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Wednesday, July 31, 2013

A invasão dos "Pobrezinhos" (ou de como este país perdeu mesmo o tino)

Resposta a Cristina Espírito Santo: Invasão Dos Pobrezinhos à Comporta

Quem não se sente não é filho de boa gente, é verdade. Mas reagir a uma tonteria com uma tonteria colectiva ainda maior não me parece de gente ajuizada.  Saltar de indignação a cada carapuça, que às vezes nem carapuça é, que seja atirada a esmo não tem nada a ver com honra. É um sinal de ressabiamento, de rancor fácil, de agressividade mesquinha. Está certo que as declarações de Cristina Espírito Santo não foram a coisa mais simpática que lhe podia ter ocorrido dizer. Não foi gracioso. Foi talvez deselegante. Era, para seu próprio bem, desnecessário. Tal como gerar polémicas que chamem a atenção para uma praia que se pretende sossegada, com ou sem a ajuda de mosquitos...
 "Brincar aos pobrezinhos" numa cottage, por oposição a um estilo de vida mais pomposo o resto do ano, é uma imagem meramente  ilustrativa, que (quer-me parecer) não se refere a ninguém. Mas vindo de quem vem ( não esqueçamos que o nosso país embirra com "ricos", numa perspectiva mui socialista e mui equalitária de ninguém ser mais do que ninguém, era o que faltava!) e numa altura em que a carapuça do "pobrezinho" assenta, ou cai bem que assente, a muita gente (ao contrário do que sucedia há uns anos, quando todos queriam armar em riquinhos ou melhor, burguesinhos, com os seus carros de leasing e os grandes casarões)  estava-se mesmo a ver no que ia dar. Já o disse várias vezes: a ostentação não cai bem em lado nenhum, e nesta altura muito menos.  Mas atenção aos exageros e ao ridículo. Porque quer-me parecer que neste país todos somos livres de dizer disparates, porque estamos em democracia ai Jesus a Liberdade, e a República e o 25 de Abril desde que se respeitem as sacrossantas alíneas abaixo:

- Quem diz disparates tem de vir "do nada". Por exemplo, se o Toni Carreira dissesse uma dessas invadia-se a praia em questão, mas para fazer um pacífico Mega Piquenique. Ou ser de Esquerda. Ou ser pobrezinho, remediadinho, parolinho, humilde. Nada cai tão bem à imprensa como dizer "EU ERA MUITO POBREZINHO".  A todos os outros, está vedado o direito de dizer tolices.

- Podem dizer-se todas as tonterias, cometer-se todas as vigarices, mas não se pode melindrar os preconceitos de classe de ninguém, logo carteiras Chanel, praias "exclusivas" ou mesmo bifes são assunto tabu. Tudo bem que eu própria prego que não se deve mencionar os próprios luxos, mas às vezes acontece. E desculpem, tão parvo é dizer " EU CRESCI MUITO POBREZINHO" como ainda há dias vi numa entrevista que me encheu de vergonha alheia, como "VAMOS BRINCAR AOS POBREZINHOS". Ou há moralidade ou falam todos, minha gente.

- Por fim, à conta de uma declaração tonta, que não visava ninguém, que vale o que vale, vai armar-se um circo que eu estou curiosa por ver como será, confesso. Quem é mais tolo: quem diz uma patetice no decurso de uma entrevista ou todo um povo que se revolta à conta disso?

- Enfim, as pessoas que enfiaram a carapuça vão fazer uma exibição do estereótipo do "pobrezinho" com garrafões e tudo. Qual é a utilidade de se sujeitarem a esse papelão, de enfiarem a carapuça, é que eu gostava de saber. Não nego que há um certo humor na situação. E se o povo não perde a vontade de brincar, mesmo que a brincadeira seja algo tosca, enfim; não se esqueçam é que mais uma vez estão a descarregar no primeiro bode expiatório que está à mão.

 - A senhora disse o que pensa. Eu mesma já disse que sou capaz de andar quilómetros e saltar dunas sem acessos pedonais para estar numa praia com pouca gente. Que espero que essas praias continuem inacessíveis e chatas de lá chegar, para não se estragarem. Nem todos gostam de Mega Piqueniques, Festas sunset das Rádios até às tantas no areal, e por aí, gostos são gostos. E tendo em conta como certos sítios são deixados depois de as "certas pessoas" darem com eles, então os mosquitos dão mesmo jeito.

Só espero que no fim da "invasão" deixem a praia limpa. Mas não terão mesmo mais nada com que se ofender?

5 comments:

magda's sexual life said...

Descobri recentemente o seu blog e estou fã. Em relação a este post não podia estar mais de acordo, virou moda dizer que somos pobrezinhos, e uma ofensa se demonstrarmos que a vida nos corre bem, não temos de ostentar, mas não devemos nos envergonhar, infelizmente há pessoas que estão a passar sérias necessidades, mas felizmente outros conseguem passar à tangente e vivem com isso. Mas infelizmente no país em que vivemos as pessoas não pensam, seguem a maré :)

A Bomboca Mais Gostosa said...

Aqui a questão parece-me mais o humor do que outra coisa qualquer. A ideia é pegar numa coisa parva que aquela beta do catano disse, para manipular de forma engraçada a situação. A verdade é que com tudo o que se passa no país, mete-me nojo, mas nojo, uma gaja que nunca fez bolha na vida, que é herdeira de uma fortuna, vir arrotar a m** para as revistas com o seu estilo de vida.

Tamborim Zim said...

Felizmente, a estupidez, a ausência de elegância e de educação e a pobreza, sim, mas de espírito, continuarão a motivar o achincalhamento. E ainda bem.

Susana Correia Dos Santos said...

Na mesma onda de sentido de humor pode ser que os carros avariem por falta de manutenção até lá chegarem. Ou que o combustivel não seja o suficiente para invadir a pria... ainal são pobrezinhos...

Imperatriz Sissi said...

@Magda, muito obrigada! O mal é que se repara demasiado na camisa lavada dos outros...

@Bomboca, o humor é a única coisa que remotamente salva esta barraca toda. Espero que a televisão lá vá, sou capaz de a ligar só para ver o circo...

@Tamborim, censurar um acto deselegante mas que até pode ter sido produto de palavras adulteradas por um jornalista pouco dado à ética (segundo a senhora, que já se veio desculpar) com histeria colectiva e melindres não me parece maneira de mudar coisa nenhuma.

@Susana, eu acho que os habitués da Comporta não vão aparecer. Não os censuro...

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