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Saturday, July 20, 2013

Às vezes, uma rapariga...

Anna May Wong
                                         
...tem de morder a língua. E sit there and look pretty, como foi ensinada. 
De ter um sorriso indecifrável.
 O tom de voz neutro, o timbre modelado, as palavras afáveis, o small talk, o beijinho social pronto, ainda que possa ser o beijo de Judas, ou uma versão metafórica do Il bacio della morte

Não se encolerizar, ou não o dar a conhecer a não ser

 quando é útil uma demonstração de força ou vulnerabilidade. 

 Passar pelo ser que mais aversão lhe causa e fingir que não viu -  uma senhora só vê e 

ouve  aquilo que quer - guardar para mais tarde, como Caterina de Medici. 

Ser amorosa, querida, paciente, tolerante, transformar adversários em aliados. Ver a sua

 vontade cumprida não por bater o pezinho mas por deixar que acreditem que o

 fizeram por sua própria cabeça;  

Viver e  deixar viver mesmo que saiba que algo está podre

 no reino da Dinamarca e que uma trama se adensa por trás do pano.

 Aprendeu a ouvir muitas vezes e falar só uma;

 aprendeu a ler nas pessoas, a deixá-las falar, a deixá-las mentir à vontade.

 E a observar

 o teatro que fazem. 

Sabe fazer isso porque foi treinada assim. Mal de si se não fosse -  ou se aprende cedo,

 ou  se aprende à força.

Sabe que às vezes, muitas vezes, é forçoso fazer tudo isto.

Mas também tem um tremendo sentido de oportunidade para os momentos em que tudo

 isso deixa de ser preciso. E quando isso acontece, temos tempestade. Das grandes.

  



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