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Tuesday, June 18, 2013

Digam o que disserem, eu adoro esta mulher.

                                     
Quando vejo Helena Bonham Carter citada a esmo por alguns blogs da nossa praça em tom jocoso (ai que horror, ai que está sempre entre as mais mal vestidas, ai que é isto) não contenho um sorriso de ironia, tão superficial é esse "julgamento de moda"- e falamos de superficial em termos de estilo ou seja, é o superficial da superficialidade, ou uma falta de profundidade no próprio acto de ser superficial - traduzido, é um caso sério. Porque até para as futilidades da vida é preciso saber alguma coisa, ter algum background e perceber o todo. Há que ter referências um bocadinho mais elaboradas do que acompanhar os lookbooks da Zara (nada contra, mas não chega). Para avaliar o estilo alheio, não podemos basear-nos só no nosso gosto, vulgo adoro amarelo, detesto o azul. Há pessoas a quem reconheço um estilo impecável e no entanto, eu nunca usaria tal coisa. Não se trata de preferência pessoal e sim de o visual estar correcto (em termos de proporções e inspiração) ou não, de ter algo de especial ou não. Helena é excêntrica, sem dúvida...porque pode (já lá vamos) e isso não é para qualquer mortal. Sou a primeira a concordar que a actriz precisava de uma polidela, que por vezes o seu look alternativo ficava a ganhar com um ar menos desleixado, mas é a Helena Bonham  Carter, tenham paciência. 

Gosto dela pela escolha de papéis (raramente faz um filme que eu deteste) pela imaginação, pelo aspecto entre bruxinha e heroína de romance. Para já, tem uma voz de morrer e uma beleza de english rose (embora seja parte francesa, entre outras coisas) daquelas que dependem exclusivamente da regularidade dos traços e não se desvanecem com os anos. E essa beleza clássica não é bem compreendida na época de rostos plastificados e sensualidade gratuita que atravessamos. Aliás, o bom ar que Deus lhe deu, e que a condenava a papéis de aristocrata trágica em produções de época, foi uma das razões que motivaram a sua excentricidade: vendo que apesar de fazer Shakespeare não a levavam a sério como actriz versátil, trocou-lhes as voltas: nos Oscares de 1997 foi ao armário da avó  (Baronesa de Asquith of Yarnbury, amiga do peito de Churchill, nem  mais) e escolheu um vestido vintage que faria empalidecer de inveja muitas bloggers de moda cá do burgo, só por uma questão de schock value E convenhamos, quando se é tão bem nascida e com acesso a roupas do outro mundo (e exemplos melhores ainda) como ela, pode 
fazer-se à vontade o número da eterna debutante que se está nas tintas (a modelo Stella Tennant é outro exemplo: antes de se tornar a cara da Chanel, era do mais punk que podia haver, uma verdadeira ovelha negra). Depois tem talento à patada, e isso é coisa que não nasce por aí nas árvores. Logo, se a ela lhe apetecer usar não tão bem um Vivienne Westwood lindíssimo, paciência. Tenho muitas vezes vontade de lhe roubar alguns vestidos e inventar um look mais decente com eles, mas vivo lindamente com isso. O mais giro era que ela podia ser impecável, se quisesse. Bastava-lhe ligar para casa, mandar vir uma data de caixotes do sótão e não sei quantos personal stylists que a família podia perfeitamente pagar. Ou pedir uns conselhos à parentela, o que também vale. Não o faz porque se está borrifando, o que é uma qualidade admirável. E porque é distinta por mais estapafúrdio que o seu look seja, enquanto muitas meninas por aí não se tornam distintas por mais respeitável que a roupa pareça. Bem prega Frei Tomás...

1 comment:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Subscrevo minha querida! Adoro-a!

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