido por aí, divulgo no Imperatrix! É uma pena a pouca atenção que as editoras dão a clássicos destes...

Inês Maria Rocha Gonçalves Moura de Sousa said...

Temos mesmo de sair dos circuitos comerciais para arranjar estas obras, porque é verdade que atualmente as politicas das editoras estão mais voltadas para a literatura light (o termo certo seria outro, mas fiquemo-nos pelo light). Obrigada de qualquer forma :-)

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