Recomenda-se:

Netscope

Sunday, June 30, 2013

The happiest millionaire: a Sra. Amélia de Marco de Canavezes

                                      
Diz a gazeta, como diria Bocage, que a Sra. Amélia de Marco de Canaveses ganhou 51 milhões de euros no euromilhões. A ex-senhora da limpeza, que tem um ar do mais divertido que pode haver, pretende partilhar a sua alegria com a freguesia inteira: amanhã dá uma festa para todos os amigos e vizinhos. A moda dos EUA e do Reino Unido, dos miolionários do jogo-celebridades, parece estar a pegar por cá. Bom, ponhamos a questão por dois ou três ângulos: é simpático da parte dela, mas eu não o faria, passe o trocadilho, por dinheiro nenhum. Primeiro, porque com boa intenção ou sem ela, tenho horror a tudo o que lembre ostentação. Se calhar é por isso que ainda não ganhei o joguinho, apesar de me divertir bastante a tentar acertar nos números: se ganhasse, a minha primeira sensação seria de terror. E agora? E se perco o bilhete? E se mo roubam? E se? E se? E como é que vou explicar isto? Ui, agora é que vou ficar coberta de mau olhado. Isso se o susto não me fizesse cair para o lado, já não é a primeira vez que reajo mal a alegrias violentas (long story) o que, a acreditar na Lei da Atracção e coisas assim não é grande ideia para atrair a sorte ao jogo. Em caso de bilhete milionário, teria de montar uma operação, estilo 007, para receber o prémio sem que ninguém sonhasse. Por segurança e por pavor da publicidade. Sempre me ensinaram que é vulgar falar de dinheiro, mostrar o que se tem ou não tem, que as finanças são tão privadas como a nossa intimidade, e é demasiado tarde para mudar essa formatação. Caso a sorte grande me batesse à porta o meu estilo de vida ia alterar-se tão pouco, tão discretamente, como um upgrade do que tenho e nada mais, que dificilmente alguém daria por isso. As ajudas que ia dar (e podem crer, tenho uma lista fantástica para isso) iam ser tão em segredo que não correria o risco de ser incomodada. Havendo dinheiro e vontade, o sigilo está sempre garantido. Logo, é-me muito difícil compreender a alegria ingénua da Sra. Amélia, principalmente quando já se viu as experiências desagradáveis dos primeiros vencedores que caíram na asneira de contar a boa nova a tutti quanti. Se me recordo bem, um casal teve mesmo de fugir para o estrangeiro, perseguido por pedinchões, burlões e vendedores da banha da cobra. E quando se vive numa aldeia onde todos se conhecem, e/ou quando não se vem à partida de um meio privilegiado, mais perigoso se torna o contraste. Custa-me a entender essa necessidade de juntar a celebridade à riqueza, mas cada um sabe de si. Desejo a maior felicidade à alegre milionária, e que a vontade de partilhar com os outros a sua abundância não lhe traga senão coisas boas. Ser assim tão descontraído é capaz de ser, só por si, uma bênção. Hope so!

No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...