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Monday, June 24, 2013

Os terrores do Verão estão a chegar. Fujam para as barricadas.

                                  
Eu adoro o Verão. A brisa perfumada, as roupas leves, o cheiro a óleo de coco e a sal, as longas noites ao ar livre e o estereótipo todo. Se não gostasse tanto de casacos, arriscaria dizer que a silly season é a minha estação preferida. Mas como todas as coisas boas na vida, o Verão tem o seu lado B, e não é bonito. As filas para a praia ou as crianças a atirar-nos areia para cima não me incomodam: aprendi a ir à praia em contra relógio, só em determinados sítios e a determinadas horas para evitar a populaça malcriada (os incomodados que se mudem, é um facto da vida e eu nunca gostei de remar contra a corrente). Praias muito desertas são algo  melancólicas, mas confusão não se suporta e tornei-me bastante boa a encontrar o meio termo, depois de uma infância em que se andava andava e andava pelas dunas até achar sítios onde a pandilha de música aos berros e grandes almoçaradas não chateasse as almas. Practice makes perfect. Não ter tantas férias como gostaria, paciência, first things first,  hoje em dia haja dinheiro que Verão é quando o homem quiser e é da maneira que evito as multidões. Quanto aos escaldões que não me posso dar ao luxo de apanhar, é só não cair na bela ilusão de que consigo bronzear-me como a maioria das pessoas. Se for uma rapariga sensata estou imune e com sorte, ainda agarro um ligeiríssimo dourado. Não, o que me chateia é mesmo perceber que daqui a dias, vamos ver o espectáculo dos calções mínimos a  mostrar pernas-presunto, vestidos ainda mais mínimos a revelar quantas redondezas e crateras há, lycras no meio do calor a denunciar banhas de três andares, braços de lavadeira à mostra e outros terrores que pessoas com pouca noção de elegância insistem em enfiar pelos olhos dos outros.
 Digo e repito que não tenho nada contra as pessoas gordinhas ou fora de forma. Cada um é como é e a moda é para todos. Mas não entendo como se sentem confortáveis usando precisamente o que as aperta e desfeia mais. Há tantas opções, para todos os tamanhos e feitios, que não percebo a paixão pelas roupas baratas feitas a pensar em pesos pluma - e que em boa verdade, até em pessoas magras têm um mau ar de todo o tamanho. Pessoa observadora sofre.
 Pior do que isso, só a actualização da frota de sandálias para o quotidiano (para sair não faltam opções adequados a todas as bolsas e gostos) que é sempre um aborrecimento para quem tem pés sensíveis. Poucas coisas se estragam tão depressa e precisam de tanto cuidado na escolha.  Sei perfeitamente que quando um "famoso" afirma na imprensa que o que gosta menos no corpo é os pés diz isso para não repararem noutros defeitos que tenha; mas eu, que não sou famosa, chateio-me horrivelmente com os meus, que embirram com a grande maioria dos formatos. Não há assim tanto por onde escolher: as plataformas ou são altas demais (magoando a planta do pé) ou em forma de pata-choca; os saltos, finos ou grossos, são invariavelmente demasiado altos ou demasiado instáveis; ou então, temos as boas e velhas flats. Por muito bom que seja o orçamento, encontrar cunhas ou saltos médios para o dia a dia, macias, leves, confortáveis e elegantes, é um desafio que põe à prova o personal shopper mais habilidoso. E eu já sei que vou ter de lançar mãos (e pés) à busca, se não quiser passar o Verão a queixar-me.
 De resto, venha a Silly Season. Enquanto só tiver estas duas coisas insignificantes a aborrecer-me, benza Deus, dou-me por muitíssimo feliz.

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