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Friday, June 7, 2013

Don´t kill yourself for recognition

                              

Creio que já contei esta: os romanos, que eram um povo sábio, tinham um hábito de grande sensatez: quando um general alcançava uma vitória retumbante e tinha como recompensa um Triunfo público (ou seja, um cortejo com todos os sininhos e aclamações) era costume o herói ter a seu lado, durante todo o percurso, alguém que lhe gritava " lembra-te de que és apenas um homem!".
Em casa, sempre ouvi "deixa a festa vir ter contigo", "deixa que as pessoas te notem sem fazer alarde"  e fui ensinada tanto a não considerar os triunfos, que são coisa volúvel e falível,  senão como uma consequência natural do talento e/ou esforço (motivo de orgulho, claro, mas nada do outro mundo) como a saber que a pior coisa que se pode fazer é chamar a atenção sobre si mesmo. A modéstia, associada a uma certa atitude displicente, mas respeitosa, são receitas para ser bem recebido em toda a parte. Já a constante procura de protagonismo e da aprovação alheia é uma fórmula expresso para a infelicidade pois (também já os romanos falavam disso) poucas coisas são tão pouco fiáveis como a adoração da populaça. Maquiavel reflectiu no mesmo tema - não podendo ser amado e temido é preferível ser-se temido, pois a multidão esquece facilmente os favores que recebeu. Quem tentar constantemente agradar, tem muitas frustrações pela frente.

A confiança serena no nosso valor e lugar no mundo, sem gabarolices nem bajulação, conquista admiração por sua vez;  há que seleccionar o pequeno grupo de stakeholders cuja opinião e presença importa, e o resto do mundo (ou o mundo que interessa) se seguirá. Nada confere uma aura mais agradável do que a certeza inabalável de quem somos, o respeito pelas hierarquias e a suave perseverança. O resto, quando é merecido, vem por acréscimo e sem que seja preciso provocar (ou pescar) os elogios. O homem que se gaba a si mesmo sabe que ninguém mais o fará, e a gabarolice tem um preço: para funcionar, precisa de provas. Em última análise, o segredo é a alma do negócio, e bravata sem provas dadas é um bilhete para cair no ridículo. Há que deixar os triunfos falarem por si mesmos, e aceitar os louvores espontâneos que se seguem.

Poucas coisas me fazem perder o entusiasmo tão rápido como perceber que pessoas que  admirava (e o sexo masculino é particularmente sensível a esse defeito) se rebaixam, adulam, se esforçam, se matam para agradar, para entrar em certos círculos, para ser aceites, tudo isto contrariado por uma furiosa necessidade de respeito, de imposição, de poder e celebridade - fazendo todas as asneiras, pisando a ética e afastando as pessoas que realmente são importantes na vã tentativa de obter a tão desejada aprovação. O desespero e insegurança interiores, a dependência do elogio, da notoriedade postiça, são coisas muito evidentes e acabam por transformar o homem (ou mulher) com maior potencial num palhaço ansioso por palmadinhas nas costas. No fim, a pessoa que procede assim perde tudo aquilo que me poderia fazer admirá-la: o porte, o orgulho nativo, os relacionamentos valiosos...e com os tropeços sôfregos, a reputação que poderiam construir. O arrivismo é uma doença, e movido por um ego desenfreado, pior um pouco - é que sabota os seus próprios objectivos e depois de tanto esforço, de deitar a dignidade por terra, o resultado é zero...com o bónus do patético. 




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